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Full text of "O amor, a mulker e o casamento; pensamentos, poesias, proverbios, anecdotas etc."






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Yi u 









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DICCIOMRIO-ALBITM 



A historia do amor é a historia do género humano. 
Carlos Nodier. 



Typographia da Voz Feminina 



íd aias, a wmm a a ra/arara 

PENSAMENTOS, POESIAS, PROVÉRBIOS, ANECDOTAS ETC. 

COMPILAÇÃO DE GRANDE PARTE DO QUE SE TEM DITO E ESCRIPTO A RESPEITO DAS MULHERES E DO AMOR, COLLIGIDA DOS MELHORES AUTORES, 
TANTO NAGIONAES COMO ESTRANGEIROS E AUGMENTADA 

POR 

L DE CLARANGES 



1869 






'S8 



mmtoDuccAO 



Este livro, (assaz o indica o seu titulo de 
diccionario) não é dos que se podem ler de 
um fôlego. Convém antes folheal-o, espaçar 
as leituras, e principalmente consultal-o com 
frequência. 

Um escriptor abalisado, Carlos Nodier. 
disse : «A historia do amor é a historia du 
género humano.» 

Escrever essa historia seria impossível : 
nem é esse o nosso intento. Conhecer o 
amor; levantar, se é possível, uma ponta do 
\èo que encobre o coração humano; sondar, 
por assim dizer, o oceano dos sentimentos, 
e os abysmos da paixão; apontar em fim as 
causas que produzem o movimento do eter- 



no e agigantado actor da scena do mundo, 
o amor; tal é o nosso propósito ! 

Para conseguir este Qm, aqui reunimosoque 
disseram e escreveram acerca do assumpto 
não só os homens dislinctos de todos os pai- 
zes, mas até as mulheres mais espirituosas, 
de modo que o livro éuma collecção varia- 
díssima de opiniões e conselhos por elles da- 
dos em matéria que preoccupou, preoccupa e 
ha de preoccupar eternamente a humanidade. 
O homem encontrará n'este livro pensa- 
mentos cuja rectidão será por elle apreciada, 
a mulher conselho e luz, e ambos em muitas 
paginas o próprio retrato, e a norma de pro- 
ceder dictada por um magestoso areópago 



de espíritos superiores que vem, atraves- 
sando o espaço e saccudindo o pó dos túmu- 
los, pronunciar a sentença apontada pela ra- 
zão, e mais que tudo pela experiência, tão 
indispensável a gente moça. 

Juntámos ás idéas de muitos escriptores 
estrangeiros, paginas de escriptores portu- 
guezes para qne o livro, como ura ramo de 
flores, captive a attenção do leitor, pelo ma- 
tiz -e pelo aroma. 

Depois das definições, seguem-se paginas 
em branco onde se poderá registrar os pró- 
prios pensamentos, formando d'esta collec- 
ção ura álbum chamado com razão, o álbum 
do coração. L. de C. 



©l€€10MAB10»AE,Blffif 



-&SSSS&- 



Querendo escrever um dia 
mal que tanto estimei ; 
Cuidando no que poria, 
Vi Amor que me dizia : 
Escreve, qu'eu notarei. 
E como para se ler 
Não era historia pequena 
A que de mi quiz fazer, 
Das azas tirou a penna 
Com que me fez escrever. 

E, logo como a tirou, 
Me disse: Aviva os esp 'ritos, 
Que pois em teu favor sou, 
Esta penna que te dou, 
Fará voar teus escriptos. 
E dando-me a padecer 
Tudo o que quiz que puzesse, 
Pude emfim d'elle dizer, 
Que me deu com qu'escrevesse 
O que me deu a escrever. 



Tirou das azas a penna 
E lavrou aqui Amor, 
Is 'este livro de primor, 
Sentença que já condenina, 
Por sacrílego e traidor, 
A todos o que a mão impura 
K'estas paginas pozer, 
Tomando, com falsa jura 
O seu sancto nome em vão, 
Para n'ellas escrever 
O que impresso não tiver 
Bem fundo no coração. 

Vise. d'Álmeida Garrett. 



Camões. 



ÁLBUM 



ABANDONO 

O amor accende muitas vezes fogos mais ar- 
dentes que os de Vulcano. Os seus furores in- 
sensatos fazem, com que a donzella abandone a 
casa paterna, e a esposa o leito nupcial. 

Theocrilo. 

abandono é ás vezes o caminho para o 
suicidio. 

L. de C. 

Ha no abandono uma espécie de desprezo ao 
qual nunca nos devemos expor. É mister aban- 
donar, mas não ser abandonada. 

Mad. de Rieux. 



ACASO 

Em amor, o acaso é tudo; deveis sempre ter 
o anzol prompto, pois no sitio onde menos se 
espera, encontrareis peixe. 

Ovidio. 

amor que nos domina mais, é ás vezes 
aquelle que nasce ao acaso. 

J. J. Rousseau. 

A troca de duas almas, a fusão de dois co- 
rações em um só, nunca pôde ser filha do acaso, 
mas sim obra da Providencia, que nos conduz 
por caminhos desviados ao encontro sympalhico 
de uma alma irmã. 

L. de C. 



ACÇÃO 

É um insignificante meio para alcançar, o 
fallar constantemente no nosso amor; se os dis- 
cursos lisongeiam as mulheres, as acções so- 
mente teem o poder de as convencer. 
Ovidio. 

Uma mulher desculpa até as más acções, que 
a sua belleza obriga a commetter. 

Lesage. 

As mulheres teem pouca sympathia pelos 
contempladores, e prezam muito mais aquelles 
que põem as suas palavras em acção. E de facto 
fazem bem, porque, obrigadas pela posição so- 
cial a calarem-se e a esperar, preferem natu- 
ralmente aquelles que se lhes dirigem e faliam: 
assim podem sair de uma situação falsa e abor- 
recida. 

T. Gaulier. 

Todas as nossas acções, filhas do amor, de- 
vem gravitar para Deus, como centro do todas 
ellas. Fora deste movimento ha a perdição das 
glorias promettidas; porque, no reino do céu 
no tribunal do Eterno, não ha a infracção das 
leis geraes do espirilo. 

Castello Branco. 



ACEIO 

Ordem, economia, aceio, pequenas virtudes 
que fortalecem as grandes. Uma mulher que 
não tem arranjo em casa é como um soldado 
sem valentia diante do inimigo. 

Richard. 

primeiro adorno de uma senhora, quer seja 
moça quer seja edosa, é o aceio. 

Mad. Deffand. 

único atavio das mulheres deveria ser o 
aceio. 

Bugny. 
Não ha no mundo nada mais repugnante do 
que a mulher pouco limpa; o marido que se 
enoja d'ella tem razão. Uma senhora não deve só 
cuidar em bem fazer as cousas, deve também 
fazel-as com aceio. 

/. /. Rousseau, 
O aceio é o enfeite da velhice. 

Mad. Necker. 
A mulher enxovalhada enoja quem olha para 
cila, e envergonha quem a possue. 



liaras vezes a mulher desacciada é mulher 
honrada. Faz-se pouco caso do conceito alheio 
quando se não faz nenhum do próprio. 



A mulher suja não é mulher, é um monstro. 
Rétif de la Breíonne. 



ACOMMETTIMENTO 

Em amor, ou se não acommetle, ou se ga- 
nha a praça.' 

Ovídio. 

Quando os homens acommettem a mulher, se- 
guem a sua inclinação, mas quando as mulheres 
se defendem, não seguem a sua; por isso, o 
que, em amor, é para unsvictoria, para outros 
é derrota. 

Fontenelle, 

Não devemos acommetter a mulher pelos sen- 
tidos mas pelo coração, pela imaginação, ou 
pela vaidade. 

Sainí Prosper. 

Acommetter para vencer. 

Provérbio. 



ÁLBUM 



ADIVINHAR 



O amor é um sentimento tão delicado, que 
um amante nunca deve saber se é amado senão 
adivinhando-o. 

Mad. de Sartory. 

As mulheres adivinham que são amadas muito 
antes de lh'o dizerem. 

Marivaux. 

Dos sentimentos da mulher só devemos adi- 
vinhar o que lhe pôde agradar. 



O amor não precisa ser adivinhado; dá-se a 
conhecer, e muitas vezes quanto mais se quer 
occultar, mais se torna evidente. 



ADMIRAÇÃO 

As mulheres louvam de boa vontade os que 
as admiram. 

/. /. Rousseau. 

A belleza é como uma taboleta que attrahe o 
amor. Uma admiração muito viva torna decisiva 
a mais pequena esperança. 

Stendhal. 

Aos quinze annos, as mulheres admiram os 
homens esbeltos por tolice ou por interesse, aos 
quarenta por convicção. 

Mad. de Girardin. 

Quando admiramos uma mulher bonita, obe- 
decemos assim a uma inclinação natural. 
L. de C. 



ADORADOR 

A felicidade de muitas mulheres consiste ás 
vezes no numero dos adoradores, e o seu orgu- 
lho em os ter sempre novos. 

Rochebrune. 

Não é necessário queimar a mulher que ado- 
ramos para saber que de um idolo nunca po- 
derá ficar mais que um pouco de pó. 

Stahl. 

A necessidade de amar para a mulher não é 
mais que o desejo de ser amada. 

Mad. Necker. 

Os verdadeiros adoradores são os sacerdotes 
do amor. 

L. de C. 



DICCIONARIO 



ADULAÇÃO 

Quando se trata de adular uma mulher, tudo 
1 le podemos dizer; a sua vaidade é tanta que 
todo acredita. 

Rica rd. 

As mulheres bonitas são como os monarchas; 
não se adulam senão por interesse. 

L. de C. 

Com assucar e com mel até as pedras sabem 
Lem. 

Provérbio. 



ADULTÉRIO 

O adultério é a curiosidade do amor e dos 
prazeres alheios. 

Plutarco. 

Não ha maior criminoso que aquelle que de- 
seja a mulher alheia. 



Aquelle que cubica uma mulher commette um 
adultério em pensamento. 

Jesus Christo. 

Aquelle que rouba um carneiro ou um vestido 
pódc restituil-os; mas os que rompem os laços 
sagrados do casamento nunca mais os poderão 
reatar : por isso devem ser mortos, e os que 
morrerem sentirão menos a sua deshonra que 
os que ficarem vivos. 

Mafoma. 

As mulheres não podem commetter os males 
de que são arguidas, sem que os homens sejam 
seus complices, por isso também elles são cul- 
pados, e se, no adultério o crime é egual, por- 
que deixará de sel-o o castigo ? 

Facimus quos inquinai acquat 



crime torna eguaes todos aquellesquenello 
se envolvem. 

Mad. de Sartory. 

Ha no mundo social um monstro que causa 
grandes estragos; quebra a paz, separa os es- 
posos que se amavam, e obriga-os a commelte- 
rem assassínios. Fallo no adultério, crime hor- 
roroso pelo qual se castigam as mulheres, mas 
não bastante os homens, porque elles são quem 
fizeram as leis. 

Blondel. 

adultério é uma quebra, com a differença 
que o credor é que fica deshonrado. 

Champfort. 

No Egypto dizia uma lei que toda a mulher 
apanhada em adultério teria o nariz cortado e 
o homem os olhos tirados. Se essa lei estivesse 
em vigor entre nos, quantos cegos e mulheres 
sem nariz se haviam de ver por este mundo! 

Ricard. 

Um marido enganado que recorre aos tribu- 
naes é um doente louco que augmenta os seus 
males. 

Ricard. 



ÁLBUM 



A lei de Moisés condemnava á morte as adul- 
teras, os Egypcios cortavam-lhes o nariz, a lei 
Júlia em Roma condemnava-as a terem a ca- 
beça decepada ; hoje entre nós quando uma 
mulher é surprehendida com o amante, faz-se 
cscarneo do marido. 

Champfort. 

adultério, que no Código Civil é um facto 
imraenso, não passa, em coisas de galanteio, 
de um negocio de baile de mascaras. 

Napoleão i. 

adultério está no pensamento de toda a mu- 
lher que vê um homem que lhe agrada, e nos 
olhos de todo o homem que vê uma mulher for- 
mosa. 

R içar d. 

adultério é um abuso de confiança; em 
vez de se roubar dinheiro, rouba-se honra. 



AFAGOS 

As solteiras julgam que os homens casados 
acariciam constantemente suas mulheres, e os 
frades julgam que os militares andam sempre 
de espada na mão; todavia, fazem-se ás vezes 
dez campanhas sem que a espada saia da bainha. 
Turenne. 

Em amor, os afagos offerecidos poucas vezes 
teembom êxito, e ainda é mais raro queseof- 
fereçam quando merecem ser procurados. 
Duelos. 

Gritae, dizia Fontenelle, já velho, a uma me- 
nina que fugia dos seus carinhos, gritae, será 
isso lisongeiro para nós ambos. 

Os amantes usam no seu idioma grande mul- 
tidão de palavras das quaes cada syllaba é um 
afago. 

Rochpèdre. 

Os pequenos afagos levam-nos a maiores. A 
mulher que pouco se defende d'elles, convida a 
renoval-os. 

Invitat culpam quae peccatum praeter. 
Mear d. 



A mula e a mulher com a 
dados. 



Provérbio. 



A mulher tem tudo a ganhar com a meiguice; 
com o orgulho e os desabrimentos de um cora- 
ção duro, nada. 

A. M. de Castilho. 



14 



AFFECTAÇÃO 

A natureza, pormuito simples que seja, é pre- 
ferível á affectação a menos ridícula; defeito por 
defeito antes os que são naturaes de que os do- 
tes fingidos. 

Saint-Evremond. 

k affectação n'uma mulher é insupportavel, 
n'um homem torna-se repugnante. 

L. de C. 

L'ma senhora que, por affectação costumava 
carregar no r de um modo que chegava a ata- 
car os nervos dos circumstantes, dizia um dia 
a certo sujeito: 

—As senhorrras parrisienses costumam rrirr 
por qualquerr rridicularria. 

— É ve'dade, (respondeu elle) minha senho'a, 
as fancezas são muito aleg'es. 

—O senhor é gago? perguntou ella já meia 
desconfiada, e esquecendo o engraçado defeito 
— não pronuncia os rrr? 

— Pois v. ex. a fazd'elles tão grande despeza, 
que ohriga os outros a economisal-os para se 
não acabarem. 

L. de C. 



AFFECTO 

Todcmos, por meio de um affecto fingido, en- 
ganar uma mulher, se não sentimos um ver- 
dadeiro por outra. 

La Bruzet. 

O verdadeiro affecto engrandece-se com os 
sacrifícios. 

L. de C. 

Quem tem affeição não tem inteira razão. 

Prov. 

Por affeição te cas aste, a trabalho te entre- 
gaste. 

Prov. 



AFOUTEZA 

A afouteza agrada ás mulheres pouco hones- 
tas; as que teem sentimentos elevados prezam 
mais a timidez. 

Molière. 

As mulheres gostam dos valentes, mas ainda 
mais dos afoutos. 

Lemesle. 

Todo o homem que foi afouto para com uma 
mulher, 6 criminoso no pensamento d'ella logo 
que deixe de o ser. 

Reveroni. 

A afouteza do amante parece-se com a do 
soldado: não olhar a obstáculos. 

L. de C. 



ÁLBUM 



AGRADAR 

Agradar, amar e reinar, eis a mulher. 
O desejo de agradar nasce nas mulheres an- 
tes da necessidade de amar. 

Ninon de Lenclos. 
Quando queremos agradar ás mulheres deve- 
mos convidar as moças para dançar e as ve- 
lhas para jantar. 

Moncrif. 

Não se é amado por se amar, mas sim por 
se agradar. O motivo pelo qual se agrada é um 
não sei quê tão difficil de dizer, que é melhor 
convirmos de boa fé que se ama e se é ama- 
do, sem se saber porque. 

M. d' Arconville. 

O destino das mulheres é agradar, amar e 
ser amadas; aquelles que as não amam são 
mais loucos que aquelles que as amam de mais. 
Rochebrune. 

Feita para agradar, nascendo a bem dizer 

com esse designio, não vivendo senão para 

pol-o em pratica, a mulher morre com pena de 

já não agradar e com desejo de agradar ainda, 

La Beaumelle. 



Nas mulheres, o cuidado de se adornar não 
d mais que o desejo de agradar. 

Marmontel. 

As mulheres procuram agradar antes da eda- 
de da razão, nascem já com essa inclinação, 
mas ignoram que buscando agradar, encontram 
também quem lhes agrade e que, querer rou- 
bar a liberdade alheia 6 expôr-se a ficar sem 
a própria. 

Dupmj. 

Quasi sempre aquelle que mais ama, é o ul- 
timo a entender que deixou de agradar. 

Rochpèdre. 

Quando a mulher deixa de querer agra- 
dar ainda lhe fica uma ultima garridice, o não 



Desnoyers. 

Quasi sempre as mulheres sacrificam o ho- 
mem honrado que ama sem lhes agradar, ao li- 
bertino que lhes agrada sem as amar. 



Dizes que Fileno é tosco, 
Molle, feio, e sem sabor; 
Não levas á paciência 
Terem-lhe as moças amor: 
Nenhum mérito lhe encontras 
Porque o devam attender, 
Que mais mérito lhe queres t 
Agradar é merecer. 

Bocage. 



DICCIONARIO 



A> mulheres estimam mais ainda os seus en- 
cantos que as suas paixões. 



Não ha mulher que possa mais facilmente 
ser virtuosa que aquella a quem faltam os agra- 



ALEGRIA 

Um dos maiores segredos para ser amado 
consiste em agradar e divertir. Podem-se en- 
ternecer corações tanto pela alegria como pe- 
las lagrimas. 

Mad. de Sartory. 

Quando a alegria entra no coração de uma 
mulher deixa a porta aberta para o amor. 

A. Dupuy. 

A alegria dos francezes vem-lhes do espirito 
de sociedade; a dos italianos da imaginação; a 
dos inglezes da originalidade do caracter, a dos 
allemães é philosophica; gracejam mais com as 
coisas e com os livros que com os seus simi- 
Ihantes. 

Mad. de Stael. 

Alegria secreta, candeia morta. 



As primeiras alegrias do amor são as mais 
ívas e as menos duradouras. 

L. de C. 



ALEIVOSIA 

Muitas vezes é um amante enganado por 
uma falsa esperança, e todo o ardor que mos- 
tram as mulheres não serve senão para enco- 
brir outros fogos. 

Molièrc. 

A aleivosia das mulheres serve ao menos 
para nos curar do ciúme. 

La Bruyère 

O nome de aleivosa é depois de o de des- 
apiedada, o que agrada mais ao coração de 
uma mulher, e o menos difficil de merecer. 



Formoso e aleivoso. 



Laclos. 
Prov. 



ÁLBUM 



E a alma e não o corpo que torna o casa- 
mento indissolúvel. 

Publio Syro. 

Quando se ama, a alma brilha nos olhos. 

Eunapio. 

amor é a paixão das grandes almas, e 
faz-lhes merecer a gloria quando lhes não faz 
perder a cabeça. 

Mad. de Pompadour. 

No amor, ao marido só pertence a estatua, a 
alma ao amante. 

Crébillon, filho. 

amor ennobrece ou envilece segundo o ob- 
jecto que o inspira. 

Mad. de Beaumont. 

Eu não tenho na terra os meus amores ; 
Alma afinada pelos sons da minha 
Só existe nos céos, é nivea estrella. 

João de Lemos. 



Um sopro divino formou a alma do homem, 
a da mulher de um beijo delicioso deveu ser 
formada. 

A. F. de Castilho. 

A corrente, que beija aquella areia, 
Esta rosa, que ao zephiro abre o seio, 
A viração, que as arvores menêa, 
Nos dizem que é o Amor doce recreio. 
A pura chamma egual d'um par constante 
Em dobro o faz feliz, o faz contente: 
Tem um'alma, não mais, o indiífrente, 
Duas almas encerra um peito amante. 



amor não se ganha senão com amor. Se 
ser amado, amai primeiro. 



Para sermos amados 6 mister sermos amá- 
veis. 

Ut ameris, amabilis esto. 

Ovidio. 

Um amante que tem certeza de ser amado, 
deixa de ser amável. 

Mad. Deshoulière. 

As mulheres amam melhor quando começam 
pela edade a tornarem-se menos amáveis. 

Rochebrune. 

Quando uma mulher se torna amável para 
com os homens, parece-lhes tudo quanto quer 
e até virtuosa. A difficuldade é parecer amável 
quanto tempo se desejaria. 

Fontenelle. 



18 



DICCIONARIO 



A maioria das mulheres couvcnce-se que é 

amável, e basta que um homem só, ainda que 

ioIo ou cego, lb'o diga, para que ellas caiam n'essa 

vaidade particular, sobretudo aquellas que a 

menos favoreceu. 

Saint-Evremont. 



As mulheres podem tudo quanto 
única differença que vai d'ellas a nós é serem 
mais amáveis. 

Voltaire. 

Ha muitas mulheres qne seriam extremamente 
amáveis se podessem esquecer que o são. 



Marivaux. 

Amantes, quereis conservar um coração? sede 
ainda mais amáveis depois de felizes de que 
antes. 

Mad. Dufrenoy. 

Para as mulheres feias, a amabilidade é o 
veneno da sua feialdade. 

L. de C. 



AMANHA 

Amará amanhã aquelle que nunca amou. 

Cras amet qui nunquam amavit, 
quique amavit, eras amet. 

Quando amamos, o dia de hoje é tão lindo 
que não nos podemos lembrar do de amanhã. 



Em negócios d'amor, antes hoje que amanhã; 
ventura differida é ventura perdida. 



Um amante crê tudo quanto teme. Amans 
semper, quod timet, esse putat. 

Ovidio. 

Amantes velhos que faliam na sua juven- 
tude não podem olhar um para o outro sem rir 
ou chorar. 

Publio Syro. 

Um dos effeitos do amor é transformar os 
amantes e tornal-os similhantes ao objecto 
amado. 

Petrarca. 

Uma mulher conserva sempre o primeiro 
amante em quanto não toma segundo. 
La Rochefoucauld. 

Uma mulher é digna de todo o conceito quan- 
do procede com um amante de modo que o 
obrigue a ficar sempre seu amigo. 

Mad. de Puisieuz. 

As mulheres consideram os amantes como 
cartas de jogar. Servem-se cTellas para jogar 
algum tempo e depois de ganharem, deitam-as 
fora, pedem cartas novas e ás vezes perdem 



com estas tudo quanto ganharam com as pri- 
meiras. 

Pope. 

Os amantes obsequeiam de melhor vontade 
os seus amigos namorados que os outros. 

Mad. de Sartory. 

Os amantes nunca se aborrecem de estar jun- 
tos, porque faliam sempre de si mesmos. 

La Rochefoucauld. 

Uma mulher não se pode fiar de um amante 
depois de perder a belleza, mais que um ho- 
mem de um amigo quando perdeu as suas ri- 
quezas. 

Pope. 

È preciso mais virtude a uma mulher para 
ter um amante só que para não ter nenhum. 



primeiro amante de uma mulher nunca é 
o ultimo. 

Dupuy. 

Os amantes apaixonados parecem-se com os 



ÁLBUM 

grandes falladores, contentam-se com serem es- 
cutados e dispensam as respostas. 

Chabanon. 

Quer se chegue cedo ou tarde pouco impor- 
ta; quando se consegue, sempre se é o primei- 
ro amante da mulher. 

Lados. 

Uma mulher de espirito disse-me uma pala- 
vra que bem poderá ser o segredo do seu sexo: 
é que quando uma mulher acceita um amante 
considera mais o modo por que elle é olhado 
pelas outras mulheres que o modo por que ella 
mesma o olha. 

Champfort. 

Um amante é um homem ás mãos do qual 
uma mulher entrega a sua reputação e a sua 
felicidade. 

Mad. Adanson. 

Um amante é um arauto que proclama ou o 
mérito ou o espirito ou a belleza de uma mu- 
lher. que proclamará o marido ? 

Balzac. 

Com as mulheres fracas devemos ter ciúmes 



i9 

do amante que foi, com as mulheres fortes do 
amante que será. 

P. Limayrac. 

Ainda mesmo que as mulheres fossem immor- 
taes, nunca conheceriam o seu ultimo amante. 

Lamennais. 

Um amante que já se não ama serve ainda 
para alguma coisa: para oceultar o que se ama. 

Ricard. 

que é uma amante ? uma mulher junto ã 
qual nos esquecemos d'aquilio que sabemos de 
cór, quero dizer dos defeitos do seu sexo. 

Champfort. 

É ás vezes mais difficil desfazer-se d'uma 
amante que adquiril-a. 

Ninon de Lenclos. 

Quem julga amar a sua amante só pelo amor 
d'ella, engana-se. 

La Rochefoucauld. 



20 



DICCIONARIO 



V. melhor abolir a nobreza que a virtude; c 
a mulher de um carvoeiro é mais respeitável 
;.:nante de um príncipe. 

J. J. Rousseau. 

Um dos maiores soffrimentos é sentir a perda 
de um bem que ainda existe, mas que não exis- 
te para nos. Por isso é que mais facilmente nos 
consolamos da morte de uma amante que da 
sua infidelidade. 

Jfr. (TAvconville. 

A cabeça de um amante é coisa sem expli- 
cação, elle adora a sua amante por ella ser vir- 
tuosa e lastima-se por ella não querer deixar 
de o ser. 

Champfort. 

É fácil encontrar uma amante e conservar 
um amigo, e muito difficil encontrar um amigo 
e conservar uma amante. 

Levis. 

Quando se tem só uma amante, torna-se tão 
incommoda como uma mulher. 



As amantes parecem-se com a sombra do re- 
lojio do sol, vão-se com a claridade do dia. 

Levis. 

A amante de quem menos caso fazemos, logo 
que mostre cuidar n'outro homem tira-nos o 
descanço e semeia no nosso coração todas as 
apparencias da paixão. 

Stendhal. 

Fazer de uma amante nossa mulher é mu- 
dar um vinho soffrivel cm péssimo vinagre. 

Blondel. 



AMBIÇÃO 

A maior ambição das mulheres é inspirar 
amor. São esses os seus cuidados, e a mais or- 
gulhosa sente o coração satisfeito ao ver as 
conquistas que fizeram seus olhos. 

Molière. 

amor, hoje, é toda a ambição da mulher; 
no homem pelo contrario, não é as mais das 
vezes, senão o somno momentâneo da ambi- 



ÁLBUM 



AMIGO 

Uma mulher perde quando faz de um amigo 
um amante, mas ganha quando de um amante 
sabe fazer um amigo. 

Mad. de Puisieuz. 

Perdemos mais da metade de um amigo quan- 
do elle se torna namorado. 

Mad. de Sartory. 

Nada ha mais perigoso para uma mulher que 
as fraquezas da sua amiga; o amor, já não 
pouco seductor por si mesmo, torna-se ainda 
mais por contagio. 

Ninon de Lenclos. 

Tornar-se amigo de uma mulher que se amou, 
é um meio honesto de a esquecer; o amor sub- 
stituído pela amizade já não é amor. 

#. elle de 1'Espimsse. 

Um coração cheio de amor precisa derramar- 
se, e da necessidade de uma amante nasce a ne- 
i um amigo. 



/. /. Rousseau. 



Senhor, dizia um dia a condessa de Teucin 
ao visconde d'Hervigny, seu protegido, fazei 
por ter antes amigas que amigos, com a aju- 
da das mulheres obtem-se tudo dos homens. 
Mear d. 



Não ha amigo tão agradável como uma aman- 
te que nos ame sinceramente. 

Bernardin de Saint Pierre. 

As mulheres novas partilham com os reis a 
infelicidade de não terem amigos mas não o 
sabem porque a grandeza de uns e a vaidade 
das outras oceulta-lhes esta triste verdade. 

Champfort. 

Em todos os tempos o amor e a amizade fi- 
zeram prodígios, mas hoje, quantos maridos de- 
vem aos seus amigos a fecundidade de suas 
mulheres. 

Sophie Arnoud. 

As mulheres amam com mais duração os ami- 
gos velhos que os seus jovens amantes; enga- 
nam por vezes o amante, nunca o amigo. 

Mercier. 



Não se 6 o amigo de uma mulher quando se 
pôde ser seu amante. 

Balzac. 

A mulher é a amiga natural do homem e 
comparada com essa, qualquer outra amizade é 
fraca ou suspeita. 

Bonald. 

Preso e captivo não tem amigo. 



Amigos que se desavem por um pão de cen- 
teio, ou a fome é muita, ou o amor pequeno. 



DICCIONÀRIO 



O amor sò recorre á amizade quando teme ou 
deseja. 

Mad. de Sartory. 

A maioria das mulheres enternece-sc pouco 
com a amizade, porque esta é insípida comparada 
com o amor. 

La Rochefoucauld. 

amor e a amizade querem-se como dois 
irmãos que se preparam para partilhas. 

Oxenstiern. 

Em amor, as mulheres são mais entendidas 
que os homens, mas em amizade os homens 
levam-lhes a palma. 

La Bruyère. 

que torna as amizades tão frias e de tão 
pouca duração entre as mulheres? São os inte- 
resses do amor e a inveja das conquistas. 

/. /. Rousseau. 

amor, quando existe só não passa de um 
fogo passageiro, de um desejo ou de uma pai- 



xão, mas quando se ajunta com a amizade re- 
cebe d'este sentimento a plenitude e a duração 
da sua existência. 

Labouisse. 

A amizade é a palavra preferida pelas mu- 
lheres quer seja para receber o amor quer seja 
para o despedir. 

Sainte Bcuve. 

Como poderia o amor satisfazer-se com a ami- 
zade se nella vê não o que dá mas o que re- 
cusa. 

Latena. 

Uma amizade nova pôde distrahir de um 
amor antigo. 



A amizade entre duas mulheres dura tanto 
como uma rosa entre duas tempestades. 



Entre Paulo e Virginia a primeira amizade 
já era amor: nas almas innocentes estes dois 
sentimentos accendem-se ao mesmo foco. 



Rochpèdre. 



amor pôde fazer esquecer a amizade, mas 
não consolar-nos da sua perda. 

Massias. 

sentimento mais perfeito é a amizade que 
vem substituir o amor entre um homem e uma 
mulher que não teem que corar de se terem 
amado nem de terem acabado de se amar com 
o primeiro ardor da juventude. 

Daniel Stern. 

Passar do amor para a amizade é coisa ra- 
ríssima entre homens e mulheres que se ama- 
vam; todavia não é impossível similhante caso, 
basta que para isso haja um bom espirito e 
um bom coração. 

Saint-Evremonl. 

Poucas mulheres quando são moças, nos agra- 
decem a simples amizade. 

Dufresne. 

A amizade de um homem é ás vezes um en- 
costo, a de uma mulher é sempre uma alivio. 

Rochpèdre. 



ÁLBUM 



A amizade de duas mulheres nunca passa de 
uma conspiração contra outra mulher. 

A. Karr. 

De amigo lisongeiro e de frade sem mosteiro, 
não cures. 

Provérbio. 



AMOR 

É difficil definir o amor : o que podemos di- 
zer, é que na alma é uma paixão de reinar; do 
espirito, uma sympathia, e no corpo um desejo 
oceulto e delicado de possuirmos o que amamos 
apoz muito mysterio. 

La Rochefoucauld. 

Não se pôde conhecer a causa e a natureza 
do amor; é um não sei o que, que vem não sei 
de onde, fórma-se não sei como, e nos encanta 
não sei porque. 

P. clu Bosc. 

É um mal contagioso que torna phrene ticos 
os que possue. 

Hamilton. 

amor tem mais fel que mel. 
ímpia sub dulci melle venena latení. 
Ovidio. 

De todas as paixões, o amor é a que per- 
turba mais a razão, a que excita mais des- 
ordem na alma e a obriga a commetter os maio- 
res erros. Não vai quasi diferença alguma de 
um namorado para um doido ; as acções de 



um teem bastante analogia com as do oulro,e 
se a loucura perturba o juizo, o amor perturba 
o espirito, e desarranja a razão. 

Se considerarmos os que amam, veremos um 
ter amor por o que não é amável', outro ter 
ódio ao que é digno de amor; que um acha 
feio o que é lindo, e outro lindo o que é feio; 
que um estima o que deveria desprezar, e ou- 
tro despreza o que é digno de estima. Veem-se, 
alguns que seguem o que lhes foge, outros que 
fogem de quem os quer; e certamente, cegos 
poderiam muita vez escolher com mais acerto. 
Se, pois, a razão é o melhor de todos os bens, 
segue-se necessariamente que aquillo que nos 
tira a razão é o peior dos males. 

Para conhecer o pouco discernimento d'eata 
paixão, basta observar com que pequenas coi- 
sas ella se satisfaz, das quaes ella faz os seus 
mais queridos thesoiros. Um olhar, um sorriso, 
uma palavra, um pequeno bilhete, uma insi- 
gnificante fitinha são o fim dos seus desejos; o 
objecto das suas esperanças, a recompensa dos 
seus trabalhos e a recompensa dos seus servi- 
ços. E todavia para obter bens tão valiosos é 
preciso gemer, suspirar, aturar muito e por 
muito tempo sem queixas ; é necessário ter um 
cuidado continuo, estar n'uma inquietação per- 



2'. 



DICCIONARIO 



rder o appetitc c o somno, nãofallar, 
Dão dormir, não rir; andar pallido e desfigurado, 
pensativo e melancólico. 

K mister, para poder entregar-se a tão agra- 
dável occupação, desprezar amigos, interesses, 
repntaçie; è necessário proceder como se só 
i-xistisse uma pessoa em todo o mundo, olhar 
eómente para ella, estimar só a ella, e não a 
deixar mais que a sombra o corpo, tornar-se 
maçador, e depois de ser amante feliz tornar- 
se objecto de ódio por tanto querer ser amado. 

Mas nada isto é, comparado com o ciúme que 
segue sempre o amor. Não, não tem o inferno 
supplicio egual a essa paixão atroz que desordena 
a alma, perturba os sentidos, avoca phautas- 
mas que não existem, impinge mentiras por 
verdades e sonhos como realidades. O ciúme 
nuíre-se de veneno, é uma d'estas serpentes 
que matam os que lhes dão o ser; as suas mais 
doces distracções teem por objecto, precipícios 
ou despenhadeiros, venenos ou punhaes, a morte 
de um rival ou a própria. Esta fúria deulogar 
a mil assassínios, a mil crimes horrendos. 

Por isso os poetas que pintaram o amor, o 
representaram creançapara exprimir seu pouco 
siso, com uma faxa para figurar a cegueira 
d'aquelles que o sentem, e com armas para 



mostrar os estragos que ellc causa, e emlim, 
pozeram-lhe na mão um faxo para dar-nos a 
entender o incêndio que abraza a alma e que 
destroe ás vezes, casas, cidades, províncias e 
monarchias inteiras. 

il/. ell ° de Scudéri. 

O amor é uma creança que sempre devemos 
trazer pela mão para elle se não perder. Éum 
cego manhoso que deseja tirar os olhos a quem 
o conduz para poderem desencaminhar-se am- 
bos. 

P. du Bosc. 

amor é filho da pobreza e do deus das ri- 
quezas. Da pobreza porque sempre pede, do 
deus das riquezas por ser dadivoso. 

Platão. 

amor é o arebitecto do universo. 

Hesiodo. 

amor 6 o perturbador do mundo. 

Bacon. 



amor é uma lona dada pela natureza e bor- 
dada pela imaginação. 

Voltaire. 

amor 6 o mais agradável e o melhor dos 
moralistas. 

Bacon. 

amor ensina-nos todas as virtudes. 

Plutarco. 

O amor tem todas as perfeições e nenhuns 
defeitos. 

Athêneas. 

amor é uma gota celeste que o céo deitou 
no cálix da vida para combater-lhe o amargor. 

Rochester. 

amor é uma loucura que dá ao homem os 
maiores prazeres que lhe seja permittido gozar 
n'este mundo. 

Stendhal. 

amor é o desejo do incógnito levado até 
ao furor. 

Petiet. 



O amor é a aza que Deus deu á alma para 
o poder alcançar. 

Michel Aiujc. 

amor sae de Deus e a Deus volta. 

P. Lcraux. 

amor é a aspiração santa da parte mais 
etherea de nossa alma para o desconhecido. 

Gcorgc Sana, 

amor é serem dois e ser um só, um ho- 
mem e uma mulher que se transtornam em um 
só anjo; o amor é o céo. 

Victor Hugo. 

amor é um puro orvalho que desce do 
céo sobre o nosso coração quando Deus quer. 

Arsénio Houssage. 

amor é um fogo devorador que dura tan- 
to menos quanto mais depressa se ateou. 



Poucos sabem o que 6" o amor, e d'aquelles 
que o sabem poucos o dizem. 



amor seria melhor conhecido se se disses- 
se que é uma amizade cujo êxito é aquillo pelo 
que nos parecemos com os brutos. 

Oxenstiem. 

amor é um appetite desregrado que nos le- 
va sem sabermos porque, para um manjar e 
não para outro. 

Ninon de VEnclos 

amor é o egoísmo partilhado. 

A. dela Salle. 

amor parece-se muito com um jardim ao 
fim do qual chegaríamos com três passos se 
não fossem as muitas ruas extravagantemente 
dispostas e cheias de flores e perfumes. 



amor ê um privilegio para todas as asnei- 
ras e todas as extravagâncias. 

Jouy. 



amor é como a fé nos milagres: é um tra- 
balho da imaginação para excitar o coração e 
paralysar o raciocínio. 

G. Sand. 

amor é mais forte que a guerra. 

P. DuponL 

amor fere os mortaes e prende os deuses. 

Danchet. 

amor é mais poderoso que Deu?, pois 1 
uma só alma de duas. 

Abouisse. 

amor é o mais orgulhoso dos déspotas; 
ou.é tudo ou nada. 

Síendhal. 

amor vence tudo. Omnia vincit amor. 

Virgílio. 

Ninguém é tão máu que o amor o não • os- 
sa tornar um deus pela virtude. 



DICCIONARIO 



O amor tem compensações que não tem a 
amizade. 

Montaigne. 

Amar ou não, uão está no nosso poder. 

CorneUle. 

ú que ama sem ser amado tem mais certe- 
za que outro de amar verdadeiramente. 

Meilhan. 

Querer afugentar do nosso coração o amor 
que o domina é o mesmo que não querermos 
que a nossa sombra appareça quando estamos 
ao sol. 

Mad. de Rieuz. 

Em amor, ha tantos motivos para já não 
amar como para amar sempre. 

La Bmyère. 

amor é o rei dos mancebos e o tyranno 
dos velhos. 

Oxenstiem. 

O amor reside nas mais Lellas almas como 



o verme devorador no mais lindo botão de 

rosa. 

Shakspeare. 

amor verdadeiro parece-se com as almas 
do outro mundo, todos faliam n'ellas e poucos 
as viram. 

La Rochefoucauld. 

É mais difficil encontrar quem nos ame que 
quem possamos amar. 

Dufresny. 

amor parece-se com o fogo, quanto mais 
fechado melhor se conserva. 

Dupuy. 

Amae, só isso é bom na vida. 

G. Sand. 

Ha só um amor verdadeiro mas ha mil co- 
pias d'elle. 

La Rochefoucauld. 

amor que na vida dos homens é unica- 
mente um episodio, a historia inteira da vida 

das mulheres. 

Ma l. de Stael. 



amor agrada mais que o casamento por 
isso que os romances agradam mais que a his- 
toria. 

Champforl. 

Prendemo-nos ao amor quando elle nos tra- 
ta mal, deixamol-o quando elle nos trata 
bem. 

Dorat. 

amor entra mais facilmente n'um cora- 
ção que o vento em casa aberta. 

A imagem do que amamos é como a nossa 
sombra, segue-nos por toda a parte. 

amor decresce quando pára de crescer. 
Chateaubriand. 

Um amor apagado pôde novamente atear-se, 
um amor gasto, nunca. 

Guyard. 

Amar, é pedir a outrem a felicidade que nos 
falta. 

Rochpèdre. 



Todas as virtudes estão contidas n'uma só pa- 
lavra —amor. 

Legouvé. 

Não ha cárceres bonitos nem amores feios. 

(Provérbio.) 

amor põe a nossa alma no céo e o nosso 
corpo no inferno. 

L. de C. 

amor é a loucura do coração. 

L. de C. 

Amor he um fogo que arde sem se ver; 
He ferida que doe e não se sente; 
He um contentamento descontente; 
He dôr que desatina sem doer; 

He um não querer mais que bem querer; 
He solitário andar por entre a gente; 
He um não contentar-se de contente; 
He cuidar que se ganha em se perder; 

He um estar-se preso por vontade; 
He servir a quem vence o vencedor; 
He um ter com quem nos mata lealdade. 



Mas como causar pode a seu favor 
Nos mortaes corações conformidade 
Sendo a si tão contrario o mesmo Amor? 

Camões. 

O amor é como a aragem que murmura 
Da tarde no cair, pela folhagem; 
Não volta o mesmo amor á formusura 
Bem como nunca volta a mesma aragem. 

Gonçalves Dias. 

Por amor que não convém nasce muito mal 
e pouco bem. 

Provérbio. 

Amores de freira, flores de amendoeira, cedo 
vêm e pouco duram. 

Provérbio. 

Quem tem amores não dorme. 

Provérbio. 
Amor e reino não quer parceiro. 

Provérbio. 



Contente vivi já, verulo-me isento 
Deste mal de que a muitos queixar via: 
Chamão-lhe amor; mas eu lhe chamaria 
Discórdia e semrazão, guerra e tormento. 

Camões. 

Amor, amor, principio mau e fim peior. 

Provérbio. 

As sopas e os amores, os primeiros são os 
melhores. 

Provérbio. 
Amor, fogo, e tosse, a seu dono descobre. 

Provérbio. 
amor e a fé nas obras se vé. 

Provérbio. 

amor verdadeiro não soffre cousa em i 
berta. 



Provérbio. 



amor não tem lei. 



28 



DICCIONARIO 



. 



amor a ninguém dá honra e a muitos dá 

Provérbio. 

Amor com amor se paga. 

Provérbio. 

Amor c senhoria não quer companhia. 



As paixões viciosas são sempre um compos- 
to de orgulho e as paixões virtuosas um com- 
posto de amor. 

Chatcaubriand. 

bomem ama pouco e com frequência, a 
mulher muito e raras vezes. 



coração das mulheres é tão naturalmente 
inclinado ao amor que amam mesmo antes de 
conhecerem a quem devem amar. 



amor é um oceano incommensuravel em 
que os espíritos incompletos vêem monotonia e 



em que as almas grandes se enlevam cm per- 
petuas contemplações. 

Balzac. 

amor é como uma arvore que por si mes- 
ma se debruça, lança profundas raizes em todo 
o nosso ser, e continua muitas vezes a viçar 
sobre as ruinas de um coração. 

V. Hugo. 

Nenhuma cousa tem sido mais experimenta- 
da no mundo e mais vezes definida que o amor; 
nenhuma é tão mal e imperfeitamente compre- 
hendida como o amor. 

Fallo do amor dos homens, único de que os 
homens podem fallar; o das mulheres é ainda 
mais incomprchensivel e certamente muito mais 
espantoso, quando verdadeiro. 

A. F. de Castilho. 

Amor é tudo quanto ha bom na terra, 
Tudo que é santo se resume aqui; 
Rebentam lyrios na escarpada serra, 
Florescem piados quando amor sorri. 

E. A. Vidal. 



Ama-se uma mulher, sem o procurar, sem o 
cuidar, sem arbítrio, a despeito dos votos, co- 
mo á rosa, como á lua, como á harmonia, co- 
mo aos sabores dos fructos deliciosos. 

A. F. de Castilho. 



Nasceu amor para encantar os homens, 
Não para ser dos corações tyranno. 
Menino, ama o brincar e quer ser livre. 
Cura o tempo as feridas que elle forma : 
Depois de alto clarão, que cega os olhos, 
Seu facho, pouco e pouco enfraquecendo, 
Vem por fim apagar-se; a Natureza, 
Nada produz que não succumba á morte. 

A. F. de Castilho. 

Amor, dinheiro e cuidado não está dissimu- 
lado. 

Provérbio. 

Amar, que doce que é! Oh! quam ditoso 
Quem sabe e pode amar! Prazeres meigos, 
Graças louçans e risos brincadores 

De entorno lhe esvoaçam, 

A existência lhe doiram. 



ÁLBUM 



Toda lhe ri de gosto a natureza 

Esmalta-se-lhe o prado de boninas 

O bosque se lhe copa de verdura 

Crystaes lhe jorra a fonte 

Perlas lhe verte a aurora. 

Garrett. 

Não existe na terra um peito humano, 
Que amor vencer não possa: 

E' justo galardão, que elle somente 
Formou a essência nossa. 

E' doce instincto amor! soffrem seu jugo. 

As mesmas cruas feras : 
Provam n'elle delicias, e não acham 

As suas leis severas. 

F. E. Leons. 



AMOR PLATÓNICO 

mais raro de todos os amores é o amor 
casto. 

Poincelot.. 

Todas as mulheres amam espíritos que as- 
sistem em corpos novos, c almas que tenham 
olhos bonitos. 

Joubert. 

Quasi todas as mulheres apregoam o amor 
platónico, mas a maioria d'ellas parece-secom 
os avarentos que faliam muito nas despezas 
alheias sem nunca as fazerem. 

Saint Prosper. 

amor platónico é a utopia do coração. 

L. de C. 

Ama quem te ama, responde a quem te cha- 
ma, andarás carreira chã. 

Provérbio. 

amor é a vida da mulher; a que o não sente 
pelo homem, está enamorada de si mesma. 

A. M. de Castilho. 



Pouco ama quem pode fullar no muito amor 
que tem. 



amor é um affecto que só se define quando 
deixa de se sentir. 

A. M. de Castilho. 

amor do poeta é maior que o de nenhum 
homem, porque é immenso como o ideal que 
elle comprehende, eterno como o seu nome que 
nunca perece. 

A. Herculano. 



Não le creias nunca muito amado por uma 
D ulher que se ama a si mesma. 

Pythagoras. 

Quem quizer alcançar os seus fins junto de 
uma mulher deve lisongear o seu amor-proprio: 
napre agradece. 

Mad. de Rieux. 

amor-proprio obriga as mulLeres a mais 
loucuras que o amor. 

Dupuy. 

As mulheres teem tanto amor-proprio que 
quando já nos não amam, sentem-se despeita- 
das ao ver-DOs seguir-lhes o exemplo. 

D'Argens. 

amor-proprio é um balão cheio de vento 
que derrama tempestades quando lhe damos 
uma picada. 



Quando o amor-proprio domina no ciúme, já 
o amor perdeu o seu império. 

Lingrêe. 

que lisongeia mais o amor-proprio de uma 
mulher é ser amada sem que se lh'o diga; 
contanto que o silencio não seja eterno. 

L. Desnoyers. 

As mulheres antes querem que se lhes enxo- 
valhe o vestido que o amor-proprio. 

Commerson. 



ANCIÃO 

Em amor, os loucos velhos são mais loucos 
que os novos. 

La Rochefoucauld. 

amor parece-se com as bexigas, porque 
quanto mais tarde apparece peior é. 

Venit amor gravius, quo serius. 

Bussy Rabutin. 

Um ancião namorado é uma deformidade da 
natureza. 

La Bruyère. 

Pensar em amor quando se é mancebo e bo- 
nito é um peccado venial, mas quando se é 
velho e feio é um peccado mortal. 



que torna o amor dos velhos mais ridículo 
é o desejo que elles teem de o inspirar. 



M. ette de 1'Espinasse. 



ÁLBUM 



Um ancião que mantém amantes parece um 
cego que traz óculos. 

Oxenstiem. 

Aos sessenta annos o amor mostra por tal 
modo o desarranjo do espirito, que devemos 
sempre desconfiar da cabeça de um ancião na- 
morado. 

J. J. Rousseau. 

Amar uma menina quando já se está perto 
dos cincoenta annos é querer sustentar uma pe- 
leja impossível contra dois terriveis inimigos, 
a juventude e o galanteio. 

J. Lecomte. 

Um velho serve tanto ás mulheres como a 
um musico uma rabeca sem cordas. 



Rochebrune. 

Os velhos são sempre ciumentos, parecem-se 
com aquellas creanças gulosas, que por força 
querem guardar até os pasteis que já não po- 
dem comer. 

Ricard. 



Os velhos gostam de dar bons conselhos pa- 
ra se consolarem de já não poderem dar maus 
exemplos. 

Dupuy. 

A natureza deixa aos velhos um amor de fá- 
cil satisfação, o amor do repouso. 



O amor nos velhos é como o sol sobre a ne- 
ve; deslumbra-os não os aquece. 



Os velhos teem mais inveja dos vicios da mo- 
cidade que das suas virtudes. 



Junto ás mulheres os rapazes são ricos en- 
vergonhados, e os velhos pobres atrevidos. 



amor no velho traz culpa mas no mance- 
bo frueto. 

Provérbio. 



Homem velho, sacco de azares. 

Provérbio. 

Velho amador, inverno com flor. 

Provérbio. 



ANNEL 

lia annel í o primeiro tributo que um homem 
sua amante. amor dá ferros a quem 
.-lima. 

Ricanl. 

A espada e o annel segundo a mão em que 
estiver. 

Provérbio. 

Dá-me um annel ; mas que seja 
Como o annel em que cingida 
Tem gemido a minha vida. 
Dá-me um annel ; mas de ferro, 
Negro, bem negro, da côr 
D'esta minha acerba dór, 
D'este meu negro desterro ! 

Dá-me um annel ; mas de ferro... 
Sempre comungo hei de tel-o ; 
Ha de ser o negro 01o, 
Que me prenda á sepultura. 
Quero-o negro... seja o estigma. 
Que decifre o escuro enigma 
D'uma grande desventura. 

Dá-me um annel; mas de ferro, 
Que resista mais que os ossos 
Dum cadáver aos destroços 



Entre ;is cinzas al\aceulas. 
Como espolio das tormentas, 
Appareça o ferro só. 

E o teu nome impresso n'elle, 
Fallará d'um grande amor, 
Nutrido cm anciãs de dôr, 
Pelo fel da sociedade... 
Que teu nome n'elle escripto, 
N'esse padrão infinito, 
Vá eommigo á Eternidade. 

C. Caskllo Branco. 



AMIMES 

No coração de uma mulher que não ame o 
seu amante nem o seu marido, um animal ob- 
tém sempre o primeiro logar. A vida de um 
marido estaria por vezes bem arriscada se fos- 
se mister, para salval-a sacrificar a de um cão, 
de um gato ou de um passarinho. 

Juvenal. 

Pastor se fez um tempo o moço louro. 
Que do sol as carretas move e guia; 
Ouviu o rio Amphriso a lyra d'ouro, 
Que o seu claro inventor alli tangia. 
Io foi vacca, Júpiter foi touro : 
Mansas ovelhas junto d'agua fria. 
Guardou formoso Adónis; e tornado 
Em bezerro Neptuno foi já achado. 

Camões. 

Quem ama a Beltrão ama a seu cão. 

Provérbio. 

— Minha senhora,— dizia a madame de Sa- 
blière um severo e grave magistrado, —sempre, 
sempre amor, não pensa n'outra cousa! 



ÁLBUM 



Os brutos ao menos para o amor teem uma 
estação própria. 

—Por isso são brutos— respondeu madame 
de Sablière. 



anjo que se amou até á loucura torna-se a 
vezes com o tempo um diabo bem detestado. 



Por uma mulber a quem se possa chamar 
anjo, ha mil a quem se deve chamar demo- 



Anjo— encanto, mulher, que és tu na terra 
Quem n'alma te gravou scismar tão triste, 
Tão triste pallidez quem te ha gravado 
No semblante formoso. 

Gonçalves Dias. 

Anjo de luz, porque te despenhaste no in- 
ferno? A historia escrevia o teu nome na pagi- 
na das benções: tu mesmo o riscaste e o foste 
escrever na pagina das maldições. 

A. Herculano. 



Houve tempo em que eu pedia 
Uma mulher ao meu Deus 
Uma mulher que eu amasse, 
Um dos bellos anjos seus. 

Gonçalves Dias. 



DICCI0NAR10 



Aí mulheres sempre são melhores para o an- 
uo que vem. 

Provérbio. 

Aos trinta e seis annos começam as mulhe- 
res a socegar como os cata-ventos que princi- 
piam a enferrujar-se. 

Dancourt. 

Uma velha estouvada dizia um dia para Ri- 
varol— E vós, senhor, quantos annos me dais? 
—Para que lhe havia eu dar alguns, minha 
senhora; respondeu elle, não tendes já bastan- 



Vinte annos de vida são para nós bem aus- 
tera lição. 

Mad. de Stael. 

Uma mulher de quarenta e cinco annos só 
pode ganhar importância pelos seus filhos ou 
seu amante. 

Stendhal. 



Passados os quarenta annos, uma mulher tor- 
-se um engrimanço impenetrável, só uma ve- 
lha pode entender outra velha, 

Balzac. 

Aos dezoito annos adora-se, aos vinte ama- 
se, aos trinta e seis deseja-se, aos quarenta 
medita-se. 

Paulo de Kock. 

Uma rapariga de quinze annos deixa-searaar, 
uma mulher de trinta faz-se amar. 



pôr do sol dura dez minutos no horizonte; 
e dez annos no coração da mulher, os annos 
que vão dos trinta aos quarenta. 



Nimium ne crede colori. Não vos fieis nas ap- 
parencias. 



A apparencia da virtude é mais seduetora 
que as virtudes mesmas, e aquelle que finge 
tel-as tem mais vantagem que aquelle que as 
possue realmente. 

Mad. Riccoboni. 

Tudo è apparencia na mulher menos a bel- 
leza. 

L. de C. 

Não vos fieis em apparencias, nem acrediteis 
levemente em palavras; o tambor faz mui la. 
bulha e não está cheio senão de vento. 

Máxima oriental. 



ÁLBUM 



O ardil existe nas palavras e nas acções de 
toda a mulher namoradeira. 

Vauvenargues. 

O homem adquire argúcia, a mulher com 
ella nasce. 

Dubay. 

O ardil das mulheres augmenta com os ân- 
uos. 

P. du Bosc. 

As mulheres são tão ardilosas que muitas ve- 
zes encontram uma teia de aranha onde os 
homens encontram um muro de ferro. 



A natureza deu a astúcia ás mulheres para 
compensar a força do homem. 



O ardil é legitimo no amor. À's vezes, um 
homem finge ter ciúmes de uma mulher para 
que ella, os não tenha d'elle e por vezes tam- 



hem vai arguil-a de falsidade para melhor oc- 
cultar a própria. 

Walsh. 

Vens debalde, oh bellissima perjura, 
Co lindo ro.«to em lagrimas banhado: 
Já fui por ti mil vezes enganado, 
E sempre me affectaste essa ternura. 

Esse alvo peito que é de neve pura, 
Mas de aço e fino bronze temperado, 
Encobre um coração refalseado, 
Um coração de viva rocha dura. 

Em vão trabalhas, se enganar-me queres, 

Vejo correr com animo sereno 

Esse pranto em que fundas teus poderes : 

Mal inventado ardil ! ardil pequeno ! 

Tu mesma me ensinaste, que as mulheres 

Misturam com as lagrimas veneno. 



ARREPENDIMENTO 

Tal casou de manhã que á tarde está arre- 
pendido. 

Provérbio . 

sábio não se arrepende, emenda-se. povo 
não se emenda, arrepende-se. As mulheres dei- 
tam á penitencia sem se arrepender nem se 
emandar. A penitencia é o ultimo prazer das 
mulheres. 

Lemontey. 

As mulheres chamam arrependimento adoce 
lembrança das suas culpas e á lastima de as não 
poder renovar. 

Bcaumanoir. 

Cuidado, donzellas, entre aboccaeoheijoha 
sempre logar para o arrependimento. 



Uma mulher pódc-se arrepender de ter amado 
pouco, nunca de ter amado muito. 



niCCIONARIO 



As mulheres estimam os valentes, mas ainda 
mais os^ arrojados. 

Lcmcslc. 

Todo o homem que foi arrojado para com 
uma mulher, é criminoso logo que deixa de o 
ser. 

Revcroni. 

arrojo de um amante agrada tanto às mu- 
lheres como o arrojo dos seus soldados agrada 
a um general. 

L. de C. 

Quem se não aventurou não perdeu nem ga- 
nhou. 

Provérbio. 



Não será possível descobrir-mos a arte de 
sermos amados pelas nossas mulheres? 

La Bruyère. 

Nas mulheres o amor é como a arte, quanto 
mais se deixa ver, menos vale. 

Bruis. 

As mulheres são naturalmente artistas. Como 
o artista tudo quanto brilha as embriaga, como 
elle também o mundo real aborrece-as. Mas 
ellas teem mais que o artista uma grande vir- 
tude; elle, no enthusiasmo, na gloria, no amor, 
vê só a si, ella mesmo na gloria vê só o amor, 
quero dizer, outro ente. 

Legouvc. 



ASNEIRA 

Os homens nunca acham tola uma mulher 
bonita. Seria necessário para que elles vissem 
uma asneira sair de uma bocca linda, que es- 
sa asneira fosse do tamanho de uma casa. 



Stahl. 



—Sois linda. 

—Ora. 

—Sois bella. 

— Deixe-se d'isso. 

— Sois um anjo. 

—Lisonja. 

— Amo-vos. 

—Não diga asneiras. 



ÁLBUM 



ASSIDUIDADE 

A assiduidade agrada ás mulheres, o desleixo, 
prcnde-as. 

Desnoyers. 

amor desagrada ás vezes quando mais 
trata de agradar; a demasiada assiduidade tor- 
na-se aborrecida. As mulheres gostam de po- 
derem dispor de um olhar para outro homem, 
e, como o sol, desejam alumiar a todos. 

Mad. de Sartory. 

A assiduidade de alguns homens parece-se 
com o fio d'agua que fura a pedra mais dura. 



Alcança quem não cança. 



L. de C. 



ATAVIO 

luxo é o que mais alegra as raparigas. 

Molière. 

As mulheres vestem-se mais por ataviarem- 
se que por se vestir. A sós com um espelho lem- 
bram-se mais dos homens que de si mesmas. 

Marivaux. 

Os atavios de uma mulher velha e feia mos- 
tram mais que tudo as extravagâncias da lou- 
cura. 

Jl/. ell ° de Sommery. 

Ha mulheres que necessitam de atavios; pa- 
recem-se com certas carnes que precisam gran- 
des temperos para excitar o appetite. 

Rochebrune. 

Em um rio de diamantes tem-se affogado a 
honra de muitas mulheres. 

Houdetot. 

A moço ataviado, mulher ao lado. 

Provérbio. 



Foi ao Manique um homem aceusado 
Por contrabandos ter; ellc sciente 
Chama a quadrilha, corre diligente, 
Entra, busca, e não acha o malsinado. 

Acha a mulher que tinha por toucado 
A torre de Belém: elia que o sente, 
Banhada em pranto, desmaiada a frente, 
Prostra por terra o corpo delicado. 

Co boléo se esbandalha a mata espessa 
Saem d'ella esguiões, cassas lavradas 
E de belbute trinta e uma peça, 

Fivelas, espadins, rendas bordadas 
Até tinha escondido na cabeça 
O marido, e trez arcas encoiradas. 



DICCIONARIO 



ATREVIMENTO 

Quando, nas mulheres, o descaramento se 
ajunta á fealdade, torna-se mais sensível e re- 
pugnante; e seguramente haveria mais prazer 
cm encher uma cara feia c atrevida de bofetões 
que de beijos. 

J. J. Rousseau. 

Será por causa do mortal enojo que o pudor 
impõe ás mulheres que algumas só apreciam o 
atrevimento dos homens? ou julgam ellas que 
tísc atrevimento é firmeza de caracter? 



atrevimento do homem tem desculpa, o da 
mulher não tem perdão. 

L. de C. 

Nunca em amor damnou o atrevimento, 
Favorece a Fortuna a ousadia, 
Porque sempre a encolhida covardia 
De pedra serve ao livre pensamento. 

Camões. 



ATTENÇftO 

primeiro erro dos casados é a falta de at- 
tenções. 

Macl. de Puisicuz. 

Um homem de bem deve sempre ter as mes- 
mas attenções para a sua mulher que teve para 
a sua noiva. 

Dupuy. 

As attenções lisongeam as mulheres até mes- 
mo vindas do ente o mais insignificante. 



Onde a mulher domina e governa, raras ve- 
zes mora a paz. 

Provérbio. 

A auetoridade é o fim a que aspiram todas 
as mulheres. 

Desmahis. 

Não ha paz aonde canta a gallinha e calla 
o gallo. 

Provérbio. 

A mulher que não 6 dominada, domina : o 
homem ganha ficando senhor da sua casa, a 
ridiculez a menos paz a mais. 

P. Limayrac. 

A dominação da mulher é essência de ty- 
rannia. 

L. deC. 



ÁLBUM 



AUSÊNCIA 

A ausência diminue as paixões medíocres e 
augmenta as grandes assim como o vento apaga 
as luzes e acccnde o fogo. 

La Rochefoucauld. 

A ausência é a época da inconstância do co- 
ração, para algumas pessoas o dia da partida é 
o fim da amizade. 

Mad . de Rieux. 

A ausência augmenta sempre o amor que 
não está satisfeito e a philosophia não o pôde 
diminuir. 

Voltaire. 

As pequenas ausências dão vida ao amor e 
as grandes causam-lhe a morte. 



amante que se não vê, depressa é esque- i 
eido. 

Ovidio. 



— Voltai,— escrevia uma senhora, pouco de- 
vota, ao seu amante— se me tivesse sido possí- 
vel amar um ausente, teria amado a Deus. 



A ausência é a pedra de toque do amor. 

L. de C. 
Longe da vista, longe do coração. 

Provérbio. 



A morte, que da vida o nó desata, 
Os nós, que dá o Amor, cortar quizera, 
Co a ausência, que é sobre elle espada fera 
E co'o tempo, que tudo desbarata. 

Camões. 

Sinto afflição quando choras, 
Se te ris sinto prazer; 
Se te ausentas, fico triste 
Que eu preferira morrer. 



Farei que Amor a todos avivente, 
Pintando mil segredos delicados, 
Brandas iras, suspiros magoado*, 
Temerosa ousadia, e pena, ausente. 



10 



DICCIONARIO 



AVAREZA 

O amor érea mais pródigos que avarentos. 

JV. clle de Scudery. 
O amor do dinheiro mata qualquer amor. 
L. de C, 



AVERSÃO 

A aversão de uma mulher para seu marido 
é quasi sempre o reflexo de uma paixão por 
um amaute. 

Latina. 



Quando o amor vôa com quatro azas, adian- 
ta muito era pouco tempo. 



Se não fossem as azas do amor, não nos se- 
ria possível alcançar o céo. 



ÁLBUM 



B 



Em noite de baile, a nossa amante já nos não 
pertence. Quando começam os atavios, o homem 
torna-se marido, e o baile amante. 

X. de Maistre. 

Fum baile os homens tornam-se o sexo fra- 
co, o sexo timido e decente; porque são elles 
que se cançam primeiro. 

Alphonse Karr. 

Uma mãe n'um baile é um tabellião disfar- 
çado. 

L. Gozlan. 

As mulheres gostam dos bailes e dos thea- 
tros, como os caçadores dos sitios em que se 
encontra bastante caça. 

Latem. 

Foi n'um baile, os prelúdios da orchestra 
Já frementes vagavam nas salas, 
O murmúrio dos risos, das falias, 
Começava a crescer mais e maisj 



As grinaldas de vividas flores 
Despargiam seus doces perfumes, 
Reflectia-se o brilho dos lumes 
Nos espelhos, nos raros crystaes. 
Oh! que noite de enlevo e poesia, 
Que transportes, que immenso 
Cada olhar ressumbrava alegria, 
Cada gesto fallava de amor ! 



O QUE É UM BAILE 

O que é um baile ? é um prado 
Onde avultam poucas flores, 
E essas poucas tem espinhos, 
E esses espinhos são dores. 

O que é um baile ? é um riso 
Precursor de amargo pranto ; 
É illusão, que nos mente 
Pelo prisma d'um encanto. 

Esse encanto é sonho, e estrella; 
Mas é sonho improvisado; 
Mas é estrella que só brilha 
D'um fulgor imaginado. 



E, por tanto, amigo Augusto, 
Não te deixes fascinar.... 
Cautella !... astros são fogo, 
E o fogo podo abrazar! 



C. Castello Bramo. 



DICCIONARIO 



BANHO 

l/m pintor foi encarregado de fazer uma ta- 
boleta para uni estabelecimento de banhos, e 
rei a seguinte:— Banhos a quatro vinténs para 
as seuhoras com fuudo de madeira — Não ten- 
do o dono do estabelecimento gostado muito 
daquella taboleta, fez o pintor outra em que 
dizia — Banhos com fundo de madeira para as 
senhoras a quatro vinténs — . 

Foi Maria ao banho, teve que contar todo o 
anno. 

Provérbio. 

Outros por outra parte vão topar 
Com as deusas despidas, que se la vão: 
Elias começão súbito a gritar, 
Como que assalto tal não esperavão. 
Hunias fingindo menos estimar 
A vergonha que a força, se lançavão 
Nuas por entre o mato, aos olhos dando 
O que as mãos cubiçosas Yão negando. 

Camões. 



Deus, na sua divina providencia, não deu 
barba ás mulheres, porque não se teriam podi- 
do callar em quanto lha fizessem. 



As mulheres que teem bigodes, riem a prin- 
cipio d'esse defeito, mas depois choram. 

Slahl. 

Barba com dinheiro, honra ao cavalleiro. 

Provérbio. 



BEIJO 

Um ratão ao sair de um theatro mandara a 
uma actriz de quem tinha gostado, um bilhete 
com estas palavras : 

—Dez libras por cinco beijos. 

A actriz não querendo ficar atraz com simi- 
lhante laconismo, respondeu : 

— Tudo dobrado ou nada. 

Ricard. 

—Atrevido— gritou um dia uma menina para 
um maganão que lhe roubara um beijo. 

—Não se amofine, respondeu elle— se o beijo 
que lhe dei a incommoda, dóm'o cá outra 



Desejaria, dizia Byron, que todas as mulhe- 
res tivessem uma só bocca para dar a um tempo 
um beijo n'ellas todas. 



A pensar em ti não durmo 
Não sei que cuidado é este ! 
Será causa d'isto tudo 
O beijo que tu me deste? 



\:\ 



O beijo que tu me deste 
A qual de nós deu mais gosto? 
A mim faz-me andar scismando 
A ti a côr sobe ao rosto! 

Theophilo Braga. 

Assim, beijar-te receio, 

Contra o seio 
Eu tremo de te apertar, 
Pois me parece que um beijo 

É sobejo 
Para o teu corpo quebrar. 

Gonçalves Dias. 

A lympha que suspira não exprime o som 
mavioso d'um faminto beijo. 



Theophilo Braga. 



Ditosa, contente, 
Risonha, sem pena, 
Sentava-se Helena 
No monte d'além, 
Fui pôr-me ao seu lado, 
Protestos fizemos 
E os beijos que dêmos 
Andaram por cem. 



BELLEZfl 

A belleza é um bem para os outros. 
Bion. 

que éa belleza, perguntavam um dia ao 
philosopho Aristóteles. 

—Essas perguntas só as fazem os cegos — 
respondeu ellc. 



A belleza é uma carta de recommendação cujo 
credito dura pouco. 

Ninon de Lenclos. 

Aquella cuja belleza é superior a das outras 
mulheres é olhada por todos de uma maneira 
differente. As mulheres bonitas olham para ella 
com inveja, as feias com despeito, os velhos 
com saudades, os moços com admiração. 
D'Argens. 

A belleza só começa quando o coração pode 
amar. 

La Bruyèrc. 

Deve-se julgar a belleza de uma mulher, não 
pelas suas feições, mas sim pela impressão que 
ella produz. 

Mad. de Lambert. 



Aquelle que ama uma mulher por causa da 
sua belleza, não ama verdadeiramente, porque 
as bexigas tirando-lhe a belleza tiram também 
o amor do coração d'esse homem. 

Contemnunt spinam cum cecidere rosae. 

Pascal. 

A belleza é o primeiro presente que a natu- 
reza dá ás mulheres, e o primeiro também que 



Uma mulher bonita é o paraizo dos olhos, 
o inferno das almas e o purgatório da algibeira. 



Uma mulher bonita deve temer tanto de uma 
feia como um homem intclligente de um estú- 
pido. 

Pope. 

Quem tem mulher bonita, castello na fronteira 
e videiral na estrada, nunca verá o fim da guerra. 



A belleza é uma armadilha que a natureza 
offerece á razão. 

Lê vis. 



DICCIONAÍUO 



Se lia fructa que se possa comer crua, é a 
telleza. 

A. Karr. 

Uma mulher sem belleza conhece só a metade 
ca vida. 

Mad. de Montarem. 

As mulheres satisfeitas da sua belleza entre- 
i.am-sc ao prazer com mais abandono que as 
outras. 

Joubcrl. 

A belleza pôde inspirar desejos, mas nem sem- 
pre inspira amor. 

L. de C. 
Deu ao toiro a natureza 
duras pontas por defeza, 
ao corcel a pata bruta, 
pe valente á lebre hirsuta, 
ao leão presas tyrannas. 
Deu ao peixe as barbatanas, 
voo ao pássaro; ao varão 
deu emfim, deu a razão. 

Á mulher a natureza 

ja não tinha mais que dar 

tinha apenas a belleza, 

só com isso a pôde armar. 

Quem por lança e por escudo 

tem belleza, que muis quer í 1 



os encantos da mulher. 

A. F. de Caslilho. 

Os crespos fios d'ouro se espargião 
Pelo co!Io, que a neve escurecia; 
Andando, as lácteas tetas lhe tremião 
Com quem amor brincava, e não se via : 
Da alva petrina flammas lhe sahião, 
Onde o menino as almas accendia; 
Pelas lisas columnas lhe trepavão 
Desejos, que como hera se enrolavão. 

Cluun delgado cendal as partes cobre 
De quem vergonha lie natural reparo; 
Porém nem tudo esconde, nem descobre 
O véo, dos rouxos lírios pouco avaro : 
Mas para que o desejo accenda e dobre; 
Lhe põe diante aquelle objecto raro. 
Ja se sentem no céo, por toda a parte 
Ciúmes em Vulcano, amor em Marte. 

Camões. 

A belleza é um Lem do céo. 

Anacrcontc. 



A belleza é uma lyrannia que dura pouco. 

Sócrates. 

A belleza é um bello mal. 

Théocrito 

A belleza ê uma rainha sem guardas. 

Cameadas. 

Oh Belleza ! oh potencia invencível, 
Que na terra despótica imperas, 

Si vibras teus olhos 

Quaes duas espheras, 
Quem resiste a seu fogo terrível? 

D. J. G. de Magalhães. 

Formosura de mulher não faz rico ser. 

Provérbio. 

Em madrugada gentil 

Surgiste; 
Ao primeiro sol de Abril 

Sorriste. 



Da primavera entre as flores 

Viveste 
A luz do ceu por amores 

Tiveste. 

Quando o orvalbo matutino 

Passava, 
Mel em teu cálix divino 

Deixava. 

Porém o sol do verão 

Crestou-te 
Do outono o furacão 

Murchou-te!.... 

Assim é toda a belleza, 

Fugidia 
Capricho da natureza 

Flor d'um dia. 



mais precioso bem para uma mulher 6 o 
amor do seu marido. 

Stobée. 

De todos os bens, aquelles que devemos gas- 
tar com mais economia são os do amor. 

Ninon de Lendos. 

Se o amor é um sentimento divino, tudo 
quauto o possa prolongar e firmar é um bem. 

/. /. Rousseau. 

Nunca se poderá aconselhar bastante ás mu- 
lheres que digam bem das outras e que façam 
com que o digam d'ellas. 

Ségur. 

melhor dos bens é o amor. 

C. Pougens. 



Depressa nos cançamos de uma mulher bo- 
nita, nunca de uma que tenha bondade. Nihil 
o Cyrene, suavius uxore bona! 



Quando uma mulher chama a outra boa, é 
porque essa outra tem a bondade de não ser 
bonita. 

Marivaux. 

A bondade é uma virtude, mas nunca é por 
virtude que uma mulher tem bondade paru 
com um homem. 

Jouy. 

A bondade é a força do homem e a fraque- 
za da mulher. 

A. M. de Castilho. 



CABEÇA 

Pittaco costumava dizer que todos teem seu 
defeito, e que o delle era a cabeça de sua mu- 
lher. 

Bicard. 

Por muito boa que seja a cabeça nada pôde 
contra o coração. 

J/. ellc de Scudèri. 

amor é a paixão das almas grandes, e faz- 
lhes merecer a gloria quando não lhes vira e 
cabeça. 

Mad. de Pompadour. 

Um marido queixava-se a Rivarol de não ser 
feliz : 

— A minha mulher, dizia elle, é má, acinto- 
sa e mesmo quer-me parecer que... 

—Que quereis, meu caro, interrompeu o es- 
cri ptor; uma cabeça como deve ser, contenta- 
se com qualquer travesseiro. 

Ricard. 



Dois homens que tratam de partir a cabeça 
um ao outro, por causa de uma namoradeira, 
mostram de sobejo que já a perderam. 

Ricard. 

Ha alguma analogia entre o coração do aman- 
te e a cabeça do marido; um enfeita a mulher, 
a outra [è enfeitada por cila. 

L. de C. 



Não ha maior cadeia para ligar uma multan- 
do que o saber-se amada. 

Mad. de MolteviUe. 

Em amor, entregar-se a cadeias fortes è ar- 
ranjar grandes pezares para quando ellas se rom- 
perem. 

Prcvost. 

Vejo-te a face mimosa 
Porque a tanto amor se atreve, 
Vejo sorrir d'entre a neve 
Uma rosa, e outra rosa ; 
Vejo-te a mão preciosa, 
Que tem dos jasmins a côr ; 
Vejo-te o rosto inda em flor, 
Que é iman do meu desejo, 
E adoro, idolatro, beijo 
«Os duros grilhões de amor.» 

Bocage. 



ÁLBUM 



O amor gosta de solidão, c só no campo 6 
{jue um amante verdadeiro pôde ser feliz. 



Que alegre campo e praia deleitosa ! 

Quão saudosa faz esta espessura 

A formosura angélica e serena 

Da tarde amena ! Quão saudosamente 

A sesta ardente abranda, suspirando, 

De quando em quando o vento alegre e frio! 

No fundo rio os mudos peixes saltão ; 

Os céos se esmaltão todos d'ouro e verde, 

E Phebo perde a força da quentura. 

Por a espessura levão, passeiando, 

O gado brando ao som das canfoninas, 

Pizando as finas e formosas flores, 

Os guardadores, que cantando o gesto 

Formoso e honesto das pastoras qu'amão 

Por o ar derramam mil suspiros vãos. 

Camões. 

Campo 1 nas syrtes d'este mar da vida, 
Apoz naufrágios sem taboa segura; 
Claras bonanças em tormenta escura, 
Habitação da paz, de amor guarida ; 



A ti fujo : e se vence tal fugida, 
E quem mudou lugar, mudou ventura, 
Cantemos a victoria ; e na espessura 
Triumphe a honra da ambição vencida. 

Em flor c frueto de verão e outono ; 
Utilmente murmurão claras agoas ; 
Alegre me acha aqui, me deixa o dia. 

Amantes rouxinoes rompem-mc o sono 
Que ata o descanço; aqursepulto magoas 
Que já foram sepulcros de alegria. 

Camões. 

Que belleza não reflectem 
Os ares, a terra, o mar ! 
Mas que silencio que guardai:) 
Tão próprio para chorar ! 

J. J. Junqueira Freire. 



Junto de ti contemplo a graça, o encanto 

De tanta ingenuidade que fulgura 

No leve riso de infantil candura, 

No arfar do seio que te esconde o manto. 

Theophilo Braga. 



Scisma a virgem mansamente 
Em pensamentos do céo, 

Mais cândida que as rolinhas 
Mais cândida que seu véo. 

J. J. Junqueira Freire 

Não moram em palácios estucados 
Almas singelas, almas extremosas : 
Nutrem da corte as damas enganosas 
Em tenros peitos corações dobrados. 

Venham por longos mares conquistados 
As indianas sedas preciosas 
Cubram-lhe as carnes alvas e mimosas 
Ricos vestidos em Paris bordados. 



São isto effeitos da arte e da ventura; 
Estimo mais que Ioda a vã grandeza 
l*in limpo corarão, uma alma pura. 

Náo na corte : das serras na aspereza. 
Fui adiar innoceneia e formosura, 
- Jons da simples natureza. 



Silencio grato da noite 
Quebram sons d'uma canção, 
Que vae dos lábios d'um anjo 
Do qne escuta ao coração. 



Eu cantei já, e agora vou chorando 
O tempo que cantei tão confiado : 
Parece que no canto já passado 
Se estavam minhas lagrimas creando 

Camões. 



Pelo campo cantando vai contente 
O lavrador seguindo o curvo arado 
E canta na prisão o desgraçado 
Ao triste som de uma áspera corrente. 



Canta o caminhante ledo 
No caminho trabalhoso 
Por entre o espesso arvoredo ; 
E de noite, o temeroso 
Cantando refreia o medo. 
("anta o preso docemente, 
Os duros grilhões tocando, 
Canta o segador contente ; 
E o trabalhador, cantando 
O trabalho menos sente. 



D. dos Reis Quita. 



ÁLBUM 



CARIDADE 

O amigo dá quanto tem de sobejo, a mulher 
da mesmo quando lhe faz falta. 

As mulheres teem o génio da caridade. Um 
homem que dá, dá só o seu dinheiro, a mu- 
lher dá o seu dinheiro e o seu coração. Umluiz, 
nas mãos de uma mulher boa soccorre mais 
pobres que vinte nas mãos de um homem: a 
caridade feminina renova todos os dias o mi- 
lagre da multiplicação dos pães. 



E. 



A verdadeira lei do progresso moral é a ca- 
ridade ; sem o seu impulso é impossível a per- 
fectibilidade humana; e quantos esforços em- 
pregue o homem por attingil-a, n'um alvo ex- 
cêntrico ao Amor de Deus e do próximo, serão 
3 improfícuos. 



C. Castello Branco. 



CARINHOS 

As mulheres quasi todas teem mais inclina- 
ção para os carinhos que os homens. 

Fontenelle. 

Os carinhos crescem com a compaixão. 

Mad. Dafrenoy. 



CARNAVAL 

Os homens que fazem a corte a uma mulher 
mascarada, parecem gulosos que se apromptam 
a comer um fricassé sem saber se é de gato ou 
lebre. 

Commerson. 

Um americano recem-chegado a Paris em 
tempo de carnaval, perguntou a um soldado que 
estava á porta de um baile de mascaras, qual 
o motivo porque as mulheres cobriam o rosto 
com um pedaço de velludo preto. 

— É para melhor poderem mostrar outra 
coisa, respondeu o folgazão camarada. 

Ricard. 

Durante todo o anno as mulheres fazem en- 
louquecer os homens, durante o carnaval os ho- 
mens é que fazem enlouquecer as mulheres. 

L. de C. 



DICCIONARIO 



(mando se escreve a quem se ama, já não 
são cartas, são trovas cTamor. 

/. J. Rousseau. 

Por muito extensa que seja uma carta de mu- 
lher, nunca o pensamento mais querido appa- 
rece senão no fiai-. 

Bcrnardin de Sainl Picrre. 

Um sugeito ameaçou a amante de publicar- 
lbe as cartas. 

—Podeis fazel-o, disse, ella, não teem ellas 
nada que me envergonhe a não ser a direcção. 

Ricard. 

Deitar areia sobre uma carta é ás vezes ati- 
rar a terra do esquecimento sobre sentimentos 
nascidos mortos. 

Petit Senn. 

As cartas de amor sempre são compromette- 
doras, cedo ou tarde o acaso pôde desencami- 
nhar alguma. 

Diderot. 



Para escrever bem uma carta de amor, de- 
vemos começal-a sem sabermos o que ha de 
dizer-se, c concluil-a ignorando já o que 
disse. 

Raisso?i. 



Só é mulher casta aquella que não teme 
sel-o. 

Ovidio. 

Nem sempre as mulheres são castas por cas- 
tidade. 

La Rochefoucauld. 

As mulheres- ricas e as mulheres pobres que 
não teem virtude, guerreiam a castidade por 
diversos modos. As ricas compram-na, as po- 
bres vendem-na. 

P. du Bosc. 

Por muito castas que sejam as mulheres na 
apparencia, parecem-se quasi todas com aquel- 
la fonte de Ammon, cujas aguas corriam frias 
de dia e ferventes de noite. 



A castidade é a fonte da belleza physica e 
moral nos dois sexos. mancebo puro faz o 
homem sábio e valente. 

Bemardin de Saint Pierre 



ÁLBUM 



nj 



Já que conhecemos a verdade da pintura que 
mostra o Amor com um facho na mão, não de- 
víamos collocar a castidade sobre um barril 
de pólvora. 

Levis. 

Obra de modo que não comprometias o teu 
socego, a tua reputação nem a de outra pes- 



CASAMENTO 

Para que um casamento fosse feliz, seria ne- 
cessário que o marido fosse surdo e a mulher 
cega. 

D. Affanso d' Aragão. 

O casamento de dois amantes apaixonados é 
um contrato feito no momento da febre. 



Aquelles que mais se amavão antes de ca- 
sar são aquelles que ás vezes se amam menos 



b sempre perigoso casarmos por amor com 
aquella a quem o não podemos inspirar. 



Mad. d'Arconville. 



O nó do casamento é ; 
que fere profundamente ; 



vezes tão apertado 
uelles que une. 



Varenne. 
Ha casamentos bons, mas nenhuns deliciosos. 
La Rochefoucauld. 



Nos casamentos infelizes as mulheres são me- 
nos culpadas do que os homens, porque estive- 
ram menos habilitadas para escolher. 

Mad. de Ricux. 

Ha raros casamentos em que ao receber-se 
o sacramento do casamento não se receba ao 
mesmo tempo o da penitencia. 

Dupuy. 

O casamento é ás vezes uma asneira feita 
por dois, e um castigo para três. 

Shakspeare. 

casamento só dá pezares áquelle que não 
tem já gosto para os prazeres da ínnocencia. 

Moníesquieu. 

O casamento é de todas as coisas sérias a 
mais caricata. 

Beaumarchais. 

— Cazareis? 

—Não. 

—Porque? 



DICCIONARIO 



— Porque andaria pezaroso. 

— E porque andareis pezaroso? 

— Porque teria ciúmes. 
— Porque teríeis ciúmes? 

— Porque seria enganado. 

— Porque serieis euganado? 
— Porque o teria merecido. 

— E porque o teríeis merecido? 
—Por me ter casado. 

Champfort. 

As solteiras desesperam-se por não serem ca- 
sulas, e os maridos por sel-o. 



casamento communica ás mulheres os ví- 
cios do homem, e nunca as suas virtudes. 



Aconselhavam a um patusco que casasse com 
a sr. a D. E.— Nada, dizia elle, physicamente el~ 
la é feia, e moralmente... não tem vintém. 



casamento muitas vezes não passa de uma 
troca de murmúrios durante o dia e de roncos 
durante a noite. 

Commerson. 

amor antes do casamento parece um pre- 
facio curto a um livro comprido. 

Petit Scnn. 

casamento é coisa tão má que se deveria 
estudar o meio de continuar o mundo sem mu- 
lheres. 

Sarrazin. 

— Se tu casares, dizia um pae a sua filha, 
farás bem, e se não casares, farás ainda me- 
lhor. 

— Sendo certo o que diz, respondeu a filha, 
procure-me depressa um marido, contentar-me- 
hei com o bem deixando a outras o melhor. 

A. M. de Castilho. 

Quem ama a mulher casada traz a vida em- 
prestada. 

Provérbio. 



Quem casa por amores, maus dias peiores 
noites. 

Provérbio. 

Antes que cases, olha o que fazes; que não 
é nó que desates. 

Provérbio. 

Cada um canta como tem graça e casa como 
tem ventura. 

Provérbio. 

Quem casa com mulher rica e feia tem ruim 
cama e boa mesa. 



Aquella é bem casada que não tem sogra 
nem cunhada. 

Provérbio. 

Casar, casar, soa bem e sabe mal. 

Provérbio. 



CEGUEIRA 

O amor faz cegos aquellcs que teem mais 
penetração. 

Mad. de Rieux. 

amante tolhido e o marido farto são egual- 
mente cegos; um não sabe ver, o outro não 
olha. 



CEGUEIRA DE AMOR 

Fiei-me nas promessas que affectavas, 
Nas lagrimas fingidas que vertias, 
Nas ternas expressões que me fazias, 
N'essas mãos com que as minhas apertavas. 

Talvez, cruel, que quando as animavas, 
Que eram d'outrem na ideia fingirias, 
E que os olhos banhados mostrarias 
De pranto, que por outrem derramavas. 

Mas eu sou tal, ingrata, que inda vendo 
Os meus tristes amores mal seguros, 
De amar-te, nunca, nunca me arrependo. 



Ainda adoro os olbos teus perjuros, 
Ainda amo a quem me mata, ainda accendo 
Em aras falsas holocaustos puros. 



Os celibatários são os caçadores furtivos do 
casamento. 

Greuze. 

Estender e favorecer o celibato é esquecer 
que todo o homem que não casa entrega uma 
menina á corrupção. 

Bernardim de Saint Pierre. 

casamento e o celibato, ambos teem incon- 
venientes; devemos escolher aquelle cujos in- 
convenientes teem cura. 

Champfort. 

Um celibatário é um ente a quem falta al- 
guma coisa; parece-se com a metade de uma 
tesoira que sem a outra metade nada vale. 

Franklin. 

celibato do homem rico oceulta quasi sem- 
pre uma vergonha mysteriosa ou vicios infa- 
mes. 

Ricard. 



DICCIONARIO 



O homem sem mulher nem filhos poderia es- 
tudar mil annos o mystcrio da familia que 
nunca o poderia conhecer. 

Micheleti 

Havia uma festa na Grécia antiga, durante a 
qual as mulheres tinham direito de arrastar 
pelo templo os celibatários e de lhes dar pan- 
cadaria de deitar abaixo. 



CHARACTER 

A maioria das mulheres não teem caracter, 
são ternas de mais para poderem conservar 
uma impressão duradoira; o ellas serem loi- 
ras ou trigueiras é o que as faz melhor distin- 
guir umas das outras. 



casamento é a pedra de toque dos cara- 
cteres, o que se julgava ser oiro é muitas ve- 
zes cobre. 

Dupvy. 

Não ha coisa que defina melhor o caracter 
de um homem ou de uma nação que a ma- 
neira por que as mulheres são por elles tra- 
tados. 

Herder. 

Nos amores da terra, afadiga-se o homem 
por ataviar-se de todos aquelles dotes que de- 
vem fazel-o querido aos olhos de quem mais 
deseja sel-o. Tortura-se o espirito em adivi- 
nhar-lhe os desejos ; sacrificam-se os próprios 
por lisonjear os alheios, e, á custa de penosas 
decepções e difficeis constrangimentos, procu- 



ramos fortalecer os vínculos do amor pela si- 
milhança dos génios, que è verdadeiramente o 
ponto de contacto que estabelece as sympathias 
humanas. 

Castello Branco. 



ÁLBUM 



55 



CIRCUIY1STANCIA 

A virtude depende muitas vezes das circums- 
tancias. 

Mad. de Rieux. 

No amor, o principio e o fim dependem das 
circumstancias. 

L. de C. 



I CtURlE 

De todas as moléstias, o ciúme 6 aquella que 
se alimenta com mais coisas e que se cura com 
menos. 

Montaigne. 
r 
O ciúme grosseiro é a desconfiança dos ou- 
tros, o ciúme delicado é a desconfiança de si 
mesmo. 

M. m de UEspinasse 

Só as pessoas que evitam causar ciúmes é que 
merecem que os tenham por elles. 

La Rochefoucauld. 

Ha no ciúme mais amor próprio do que amor. 

Idem. 

As mulheres detestam o ciumento que não é 
amado, mas teriam pena que aquelle que ellas 
amam não o fosse. 

Ninon de Lenclos. 

As mulheres não podem soffrer os ciúmes de 
um marido e soffrem os de um amante sem custo. 



ciúme nasce com o amor mas nem sempre 
com elle morre. 

La Rochefoucauld. 

Um homem cioso sempre acha mais do que 
procura. 

il/. ellfl de Scuderi. 

ciúme é o maior dos males, e o que menos 
compaixão faz a quem o causa. 

La Rochefoucauld. 

cioso passa a vida á procura de um se- 
gredo cuja descoberta causa a sua infelicidade. 

Oxenstiern. 

amor dos ciosos parece ódio. 

Molière. 

Ha varias espécies de ciúme; o mais raro é 
o do coração. 

Levis. 

Os ciosos merecem indulgência por isso que 
ainda soffrem mais do que fazem soffrer. 



DICCIONARIO 



Oh ! mio poder-te 

ior — cruel ciúme, 
Tua funda raiz e a imagem delia 
No peito em sangue espedaçar raivo; 



Gonçalves Dias. 



Alma namorada, de pouco é assombrada. 



O monstro horrendo... Qual ? treme ; o ciúme ! 
Vês-lhe o peito? olha... um cancro ascoso roe-lh'o. 
Chega-lhe ao coração, eiva-lhe o sangue, 

Empeçonha-lhe a vida 

Nega-lhe o bem da morte. 

Garrelt. 



Ciúmes mal fundados e mal pedidos, mais 
parecem buscados que temidos. 



Morre a luz, abafa os ares 
Horrendo, espesso negrume, 
Apenas surge do Averno 
A negra fúria Ciúme. 
Sobre um sólio côr da noite 
Jaz dos infernos o nume, 
E a seus pés tragando brazas 
A negra fúria Ciúme. 
Crespas viboras pentêa 
Dos olhos dardeja lume 
Respira veneno e peste 
A negra fúria ciúme. 
Arrancando á Morte a fouce 
De buido, hervado gume, 
Vem retalhar corações 
A negra fúria Ciúme. 
Ao cruel sócio do Amor 
Escapar ninguém presume 
Porque a tudo as garras lança. 
A negra fúria Ciúme. 
Todos os males do inferno 
Em si guarda, em si resume 
O mais horrível dos monstros 
A negra fúria Ciúme. 
Amor inda é mais suave 
Que das rosas o perfume, 
Mas envenena-lhe as graças 
A negra fúria Ciúme. 
Nas azas do amor voamos 
Do prazer ao áureo cume 



Porém de lá nos arroja 

A negra fúria Ciúme. 

Do férreo cálix da morte 

Prova o funesto azedume 

Aquelle a quem ferve n'alma 

A negra fúria Ciúme. 

Do escuro seio dos fados 

Saltam males em cordume : 

O peor é o que eu soffro, 

A negra fúria Ciúme. 

Dos immutaveis destinos 

Se lê no edoso volume 

Quantos estragos tem feito 

A negra fúria Ciúme. 

Amor inda brilha menos 

Do que subtil vagalume 

Por entre as sombras que espalham 

A negra fúria Ciume. 



ÁLBUM 



COCHEIRO 

A memoria dos cocheiros é implacável; se ten- 
des relações com uma mulher casada, não vades 
de carruagem até á casa d'ella. 

Villcmol. 



Em amor, sempre a cólera é mentirosa. 

Publio Srjro. 

A cólera de uma mulher é o peior mal com 
que se pode ameaçar um inimigo. 

Chillon. 

As cóleras dos amantes são como trovoadas 
de verão que tornam os campos mais verdes e 
mais aprazíveis. 

Mad. Necker. 

As mulheres são mais inclinadas á cólera do 
que os homens. As almas mais fracas são as 
mais sujeitas á cólera; cedem-lhe em propor- 
ção da sua fraqueza. 

Plutarco. 

Não te alteres por bagatellas, ou por acci- 
dentes ordinários e inevitáveis. 



Em amor a mulher é vencida logo que com- 
bate; o coração cede desde que tenta defen- 
der-se. 

género humano está dividido em duas fac 
ções; os homens sustentam a guerra offensiva, 
as mulheres a guerra defensiva. amor exalta 
os dois partidos; embravece-se a peleja; Cupi- 
do atira-se ao meio da refrega, agitando o seu 
facho; mas contrariamente ás outras batalhas, 
esta, em vez de destruir os combatentes mul- 
tiplica-os. 

S. Marechal. 



DICCIONARIO 



COMEÇO 

'juamlo se começa a amar, começa-se a vi- 
ver. 

M.** e de Scudcri. 

No amor, toda a importância está no come- 
). O mundo bem sabe que aquclle que dá um 
lará mais alguns; o que devemos tra- 
tar de que o primeiro seja acertado. 

Fontenelle. 

>o os começos do amor são encantadores; 
por isso não me admiro que haja prazer em 
começar muitas vezes. 

O Príncipe de Ligne. 

amor começa sempre bem de mais, para 
bem acabar. 

C. Daumas. 



COMMERCIO 

O commercio de mais lucro foi sempre o ven- 
der o prazer, a felicidade, ou a esperança; é 
o dos autores, das mulheres, dos padres edos 
refe. 

Mad. Rol and. 



COMPAIXÃO 

Se uma mulher só por compaixão cede, pre- 
firo não viver do que viver de esmolas. 

Montaigne. 

A compaixão, junta com a amizade, forma 
em algumas mulheres um tão vivo sentimento, 
que as leva a commetter os mesmos erros que 
a mais forte paixão. 

Mad. d'Arconvilk. 

Nada está tão perto do amor como a com- 
paixão. 

Mad. Valmore. 

Em tomo da mesma idéa 
Meu ardente pensamento 
Constantemente volteia, 
Que horas estas de tormento ! 
E pode viver-se assim? 
Que força tens, coração? 
Pois tudo que sinto em mim 
És capaz de supportar? 
Oh ! basta! por compaixão 
Deixa emfim de palpitar. 

Bulhão Pato. 



ÁLBUM 



COMPARAÇÃO 

Quando acaba a embriaguez do amor, rimo- 
nos das comparações que 



Ninon de Lenclos. 

Louvar uma mulber por comparação é um mo- 
do infallivel de lhe fazermos perder a cabeça; 
porque fica lisonjeada na inveja e na vaidade. 



CONCÓRDIA 

que faz com que poucas vezes os casados 
vivam em concórdia, é que quasi sempre os 
homens se casam para terem um fim, e as mu- 
lheres um principio. 

Dupuy. 

Ser-me-hia mais fácil estabelecer a concór- 
dia em toda a Europa do que entre duas mu- 
lheres. 

Luiz xiv. 

Para os entendidos, acenos bastam. 

Provérbio. 



CONDESCENDER 

No amor, como na guerra, quanto mais o 
inimigo resiste, menos se deve ceder. 

Maurício de Saxonia. 

As mulheres que resistem não amam menos 
do que as que cedem. 

Mod. Lambert. 



DICCIONARIO 



CONFIANÇA 

Aquclle que se fia cm mulher fia-se cm la- 
drão. 

Hcsiodo. 

Mo nos devemos fiar em mulher morta. 

Provérbio. 

Em amor fiarmo-nos antes de conhecer, é 
dar logar ao arrependimento depois de conhe- 
cermos. 

Oxenstiern. 

As mulheres fazem sempre da confiança a 
primeira necessidade do amor. 

Macl. de Stael. 

Uma confiança arrojada não desagrada ás 
mulheres. 

Byron. 



CONFIDENCIA 

amigo mais intimo de uma mulher nunca 
Será tão estimado como o confidente do seu 
amor. 

Meílhan. 

Quasi sempre e para evitar as grandes con- 
fidencias, que as mulheres fazem pequenas con- 
fidencias aos seus maridos. 

Rochebrune. 

que une as mulheres entre ellas, é menos 
o effeito da sympathia do que as reciprocas 
confidencias. 

Dupuy. 

A única confidencia que sem perigo se pode 
fazer a uma mulher, é dizer-lhe que é linda. 



CONFISSÃO 

Um chapeleiro foi confessar-sc; 

—Qual é o vosso officio? perguntou o padre. 

— Sou chapeleiro. 

—Qual é o peccado que commetteis com mais 
frequência? 

—Festas ás meninas, meu padre. 

—Muito a miúdo? 

—Bastante. 

—Uma vez cada mez? 

—Mais. 

—Uma vez por semana? 

— Mais. 

— Uma vez por dia? 

— Mais. 

—De manhã e á noite? 

—Mais. 

—Safa! então quando é que trabalhaes pelo 
officio. 

Champfort. 

Segredos queres saber, busca-os no pezar e 
no prazer. 

Provérbio. 

Quem seu segredo guarda, muito mal escusa. 

Provérbio. 



ÁLBUM 



CONHECIMENTO 

Para sermos amados pelas mulheres, deve- 
mos deixal-as crer que as não conhecemos. 
Não se podem capacitar que 6 possível serem 
amadas por quem as conhece hem. 

ChampforL 

Aquelles que casam sem conhecerem hem 
com quem, jogam a vida a cruzes ou cunhos. 



A. Guyard. 

É difficil dizer se conhecemos melhor as mu- 
lheres quando as amamos ou quando já não as 
amamos. 

Meilhan: 

—Imporia pouco que os amantes se amem 
antes de se conhecerem, diziam, mas os espo- 
sos devem conhecer-se antes de casar. 

—Ora essa, respondeu Champfort, se assim 
fosse, ninguém casaria. 

Ricard. 



| CONQUISTA I 

Uma mulher que nada ama, inveja ás vezes 
ás outras as suas conquistas; uma mulher que 
ama, ainda menos perdoa as que se fazem á 
sua custa. 

A. Dupuy. 

A mulher que se mette á cara, é conquista 
pouco lisongeira; a melhor é a que custa a al- 
cançar; e a mais difficil de conservar, é aquel- 
la que alcançamos sem trabalho. 

Mad. de Rieux. 

As primeiras e as ultimas conquistas são as 
que as mulheres mais prezam. 



Basta ás vezes ser amado por uma mulher 
para conquistarmos muitas. 



Uma mulher não se deve satisfazer somente 
com a sua consciência; deve ainda procurar o 
conceito do mundo. 



Mulher que mette a mão na consciência, já 
não pôde fallar mal da visinha. 

Prov. 

É só ditoso na terra, 
Quem vive em paz com sua alma, 
Quem das penas que aqui soffre, 
Só do céo espera a palma. 



D. J. G. de Magalhães. 

A nossa consciência é o que nos julga. Re- 
prehendemo-nos antes que Deus nos reprehen- 
da. Somos indignos aos nossos próprios olhos, 
antes de o sermos na presença de Deus. 

Castello Branco. 



62 



DICCIONARIO 



CONSIDERAÇÃO 

A natureza disse á mulher: sê bella se po- 
' virtuosa se quizeres; mas sê consi- 
derada, que é preciso. 

Bcaumarchais. 

A consideração para com as mulheres ê a 
medida dos progressos de uma nação na vida 
social. 

Grégoire. 

Onde as mulheres são consideradas, são os 
li omens livres e virtuosos. 

Cabanis. 



CONSOLAÇÃO 

Um homem quando deixa de ser amado, faz 
muita bulha e consola-se logo; uma mulher no 
mesmo caso cala-se e fica muitas vezes incon- 
solável. 

La Bruyère. 

que pôde consolar um marido enganado, 
é a lembrança que fica proprietário de um ca- 
pital de que os outros só gozam os juros. 

Sophie Arncud. 



A constância no amor é uma bigorna, que 
quanto mais batida mais rija fica. 

Demosthenes. 

A constância é a chimera do amor. 

Vauvenargues. 

Pode-se contar com a constância das mulhe- 
res, quando se lhes não exige nem a apparen- 
cia da fidelidade. 

Duelos. 

No amor, a inconstância dá o prazer, a fe- 
licidade. 

Trublet. 

As mulheres não prezam a constância, por- 
que é contraria ao prazer. 



A verdadeira constância é a que resiste ao 
tempo, á indiferença e aos favores. 



ÁLBUM 



As mulheres comparam o homem constante 
com o avarento que possue thesoiros e não sa- 
be dispendel-os. 

Blondel. 

A constância é como a ferida em que o me- 
dico prohibiu que se mexa ; quasi sempre lã 
vamos com as unhas. 

A. Karr. 

Vós que as rosas gentis buscaes, amantes, 

Nos jardins do prazer, 
E, em vez da flor, espinhos penetrantes 

Só chegaes a colher, 
Resignados soffrei, sede constantes 

Que a desventura 

Que e a magoa e dôr 

Sempre em doçura 

Converte Amor. 

Garrett. 



CONSTRANGIMENTO I 

O constrangimento que oppõe o amor, longe 
de o enfraquecer, muitas vezes o fortalece. 

Mad. Riccoboni. 

O constrangimento é o pae dos desejos. Op- 
por-se aos de uma mulher é dar á sua imagi- 
nação mais força e mais elasticidade. 

D'Argem. 



CONTRADICÇÃO 

Prohibir alguma coisa a uma mulher é des- 
pertar-lhe a curiosidade. A prohibição ateia os 
desejos que costumam ser ardentes para as coi- 
sas licitas e insaciáveis para as cousas prohi- 
bidas. 

Blondel. 

Eis o génio das mulheres : 
Se quereis uma coisa, ellas não a querem; 
não a quereis mais, hão de ellas querel-a. 

Novi ingenium mulierum 

Nolunt ubi velis, ubi nolis cupiunt ultro. 

Terêncio. 

que o marido prohibe a mulher o quer. 

Provérbio. 

Nil magis amant mulieres, quam quod non licet. 

Publio Syro. 



64 



CONTENTAMENTO 



Não lia ninguém mais difficil de contentar do 
que aqnelles que nos amam demais, ouaquel- 
les que já não amamos. 

Mad. cVArconville. 

amor é como o amor-proprio, contenta-se 
com pouco e aspira a tudo. 

Dupuy. 

floras breves do meu contentamento, 
Nunca me pareceu, quando vos tinha, 
Que vos visse mudadas tão asinha 
Em tão compridos annos de tormento. 

As altas torres que fundei no vento, 
Levou, emfim, o vento que as sostinha : 
Do mal que me ficou, a culpa e minha, 
Pois sobre cousas vãs fiz fundamento. 

Amor, com brandas mostras apparece, 
Tudo possível faz, tudo assegura; 
Mas logo no melhor desapparece. 

Estranho mal, estranha desventura! 
Por um pequeno bem que desfallece, 
Dm bem aventurar, que sempre dura. 



DICCIONARIO 
CONTESTAÇÃO 



A contestação é para o amor como o sopro 
para o fogo : fal-a crescer, mas ter menos du- 
ração. 

Lingrée. 

Nas contestações dos amantes, aquelles que 
menos amam é que pensam ter mais que per- 
doar. 

Jiochpèdre. 

Arrufos de namorados são amores dobrados. 

Provérbio. 

De ciúmes Amphriso envenenado 

A bella Nize um dia, 

«Entrega-me (dizia) 
A fita que te hei dado, 
Entrega-me o meu cão, e o meu cajado» 
Ella, para applacar-lhe os vãos furores, 
Meiga lhe respondeu: «Sobre estas flores 

Mais terno que sisudo 
Sem respeitar-me a candidez e o pejo 

Também me deste um beijo, 
Não quero nada teu, recebe tudo.» 

Bocage 



I CONVERSAÇÃO 

Não ha conversação mais fastidiosa que a de 
um amante que nada tem que desejar nem que 
temer. 

Mad. de Sartory. 

Só um homem pôde conversar com uma mu- 
lher duas horas dizendo-Ihe a mesma coisa 
sempre. 

Mad. de Stael. 

Tudo o que se diz e tudo o que se não diz; 
tudo o que se sabe e tudo o que se ignora; os 
boatos, as vozes, os receios, e as esperanças 
do mundo, um tanto de calumma, bastante 
maledicência, um certo fundo de justiça, a adu- 
lação para os que nos escutam, a implacável 
censura para os ausentes, eis como em rigor 
se pode definir essa coisa indefinível chamada 
conversação. 

/. Janin. 

Uma conversação de mancebos, embora aman- 
tes, não se detém senão em rebaixar o mérito 
das mulheres : nascidos, os disséreis, das pe- 
dras de Deucalião e creados ás tetas das lo- 
bas. 

A. F. de Castilho. 



ÁLBUM 



CORAÇÃO 

Nada está mais fora do nosso poder do que o 
nosso coração; não só não o podemos governar 
como também somos obrigados a obedecer-lhe. 



coração tem as suas razões que a razão 
não conbece. 

Bossuet. 

No amor, o coração é um soberbo; estima o 
que lhe resiste e gosta de vencer o que outro 
não venceu. 

Mad. de Sartory. 

coração concilia as coisas contrarias e ad- 
mitte as incompatíveis. 

La Bruyère. 

O coração da mulher é um abysmo de que 
ninguém conhece o fundo. 

Mad. de Riccoboni. 

Não se podem comprehender os caprichos do 

M. elle de Fontaines. 



I Não se conserva a paz do coração senão pe- 
| lo desprezo do que a pode perturbar. 



coração de uma mulher namoradeira é 
uma rosa da qual cada amante leva uma fo- 
lha, deixando só os espinhos ao marido. 



Sophie Amoud. 



A infelicidade dos corações que amaram i 
não achar nada que possa supprir o amor. 



Só para amar é que o céo nos deu o cora- 
ção. 



Não se contesta com o coração: ou se que- 
bra ou se lhe cede. 

Rochpèdre. 

coração de uma mulher não envelhece ; 
quando acaba de amar é porque acabou de 
palpitar. 

Rochpèdre. 



coração que nunca amou foi o primeiro 
atheu. 

Mcnicr. 

coração das mulheres está á mercê do? 
seus olhos e dos seus ouvidos. 

S. Marechal. 

Comparo o coração das mulheres com aquel- 
las caixinhas que se compram nas feiras, e das 
quaes saem diabos de todos os tamanhos e de 
todos os feitios, logo que se abrem. 

Alexandre Dumas. 

coração de uma mulher honrada é uma 
sala em que só se entra depois de se ter espe- 
rado na antecâmara. 

Commerson. 

coração das mulheres é uma parte dos 
céos, mas como elles,muda de dia e de noite. 



Em amor, os corações justos são os primei- 
ros vencidos. 

Sénancourt. 



DICCIONARIO 



1 1 coração de uma mulher casada é uma pro- 
le hypollieeada. 

Commcrson. 

coração das mulheres ó como as amêndoas 
envolvidas em charadas. 

Pelit Semi. 

Raiva de coração faz passar dôr de dentes. 

Provérbio. 

Corações ha de homens que sem ser effemi- 
nudos, não desdiriam n'um peito feminino. 

A. F. de Castilho. 
Na face e nos olhos se lê a lettra do cora- 

Proverbio. 
Um coração é espelho de outro. 

Provérbio. 
Coração partido sempre combatido. 

Provérbio. 



Como a abelha diligente 
Que busca a singela flor, 
Uni singelo coração 
Também só procura amor. 

Garrett. 

Que é do teu fogo, coração que ardias 
Em fogos de paixão se te abrasavam 
Os olhos de mulher, vista n'um sonho? 
E os mundos meus tão mágicos de crenças, 
Quaes lúcidas visões de accesa febre 
Que é d'elles? — vi-os eu em poucos dias 
Passar, fugir, no resvalar dos annos, 
E com elles sumirem-se nas trevas 
D'esse abysmo, chamado a consciência! 

Castcllo Branco. 



As mulheres teem ás vezes coragem bastante 
para sacrificar seus amores, nunca teem força 
sufticiente para os esquecer. 

Beauchêne. 

Uma mulher chegada ao termo da juvenlude 
não deve suppôr que pode ter commercio com 
as paixões, ainda que seja para vencel-as, a 
sua força deve estar no socego e não na cora- 
gem. 

Mad. Guizot. 

Em amor, a coragem diminue com o tempo.. 

Mad. d'Arconville. 



CORAR 

Córa-se mais vezes por araor-proprio que por 
modéstia. 

Mad. Guibert. 

Coramos ás vezes de amar, e continuamos ! 

Saurin. 

Gorar é nas meninas, ora o bilhete de visita, 
ora a carta d'enterro da innocencia. 

Alexandre Dumas. 

Quando uma menina já não cora, perdeu o 
encanto mais poderoso da belleza: 

Gregoiy. 



ÁLBUM 

CORPO 

Pôde encontrar-se um coração constante n'um 
corpo infiel. 

Staht. 

A virtude parece mais bella n'um corpo per- 
feito. 

Gratior et Pulchro veniens in corpore vir- 
tus. 

Virgílio. 

Um corpo lindo promette uma bella alma. 

Sócrates. 



CORRECÇÃO 

Uma boa correcção servo mais ás mulheres 
do que um collar de pérolas. 

Salamão. 



Corrigir uma mulher é querer branquear um 
tijolo. 

Lados. 

As mulheres resistem muitas vezes as melho- 
res maneiras, e deixam-se vencer pelos peio- 
res tratamentos. 

Tilly. 

As mulheres são como as costelletas, quaislo 
mais batidas mais tenras. 



Bater no que se ama é o effeito mais natu- 
ral do amor. 
Amar e bater são uma só coisa. 
Ira mistus abundai amor. 

Ovidio. 



DICCIONARlO 



Não se deve bater em uma mulher nem com 
uma flor. 

Provérbio indio. 

homem que levanta a mão para uma mu- 
lher é um miserável para o qual ainda seria 
lisongeiro o nome de covarde. 



Os homens que teem bons costumes são os 
verdadeiros adoradores das mulheres. 

J. J. Rousseau. 

Onde os povos tiveram bons costumes, as 
mulheres reinaram. 

Bcrnardin de Saint Pierre. 

Os costumes severos conservam as affeições 
sensiveis. 

Mad. de Stael. 

Os homens fazem as leis, as mulheres fazem 
os costumes. 

Ségur. 



COISA 

Ha só duas coisas lindas n'este mundo, as 
mulheres e as rosas, e só duas coisas boas, as 
mulheres e os melões. 

Malherbe. 

Ha três coisas que as mulheres deitam pela 
janella fora. seu tempo, o seu dinheiro, e a 
sua saúde. 

Mad. de Geoffrin. 

amor é uma paixão emprehendedora. 

Montaigne. 

Três coisas movem poderosamente as mulhe- 
res: o interesse, o prazer e a vaidade. 



ÁLBUM 



GO 



O amor é sempre crédulo. 
Crédula semper res amor est. 



O amor faz sempre crer aquillo de que mais 
deveriamos duvidar. 

Marivaux. 

Quem ama é cego; a prudência abandona o 
seu espirito e cede o logar á confiança e á cre- 
dulidade. 

Joly. 



CRIANÇA 

Um casamento sem filhos é um mundo sem 
ol. 
Conjugium sine prole esl mundus sine sole. 

Santo Agostinho. 

Filhos pequenos, dores de cabeça. Filhos 
grandes, dores do coração. 



Napoleão perguntava um dia ao celebre me- 
dico Gorvisart até que edade um homem pôde 
ter filhos. 

—Depende isso, respondeu o medico, da or- 
ganisação e do temperamento de cada marido. 

— Um homem que casa aos sessenta annos 
poderá ter filhos? 

—Ás vezes. 

— E casando aos setenta? 

—Aos setenta, sempre. 

Mad. d' Abrantes. 



| Perguntava mad. de Slacl um dia a Napo- 
leão qual era, ao seu ver, a primeira mulher 
do mundo. 

—A que teve mais filhos— respondeu o mo- 
narcha. 

Ricard. 

Uma mulher é sempre uma creança. 

A. de Vigny. 

Uma mãe protege o corpo de seu filho, e o 
filho protege a alma de sua mãe. 

L. Desnoyers. 
Muitas filhas em casa tudo se abrasa. 

Provérbio. 

Aurora da existência, infância amável 

Edade abençoada 
Da mão que rege, que aviventa os dias. 

Mimo da natureza, 
Da cândida innocencia bafejado, 

Breve, mas linda flor 
Sobre o gomo de vida despontada, 

Infância ! oh meiga edade ! 

Garrett. 



DICCIONÂRIO 



CRIME 

O amor desculpa todos os crimes que faz 
(crametter. 

Mad. de Sartory. 
Pois que. dize-me, responde 
Tanto amor que esta alma esconde 
Deve em silencio ficar? 
Pois é crime uma palavra 
Quando no peito me lavra 
O fogo do teu olhar? 

E. A. Vidal. 



amor que nasce de repente é o que pre- 
cisa mais tempo para se curar. 

La Bruyère. 

Se vos quereis curar do amor evitae os na- 
morados. 

Ovidio. 

Em amor, o que se cura primeiro é sempre o 
mais bem curado. 

La Rochefoucaidd. 

Ha bastantes remédios para curar as feridas 
do amor, mas nenhuns são infalliveis. 

La Rochefoucauld. 

A melhor maneira de curar o amor é satisfa- 
zel-o. 

Marivaux. 

amor é como a febre, ora maior, ora me- 
nor. Parece-nos ás vezes que estamos curados, 
outras que estamos para morrer. 

Ninon de Lenclos. 



Passa teus males com tento 
Se lhe queres achar cura, 
Põe em ai o pensamento 
Que o que parece sem cura, 
As vezes o cura o tempo. 



Bernardim Ribeiro. 



ÁLBUM 



A curiosidade perdeu mais raparigas que o 
amor. 

Mad. de Puisieux. 

As meninas sempre teem curiosidade de apren- 
der o que as suas mães não quizeram ignorar. 



A curiosidade das mulheres é o escolho da 
sua virtude. 

Rochebrune. 

Impellidas pela curiosidade ou pela novidade, 
as mulheres vão longe. 

Ricard. 



DANÇA 

A dança é para as moças o mesmo que a caça 
para os mancebos, unia escola protectora da sa- 
bedoria: um preservativo das paixões que nas- 
cem. 

Lemontey . 

Aos quinze annos a dança é um prazer, aos 
vinte e cinco é um pretexto, e aos quarenta 
um cançaço. 

Ricard. 

Dançando com moças ao rythmo da lyra 
ranchinho em que as graças apontam em flor 
ao peso da vida metade se tira, 
o resto é já leve; supporto-o sem dôr. 

A. F. de Castilho. 

Tu hontem 
Na dança 
Que cança 
Voavas 
Co'as faces 
Em rosas 
Formosas 



De vivo, 

Lascivo 

Carmim; 

Na valsa 

Tão falsa, 

Corrias, 

Fugias, 

Ardente 

Contente, 

Tranquilla, 

Serena, 

Sem pena 

De mim! 

Quem dera 
Que sintas 
As dores 
De amores 
Que louco 
Senti ! 
Quem dera 
Que sintas!... 
—Não negues, 
Não mintas. 
Eu vi!— 
Valsavas : 
Teus bellos 
Cabellos 
Já soltos 
Revoltos, 



Saltavam, 
Voavam, 
Brincavam 
No collo 
Que é meu ; 
E os olhos 
Escuros 
Tão puros, 
Os olhos 
Perjuros 
Volvias, 
Tremias, 
Sorrias, 
P'ra outro 
Não eu ! 

Quem dera 
Que sintas 
As dores 
De amores 
Que louco 

Senti ! 
Quem dera 
Que sintas!... 
Não negues 
Não mintas!,.. 

Eu vi! 

Meu Deus! 
Eras bella 



Donzella, 
Valsando, 
Sorrindo, 
Fugindo, 
Qual sylpho 
Risonho 
Que em sonho 
Nos vem! 
Mas esse 
Sorriso 
Tão liso 
Que tinhas 
Nos lábios 
De rosa, 
Formosa, 
Tu davas, 
Mandavas 
A quem ? ! 

Quem dera 
Que sintas 
As dores 
De amores 
Que louco 

Senti, 
Quem dera 
Que sintas 
— Não negues, 
Não mintas, 

Eu vi!... 



Calado 
Sósinho, 
Mesquinho 
Em zelos 
Ardendo, 
Eu vi-te 
Correndo 
Tão falsa 
Na valsa 
Veloz! 
Eu triste 
Vi tudo ! 
Mas mudo 
Não tive 
Nas galas 
Das salas 
Nem falias, 
Nem cantos. 
Nem prantos, 
Nem voz ! 



Quem dera 
Que sintas 
As dores 
De amores 
Que louco 

Senti, 
Quem dera 
Que sintas 



—Não negues 

Não mintas, 

Eu vi! .. 

Na valsa 
Cançaste ; 
Ficaste 
Prostrada 
Turbada ! 
Pensavas 
Scismavas, 
E estavas 
Tão pillida 
Então ; 
Qual pallida 
Rosa 
Mimosa, 
No valle 
Do vento 
Cruento 
Batida, 
Caida 
Sem vida 
No chão. 

Quem dera 
Que sintas 
As dores 
De amor 
Que louco 



Senti. 

Quem dera 
Que sintas 
—Não negues 

N.To mintas 
Eu vi!... 



Aquellas que dão amor por prazer, recebem- 
no muitas vezes por necessidade. 



As mulheres só dão de bom grado aquillo 
que se lhes furta. 

Dupuy . 

Acontece muitas vezes que a mulher dá o 
amor sem o receber, e em quanto accende pe- 
la sua belleza, mil desejos nos corações, o del- 
ia fica gelado. 

P. du Bosc. 

amor é um mendigo que ainda pede de- 
pois de se lhe ter dado tudo. 

Rochpèdre. 



DECLARAÇÃO 

Só um homem com pouca experiência pode 
fazer uma declaração em forma. Uma mulher 
fica mais convencida de ser amada pelo que 
vê do que pelo que lhe dizem. 



Ninon de Lenclos. 



Em amor, de tantas coisas fáceis, a declara 
ção 6 a coisa mais difficil. 



Para uma mulher delicada a mais seduetora 
declaração é o embaraço de um homem de es- 
pirito. 

Laténa. 



Dama d'estranho primor, 

Se vos for 
Pesada minha firmeza, 
Olhae, não me deis tristeza, 
Porque a converto em amor. 
E se cuidais 



ÁLBUM 



De me inalar, i(iruulo usais 

D'esquivança, 

Irei tomar por vingan ça 

Amar-vos cada vez mais. 



menor defeito das mulheres que se dedi- 
cam aos amores é o amor. 

La Rochefoucaukt. 

Devemos olhar para os defeitos de quem 
amamos com os mesmos olhos que olhamos 
para os nossos. 

Mad. de Grafigny, 

Aquelle que não gosta dos defeitos de quem 
ama, não ama. 



Os amantes oceultam sempre os seus defei- 
tos cuidadosamente, mas os maridos deixam- 
nos ver. 

Mad. Desnoyer. 

Antes do casamento deveríamos bem reparar 
para os defeitos da noiva, e depois olhal-os 
com indulgência. 

Mad. Riccoboni. 



Corrigem-se os defeitos dos homens com o 
seu espirito, os das mulheres com o seu cora- 
ção. 

Bcauchcne 

Uma mulher que ama, acostuma-se aos de- 
feitos do seu amante. 

Stcndhal. 

Os homens, pelo seu comportamento para 
com as mulheres, fazem por dar-lhes os defei- 
tos que lhes censuram depois. 

L. Desnoyers. 

Quando se ama uma pessoa apezar dos seus 
defeitos, ama-se talvez mais que se os não ti- 
vesse. 

Rochpèdre. 

A amizade deve ser esclarecida, e o amor ce- 
go. Quem não vê os defeitos do seu amigo, não 
gosta d'elle; quem vê os da sua amante, já a 
não ama. 

Petit Senn. 



DICCI0NÀR10 



DELICADEZA 

aos sempre ser delicados e nunca cio- 
sos. A delicadeza é terna, o ciúme muitas ve- 
: baro. 

Berms. 

Só o amor deveria occupar as almas delica- 
das. Para os homens grosseiros, a gula, o jogo, 
e a ambição. 

. Champfort. 

Nos homens, a delicadeza do amor está em 
razão dos obstáculos; nas mulheres, em razão 
da felicidade que ellas nos dão. 

Sainl Prosper. 



DEPRAVAÇÃO 

A depravação serve mais para destruir que 
para multiplicar os homens. 
Adidtcr non p rolem sed voluptatcm quacrit. 

Quintiliano. 

Por causa de uma mulher depravada reduzi- 
mo-nos a um hoccado de pão. 

Salamão. 

Os excessos da nossa mocidade são outras 
tantas conjurações contra a nossa velhice. Pa- 
gam-se caro á noite as loucuras da manhã. 

Luxuriose viventes senifieri non expedit. 

Bacon. 

Sed ipsae volup lates in tormenta vertuntur. 

Séneca 

A depravação é o excesso do prazer sem o 
prazer. 

LeMetlrie. 



Uma mocidade passada na devassidão, trans- 
mitte á velhice um corpo enfraquecido. 

Intemperans adolescentia effcclum corpus ira- 
dit scnectxiti. 

Cícero. 



ÁLBUM 



DESAFIO 

Antes nos queremos batter contra o amante 
de uma mulher do que contra o seu marido. 
Com o primeiro podemos esperar aproveitar da 
nossa victoria, contra o outro nada ha a es- 
perar. 

Mad. de Sartory. 



Não ha maior loucura do que batter-se por 
causa de uma mulher. Não ha nenhuma que 
se quizesse desfazer de um de seus encantos 
para servir o homem que mais ama. 



Quando dois namorados brigam por causa de 
uma mulher, quasi sempre teem atraz de si 
um terceiro qne tanto mais ri da sua loucura, 
quanto para tudo obter não arrisca coisa al- 
guma. 

Belkgarigiie. 



Que o duello é, só na idéa, uma compara- 
ção repugnante com os preceitos do christia- 
nismo, seria, demonstrando-o, querer provar, 
com grandes argumentos, que os raios do so] 
são caloriferos. 

Castello Branco. 



Se as desavenças são frequentes entre aman- 
tes, é por que clles sabem que no amor satis- 
feito só as reconciliações valem alguma coisa. 

Dupuy. 



DICCIONARIO 



DESCONFIANÇA 

Aí mulheres devem ainda mais desconfiar 
das mulheres que dos homens. 

/. J. Rovsst au. 

Não quero excluir o ciúme do amor; mas a 
desconfiança, ao meu ver, deshonra os aman- 



As mulheres desconfiam de mais dos homens 
em geral, e não bastante em particular. 



DESDÉM 

Conheci mulheres que na juventude não acha- 
vam homem que lhes agradasse. 

Mas o tempo poz termo aos seus desdéns, e 
aos quarenta annos aceitaram para senhores 
aquelles que aos vinte não teriam querido para 
lacaios. 

Rochcbrunc. 

Ditoso seja aquelle que somente 
Se queixa de amorosas esquivanças 
Pois por ella não perde as esperanças 
De poder n'algum tempo ser contente. 

Camões. 

Esquivança aparta amor. 

Provérbio. 

Por ser esquiva a amor íoi transformada 
Em verde louro Daphne rigorosa, 
Recusando-se altiva, e desdenhosa 
A' ventura de ser de nem Deus amada. 

F. E. Leoni. 



Em amor, o cumprimento dos nossos desejos 
muitas vezes a fonte dos nossos males. 



que desejamos com mais furor perde gran- 
de parte do seu valor depois de o obter-mos. 



amor sem desejos é uma chimera; não 
existe na natureza. 

Ninon de Lenclos. 

desejo de ser amado prova muito amor 
próprio, o de amar, muita sensibilidade. 

ili elle de Sommery. 

Os desejos das mulheres parecem-se com os 
espargos ; logo que se cortam, nascem nova- 
mente com mais força. 



ÁLBUM 



Ah ! que eu não morra sem provar, ao menos 
Sequer por um instante n'esta vida, 

Amor egual ao meu ! 
Dá, senhor Deus, que eu sobre a terra encontre 
Uni anjo, uma mulher, uma obra tua 

Que sinta o meu sentir; 
Uma alma que me entenda, irmã da minha, 
Que escute o meu silencio, que me siga 

Dos ares na amplidão ! 
Que em laço estreito unidas, juntas, presas, 
Deixando a terra e o todo aos céos remontem 

N'um extasis de amor. 

Gonçalves Dias. 

Quem ama sabe o que deseja, e não sabe o 
que lhe cumpre. 

Provérbio. 

Os fracos do coração 
Obedecem á vontade, 
E muito mais sem razão, 
E' perder a liberdade 
Por algum cuidado vão. 
Se desejas descançar 
Deste que te traz cançado, 
Lança-te, Pérsio, a cuidar 
Que, ás vezes, o desejado, 
Alcançado dá pezar. 

Bernardim Ribeiro. 



Não ha homem sem coração, nem coração 
sem desejos. Conhece o homem o que deseja e 
conbece-se a si mesmo, para não desejar coi- 
sas fora da sua esphéra. 



Fez-se Niobe em pedra, e Philomela em pássaro, 

Assim 
folgaria eu também se me trasformasse Júpiter 

a mim. 
Quizera ser o espelho, em que o teu rosto plácido 

sorri ; 
a túnica feliz, que sempre está próxima 

de ti'; 
O banho de crystal, que esse teu corpo cândido 

contem ; 
o aroma de teu uso, e d'onde eflúvios mágicos 

provem ; 
depois esse listão, que do teu seio túrgido 

faz dois ; 
depois... do teu pescoço o rosicler de pérolas, 

depois... 
depois I ao ver-te assim, única, e tão sem emulas 

Qual és ; 
até quizera ser teu calçado, e pisassem-me 

teus pés, 



A. F. de Castilho. 



Dá, meu Deus, que eu possa amar, 
Dá que eu sinta uma paixão; 
Torna-mc virgem minha alma 
E virgem meu coração. g 

Gonçalves Dias. 



DICCIONAMO 



gocios do amor parecem-se com o que- 
rer ferir lume em fuzil, nada se alcança senão 
depois de simultâneas tentativas e quando já 
se chega ao desespero. 

Bugmj. 



O remorso do malvado 
E' desespero e tortura ; 
E a reminiscência d'elle 
O coração lhe tortura. 



J. ./. Junqueira Freire. 



Deus permitte que eu na terra 
Possua immensa riqueza 
D'amarguras sem refugio, 
De inconsolável tristeza. 

Quiz que, a par d'estes martyrios. 
Viesse um anjo d'amor ; 
Mas não ouço a voz do anjo, 
Quando grita a minha dôr. 



N 'esses inomenlos lenireis 
De insondável amargura. 
Quando o cálix não supporto, 
Peço a Deus a sepultura. 

C. Castello Branco. 



Os homens seriam grandes santos, se amas- 
sem tanto a Deus como ás mulheres. 



A maioria das mulheres entregam-se a Deus 
quando o demónio já as não quer. 

Sophie Arnoud. 

As mulheres amam sempre; quando lhes fal- 
ta a terra, fogem para o céo. 

A mór parte das mulheres passam a vida a 
offender a Deus e a confessar-se de o ter offen- 
dido. 

Clemente XIV. 

amor faria com que se amasse a Deus em 
terra de atheus. 

Itochester. 



amor faz amar a 
dade. 



e crer na sua hon- 
Bcrnardin de Saint Picrre. 



ÁLBUM 



A nossa escolha faz as nossas amizades, mas 
Deus é que faz o nosso amor. 

Mad. de Stael. 

Dizia um homem devoto: 
—Se eu ignorasse a existência de Deus, ado- 
rava duas coisas, o sol e as mulheres. 

Labouisse. 

Os céos, os mundos, o oceano, a terra 
É uni vasto hieroglyphico, é a forma 
Symboliea do Ser aos olhos do homem. 
O movimento harmónico dos orbes 
É o hymno eterno e mystico, que narra 
Altamente de um Deus a omnipotência, 
Tudo revela Deus,— e Deus é tudo. 

D. J. G. de Magalhães. 



Mas quem és tu, Senhor, que esta alma anceia 

E qual o nome teu? 
Acaso o diz a lua, que em mysterios 

Se envolve em negro véo? 
Dil-o o bosque, o vergel, o ramo, a folha 

Ou o escarcere cruzado 
Quando se atira e bate e se espadana 

Contra o cerre aprumado? 
Dizem-o esses milhões de estrellas doiro 

Engastadas no céo? 
Senhor, Senhor, que esta alma em vão procura 

Dize-me o nome teu? 

E. A. Vidal. 

No amor de Deus ha um sacriGcio que faz a 
similhanga do que se ama no céo com o que 
se ama na terra. 

Castello Branco. 



I DEVER 

É mais facií segurar uma mulher no dever 
pelo amor que pelo medo. 

Pudor e et Uberalitate mulieres retinere satius 
esse credo quem metu. 

Terêncio. 

Ha na palavra dever um não sei que mara- 
vilhoso cujo effeilo mantém os magistrados, 
accende o animo dos guerreiros e esfria os 



Dupuy. 

dever de uma menina está na obediência. 

P. Corneille. 

dever de uma mulher consiste na compla- 
cência. 

C. d'Earlevillc. 



D1CCI0NARIO 



DEVOÇÃO 



k devoção ê o ultimo dos amores. 

Saint-Evrcmo/U. 

Quando as mulheres já não estão em edade 
de agradar, tornam-se beatas. É preciso que 
dias tenham muita fé na indulgência do Se- 
nhor, pois lhe vão offerecer o que os homens 
não querem. 

Dupvy. 



Toda a mulher que é beata por temer o amor. 
não o pode ser muito tempo. 



As beatas são sempre curiosas, indemnisam- 
se dos peccados que já não fazem, com o prazer 
de conhecer os peccados alheios. 

Marivaux. 

Aos cincoenta annos é que as mulheres se 
tornam beatas; é o tempo da apparição do de- 
mónio. 

Helvelio. 



Uma mulher que se torna verdadeiramente 
beata, é porque tem a alma verdadeiramente 
terna. 

Saintr Foix. 

A devoção só consola do amor por ella mes- 
ma ser amor. 

Rochpèdre. 



Quando um homem não soube agradar ao pri- 
meiro dia, poucas vezes agrada ao segundo. 



A mulher que passou um dia sem ver 0: 
amante, considera esse dia perdido para ella; 
o homem considera-o perdido para o amor. 



Como fervidas q 
Vão-se a vôo os dias nossos; 
do que foi só restam ossos 
que o sepulchro em pó desfaz. 

A. F. de Castilho. 

Os meus alegres, venturosos dias 
Passarão, como raio, brevemente, 
Movem-se os tristes mais pesadamente 
Apoz das fugitivas alegrias. 

Camões. 



ÁLBUM 



DIABO 

Em nome do Padre e Filho 
E do Espirito também, 
Que em sua graça nos tenha 
Para todo o sempre — Amen. 

Antes de fallar no demo 
Deve-se a gente benzer 
Que o velhaco arde em desejos 
De nos tentar e perder. 



A mulher é o órgão do diabo. 

S. Bernardo. 



Deus prohibiu-nos as mulheres, meus irmãos, 
mas o diabo deu -nos irmãs. 

S. Francisco. 

Se Satanaz podesse amar deixaria de ser 
mau. 

Santa Thereza. 

diabo dorme mais perto de minha mulher 
do que eu. 

Lutherio. 



Quasi todas as mulheres lêem o diabo no | 
corpo, e saibam os maridos por experiência que 
quando o diabo se encaixa em algum sitio, dif- 
ficil é fazel-o sair. 

Blondcl. 

frade e a mulher são as duas garras do 
diabo. 

Provérbio. 

Dizia um marido descontente: 

—0 diabo para melhor enraivecer Job, tirou- 
Ihe as riquezas, a saúde e os filhos, e deixou- 
lhe... a mulher. 

Ricarã. 



DIFFAMAÇAO 

A maior parte das mulheres quer antes ver 
diffamada a sua virtude que o seu espirito ou 
a sua belleza. 

Fontcnelle. 

Uma mulher deve desprezar a difamarão e 
temer de a merecer. 

M elle . de Scuderi. 

Um dia diffamei o amor, e para se vingar 
mandou-me o hymeneu— ficou bem vingado. 

Rivarol. 

Se a mulher é o mais doce presente que 
Deus deu aos homens, aquellc que as difama 
é o maior dos ingratos. 

A. Gayard. 

Maldiz-se das mulheres pelo mesmo motivo 
que só se atiram pedras ás arvores carregadas 
de fructa. 

Ricard. 

Custa a crer como um ente, que é metade 
da nossa espécie, que das duas é a mais ama- 






DICCIONARIO 



\el metade, a mais carinhosa, em tantas coisas 

nosso egual para nos attrahir, mas com tantas 

differenças de nós para se nos unir ainda mais, 

i:ue se tem defeitos, de nós os recebe, e nos dá 

em troca, sem o cuidar, tantas das virtudes 

que possuímos; custa, digo, a crer como um 

!;;i ente, a quem sua própria fraqueza devera 

inviolável, pôde ver-se em todos os tem- 

: ovavclmente continuara a ser até ao 

-óculos, alvo e emprego das criticas 

sabridas, e mais grosseiras calumuias, 

A. F. de Castilho. 



Repartir dinheiro é augmentar o amor ; dar 
dinheiro é matal-o. 

Rochebrune. 



Uma das fontes da infelicidade dos casamen- 
tos, é a noiva só olhar para a pessoa, e a mãe 
para o dinheiro. 

La Roche. 



Um velho que compra amor, mostra tanta 
modéstia quanta generosidade, pois que paga 
para que caçoem d'elle. 

Ricard. 



amor, o" dinheiro sonante. pobre que 
ama é mais rico de que um banqueiro. 



A. Iloussaye. 



amor sem dinheiro parece uma bota de 
'Olimeato sem sola. 

Commcrson. 



Nos amores, hoje em dia, 
nobrezas não tem valor ; 
virtude a ninguém conquista, 
o que attrahe, que prende a vista 
é sú do oiro o esplendor. 

A. F. de Castilho. 

Antes velha sem dinheiro que moça com ca 
bcllo. 

Provérbio. 

Já se não importa Cupido 
Do arco mas sim da arca. 
O dinheiro é melhor flecha 
Que os sonetos de Petrarca. 

C. Castello Branco. 

Com a mulher e o dinheiro não zombes, 
companheiro. 

Provérbio. 



Povos e reis inclinai-vos, 
Meus escravos todos sois! 
Diante de mim prostrai-vos, 
Artistas, sábios, heroes! 
Eu inspiro a paz e a guerra, 
E posso tanto na terra 



ÁLBUM 



Como Deus pode no céo. 
Do vicio faço a virtude, 
Não preciso quem me ajude, 
O Sceptro do mundo é meu. 



Dinheiro, invicto dinheiro, 
Só em ti é que eu me fundo; 
Tens o direito da força 
És o tyranno do mundo. 



DISCRIÇÃO 

amor torna as mulheres discretas. 

Barthe. 

Um amante infeliz é poucas vezes discreto ; 
é mais fácil queixar-se aos penedos do que fi- 
car calado. 

3Iad. de Sartory. 

A discrição é mais precisa ás mulheres do 
que a eloquência; custa-lhes menos fallar bem 
que fallar pouco. 

P. du Bosc. 

único segredo que uma mulher conserva, 
é o da sua edade. 

Uma mulher só esconde o que não sabe. 



Os segredos do coração são o laço da ami- 
zade das meninas. 

M. elle de Scuderi. 

Na bocca do discreto o publico é secreto. 

Provérbio. 



A bclleza causa distracção ao mais severo re- 
cato. 

Dupwj. 

Infeliz é a mulher que as distracções fazem 
feliz. 

Gohhmith. 

casamento é sério e triste. Quantos casa- 
dos morriam de aborrecimento se não fossem 
algumas pequenas distracções. 

Marivaux. 

DesconBae da mulher distrahida; è um Iynce 
que vos observa. 



Devemos respeitar o casamento em quanto só 
é um purgatório, e dissolvel-o logo que se torna 
um inferno. 

Erasmo. 

Nenhuma associação pode durar senão em 
quanto dura o consentimento dos sócios. 
Tamdiu durai, qita7ndiu consensus. 



divorcio é necessário ás civilisações avan- 

Monksquieu. 



divorcio v, tão natural que em muitas ca- 
s;:s dorme todas as noites entre os esposos. 

Champfort. 

Ila só um meio de dar mais fidelidade ás 
mulheres no casamento, é dar mais liberdade 
ás solteiras e o divorcio aos casados. 



Um único divorcio que castiga um marido da | 
sua tyrannia impede mil casamentos maus. 



DOÇURA 



Qausi todas as mulheres teem mais doçura 
fora de casa do que n'ella. 

Tácito. 

Para as mulheres, a doçura é o melhor meio 
de ter razão. 

j¥. elle de Fontaine. 

Vénus imperiosa tem menos poder que Vé- 
nus carinhosa. 

P. du Bosc. 



ÁLBUM 



DOENÇA 

O amor é uma doença que não quer outro 
medico senão a si mesmo. 
Amoris vulnus sanai idem qui facií. 

Proverão. 

As doenças são para os homens lições de 
virtude e de recato; e se nunca se curassem, 
veríamos menos loucos e menos viciosos. 



As bexigas são a batalha de Waterloo das 
mulheres ; no dia que segue é que ellas po- 
dem conhecer quem as amava. 

Balzac. 



DOMINAÇÃO 

Uma mulber sempre pôde dominar o homem 
mais déspota do mundo. Para isso deve ter 
bastante espirito, bastante belleza e pouco amor. 

Fontenelk. 

Algumas mulheres não conseguem governar 
os maridos, mas não ha marido que consiga 
governar a mulher. 

jtf. elle de Sommery. 

Onde o amor manda, não ha outro senhor. 

Gresset. 

único meio de não depender-mos das mu- 
lheres, é fazel-as depender de nós. 

Rétif de la Bretonne. 

Se o mundo é mal governado, é porque é 
governado pelo amor. 

il/. e!le de Sommery. 



DOR 

Amar 6 celebrar um contrato com a dôr. 

JJ/. clIe de 1'Espinasse. 

A dôr só aformoseia o que é formosa. 

George Sand. 

amor de dois entes n'este mundo, é mui- 
tas vezes o privilegio de causarem maiores do- 
res um ao outro. 

Sainte Beuve. 

Se uma abelhita 
tal dôr te excita, 
diz Vénus— pensa 
que dôr intensa 
dão a quem ama 
farpões de Amor. 

A. F. de Caslillio. 

Ninguém larga sem dôr o que possue com 
amor. 

Provérbio. 

Guerra, caça e amores, por um prazer cem 
dores. 

Provérbio. 



DICCIONÀRIO 



- ■ : ':. fingir virgíneas dores, 
Corar, quando le fita o olhar ancioso; 
Rir e chorar a um tempo! mas repouso, 
Mulher, nSo sabes dar a tantas dores. 

Theophilo Draga. 

Dôr de mulher morta dura até á porta. 

Provérbio. 

Ha dores fundas, agonias lentas, 
Dramas pungentes que ninguém consola, 

Ou suspeita sequer ! 
Magoas maiores do que a dôr d'um dia, 
Do que a morte bebida em taça morna 

De lábios de mulher. 

C. de Abreu. 



DURAÇÃO 

Ainda mesmo que durasse um século, o amor 
feliz é só um instante. 

Propercio. 

É difficil arrancar do coração uma paixão que 
durou muito tempo. 
Difficile est longum súbito deponere amorem. 



A maior parte dos amores não teem duração; 
parecem-se com a madeira que á força de nos 
aquecer, reduz-se a cinzas. 



Os homens teem um fim quando amam; a du- 
ração d'esse sentimento é que causa a felicida- 
de das mulheres. 

Mad. de Stael. 



Nesta vida cega 
Nada permanece; 
O qu'inda não chega 
Já desapparece. 



89 



DIVIDA 



Soffrem-se tamanhas dores quando se duvida 
se é enganado, que ao pé d'ellas, a certeza de 
o ser é um prazer. 

Molière. 

No amor cioso, a incerteza éopeior dos ma- 
les, até ao momento em que a realidade nos 
faz lastimar a duvida. 

Blondcl. 

Quando se ama, duvida-se muitas vezes 
d'aquillo que mais se crê. 

La Rochefoucauld. 

A duvida è uma tortura. 

Castello Branco. 



D1CCI0NARI0 



E 

EDUCAÇÃO 


Mandámos como rei, e rogamos como ho- 
mem; que aos velhos cangados se desculpe tu- 
do; aos moços levianos se dissimule alguma 
coisa ; porém, que aos meninos nada se lhes 
perdoe. 


EGOÍSMO 

A mulher egoísta 6 um monstro; a natureza 
não a fez senão para outrem. 








Lycurgo. 






\i pela educação das mulheres que devemos 
começar a dos homens. 










M. úle de 1'Espinassc. 


J. B. Say. 










egoísmo da mulher 6 sempre egoísmo de 
dois. 


Os ignorantes são os inimigos da educação 
das mulheres. 










Macl. de Stael. 


Stcndhal. 










casamento tem a propriedade de romper 
todos os laços anteriores, para lhes substituir 


Criar um homem é formar um ente que na- 
da deixa atraz de si; criar uma mulher é for- 
mar as gerações vindoiras. 










o egoísmo. 

C. Fourier. 


E. Laboulaye. 

verdadeiro orphão não é aquelle que per- 
deu o pae; é quelle que o pae deixou sem edu- 
cação. 

Prov. oriental. 










A mulher é menos egoísta que o homem; 
ella falia menos de si que do seu amante. 
homem falia mais de si que do seu amor, e 
mais do seu amor que da sua amante. 

Metthan. 



ÁLBUM 



O amor é tão egoísta, que preferimos ver a | 
pessoa que amamos infeliz do que vel-a feliz 
com outro. 

A. Poincelot. 



Ser amado, é receber o maior dos elogios. 

Mad. Necker. 

Seduz-se mais depressa uma mulher com pa- 
lavras meigas e meia dúzia de elogios que com 
heroismo e dedicação. 

L. de C. 



EMOÇÃO 

Ha mulheres que procuram tanto as emoções, 
que preferem uma desgraça a uma situação 
tranquilla. 

Mad. de Flahaut. 

Uma mulher que já não excita emoção algu- 
ma, fica ainda assim capaz de sentir muitas. 

Mad. de Rémusat. 



DICC10NARI0 



ENCANTO 

Toucas mulheres se podem consolar da per- 
da de seus encantos; para cilas, não agradar 
ri ver. 

Rochpèdre. 

Tiramos os encantos aos objectos que já nos 
não agradam, para com elles adornar os que 
desejamos. 

Rochpèdre. 

Amei-lhe a alvura da face, 
Amei-lhe seus olhos bellos, 
Amei-lhe o nácar dos lábios, 
E seus formosos cabellos. 

Amei-lhe as rosas do pejo, 
Amei-lhe a tez de setim, 
Amei-lhe o collo de cysne, 
Amei-lhe a mão de marfim, 

Amei-lhe as perlas da bocca, 
Amei-lhe o braço de neve, 
Amei-lhe seu ar elegante, 
Amei-lhe a cintura breve. 

Amei-lhe os hombros de jaspe, 
Amei-lhe o seio divino, 
Amei-lhe o andar gracioso, 
Amei-lhe o pé pequenino. 



Amei seus gestos sein arte, 
Amei-lhe os prantos de dôr. 
Amei-lhe as doces palavras, 
Amei seu riso d'amor. 

Amei-lhe a linda innocencia, 
Amei-lhe a casta isenção, 
Amei-lhe os seus pensamentos, 
Amei-lhe o seu coração. 

Amei o ar que bebia, 
Amei o chão que pisava, 
Amei-lhe as flores da trança, 
Amei a côr que trajava. 

Amei-lhe os pães e a amiga, 
Amei-lhe a canção singela, 
Amei tudo o que ella amava, 
Amei tudo o que era d'ella! 



Formosa e gentil dama, quando vejo 

A testa doiro e neve, o lindo aspecto, 

A bocca graciosa, o riso honesto, 

O collo de crystal, o branco peito, 

De meu não quero mais que meu desejo, 

Nem mais de vós, que ver tão lindo gesto. 

Camões. 



Diz-se que as feiticeiras tcem o seu encanta- 
mento em um novelo; o novelo do feitiço das 
mulheres está no seu coração e no seu espiri- 
to, que n'cllas é também coração. 

A. F de Castilho. 



ÁLBUM 



Logo que uma mulher se sente enfadada, 
está bem perto de amar. 



Deus, que usa de todos os meios para nos 
attrahir a si, serve-se do enfado para tornar as 
velhas beatas. 

Helvetio. 

Não ba melhor remédio contra o enfado, do 
que uma grande paixão ; desperta os sentidos 
e dá exercício ao espirito. 

Mad. de Rieux. 

enfado é o signal mais infallivel do es- 
friamento do amor. 



Os amantes importunam emquanto não sãc 
amados, depois enfadam. 



enfado produz, apoz o dinheiro, muitos 
casamentos que não são dos peiores. 



No amor o engano é sempre maior do que a 
desconfiança. 

La Bruyère. 

engano é ás vezes melhor que o desen- 
gano. 

La Rochefoucauld. 

Haveriam menos mulheres enganadas se el- 
ellas podessem preferir o homem que as ama 
áquelle que ellas amam. 

Mad. Dunoyer. 

Pôde um marido não saber que a mulher o 
engana, mas nunca pôde ter a certeza que o 
não engana. 

M. m de Sommery. 

Os homens honrados amam as mulhere ; os 
que as adoram enganam-nas. 



DICCIONARIO 



As mulheres enganadas são sempre as mais 
loucas amantes. 

Richardson. 

A mulher que a dois ama, a ambos engana. 

Provérbio. 
A um engano outro engano. 

Provérbio. 

Por muito que o engano se cobre, elle mes- 
mo se descobre. 

Provérbio. 



ENTREVISTA 



A primeira entrevista é uma promessa de 
felicidade. Um cavalheiro deve portar-se n'ella 
por tal modo que seja impossível recusar-se- 
lhe a segunda. 

Rochbrune. 

Uma mulher n'uma entrevista amorosa só 
pede amor. Se a vossa conversa se afastar d'es- 
se {assumpto, perdereis duas coisas, o tempo e 
a occasião. 

Ricard. 



A exactidão é uma qualidade que as mulhe- 
res prezam muito ; e é para ellas uma prova 
de amor, não nos demorarmos na hora de uma 
entrevista. 

Duflot. 



imperador Carlos Quinto sentindo uma gran- 
de paixão pela virtuosa duqueza de Medina 
Celi propoz-lhe em segredo uma entrevista. 



—Senhor, respondeu a recatada princeza, se 
eu tivesse duas almas, arriscaria uma d'ellas 
para agradar a vossa magestade, mas como te- 
nho uma só, não a quero perder. 

Ricard. 



93 



ERRO 



O erro de quasi todas as mulheres é troca- 
rem os sentimentos pelo espirito. 

Jouy. 

Os erros das mulheres provem quasi sem- 
pre da sua crença no bem e da sua 
na verdade. 

Balzac. 



ESCOLHA 



Uma mulher sensata nunca deve acceitar um 
amante sem a approvação do seu coração, nem 
um marido sem o consentimento da sua razão. 

Ninon de VEnclos. 

Não ha coisa mais difficil do que a escolha 
de um bom marido, a não ser a de uma boa 
mulher. 

/. J. Rousseau. 

Uma mulher deve justificar diante do publi- 
co a escolha que fez o marido. 

J. J. Rousseau. 

acto mais importante da vida é a escolha 
de uma mulher. 

Droz. 

Devemos escolher para esposa a mulher que 
escolheríamos para amigo se fosse homem. 

Joubert. 



Para que um homem ame uma mulher, bas- 
ta que ella lhe agrade ; para que uma mulher 
ame a um homem, é preciso que a sua escolha 
agrade aos outros. 

Romainville. 



ESCRAVIDÃO 

A única escravidão soffrivei ê a do coração. 

Ricard. 

Uma mulher casada é uma escrava sentada 
num throno. 

Balzac. 

Ha muitas mulheres que, a troco de serem 
tratadas como rainhas nas primeiras semanas 
do casamento, são escravas o resto da vida. 

Dupuy. 

Entre os homens não devia haver outros es- 
cravos senão aquelles que o são das mulheres. 

S. Marechal. 

>ião ha escravidão mais pesada do que a do 
amor. 

iV. elle de VEspinasse. 



DICCIONARIO 



A mulher que escreve para o publico commet- 
te dois erros, augmentar o numero dos livros 
e diminuir o das mulheres. 

A. Karr. 

Para a mulher litterata, um marido é uma 
perpetua distracção. 

Dufresne. 

As mulheres que quizerem escrever obras, 
teriam empregado melhor o tempo em bordar. 



Um espelho é o único amigo a quem uma 
mulher não receia mostrar as suas imperfeições 
e os seus defeitos. 



A W HOBEM FEIO QUE GOSTAVA DE SE VER AO ESPELHO 

Deixa esse espelho, Névolo, deixa-o se não 
quizeres ter a sorte que teve Narciso. Esse man- 
cebo perfeito morreu por se ter amado de mais 
a si mesmo, e tu morrerás á força de te odiares. 

Namque sui quondam ut peruit Narcissus amore 

Ni caveas, ódio sic moriere tui. 



Quando estamos para ver a mulher que ama- 
mos, a espera de tanta felicidade torna insup- 
portavel todos os momentos que cVesse nos se- 
param. 

Stendal. 

Em amor, aquelles que se fazem esperar 
usam os desejos; quando chegam já os não en- 
contra m. 

Mad. de Rieux. 

O que não daríamos para estarmos á espera 
ainda, se possivel fosse, da primeira felicidade 
que provámos ! 

Rochpèdrc. 

Em amor, a espera do prazer é sempre pre- 
ferível ao prazer mesmo. 

A. Esquivos. 



ÁLBUM 



Uma grande paixão é uma esperança pro- 
longada. 

Feuchcres. 

único meio que ha de tornar o amor uma 
paixão deleitavel é amar uma mulher com gran- 
des desejos e constante adoração sem espe- 
rança. 

Reli f de la Bretonne. 

Não ha esperança sem temor, nem amor sem 
receio. 

Provérbio. 

Se quando vos perdi, minha esperança, 
A memoria perdera juntamente 
Do doce bem passado e mal presente, 
Pouco sentira a dôr de tal mudança. 

Camões. 

Que esperaes esperança? Desespero. 
Quem d'isso a causa foi? Uma mudança. 
Vós, vida, como estaes? Sem esperança. 
Que dizeis, coração? Que muito quero. 

Camões. 



Não me íalles d'esp'rança já perdida. 
Viver é esperar, a esp'rança é a vida; 

li a harpa iinmortal que (.mi loa 11'alma 
Aquella melodia eterna e pura, 
Que nem se cala ao pé da sepultura, 
Que invisível desfere a mão de Deus; 
Ilynmo sem fim, que erguido desde <> berç/i 
Vac remontar-se aos céos 1 

E. A. Vidal 

Que fora a vida se n'ella não houvera la- 
grimas ? 

senhor estende o seu braço pesado de mal- 
dições sobre um povo criminoso: o pae que 
perdoara mil vezes, converte-sc em juiz inéxo- 
raval; mas, ainda' assim, a Piedade não deixa 
de orar junto aos degraus do seu throno. 

Porque sua irmã é a Esperança, e a espe- 
rança nunca morre nos céos. 

A. Herculano. 
Alva pomba de esperança 
Voga n'arca mysteriosa; 
Que no dia da bonança 
Quando a enchente procellosa 
Á voz do Eterno parar, 
Penhor da nova alliança, 
Tu a nós has de voltar. 

Garrett. 



98 



DICCIONARIO 



A nossa esperança é a virtude thcologal, é 
i esperança no céo. ê a confiança na miseri- 
Deus. A nossa esperança ó infallivel 
porque tem as promessas e os merecimentos 
- Chriflto a abonal-a. A nossa esperan- 
ça que não faz bater o coração do in- 
i redulo, porque a fé, no que se espera, é a es- 
LSpiração de esperança, é a sua irmã, 
la pela mesma vontade omnipotente, e 
no mesmo instante da sua apparieão; è, final- 
mente, o seu fundamento, como diz S. Paulo. 

Castello Branrn. 



O espirito da mór parte das mulheres serve- 
Ihcs mais para fortificar a sua loucura que a 

sua razão. 

La Rochefoucaidd. 

Uma mulher raras vezes se torna espirituosa 
que não seja á custa da sua virtude. 

Mad. de Lambert. 

espirito não pôde por muito tempo repre- 
sentar o papel do coração. 

La Rochefoucauld. 

homem mais estúpido, quando ama, con- 
vence melhor que o intelligente que não tem 
amor. 

La Rochefoucauld. 

É preciso mais espirito para bem amar do 
que para conduzir um exercito. 

Ninon de Lenclos. 



Amar é uma necessidade do coração; namo- 
rar é uma oceupação do espirito. 

Champ/ort. 

espirito serve ás mulheres para occultar 
as fraquezas do coração. 

La Beaumelle. 

Quem tem uma mulher bonita só tem uma 
bonita mulher; quem possue uma mulher espi- 
rituosa, possuc umas poucas de mulheres amá- 
veis n'uma só pessoa. 

La Beaumelle. 

Ha poucas mulheres espirituosas que não te- 
nham algum motivo oceulto para preferir um 
e&tupido a um homem de espirito. 

Labouisse. 

Coisa nenhuma faz ter mais espirito de que 
o amor, mesmo áquelles que naturalmente não 

tcem algum. 



ÁLBUM 



Do espirito da mulher para o do homem vai 
a mesma differença que da cór de rosa para o 
vermelho. 



As mulheres seriam mais felizes se cuidas- 
sem tanto no seu espirito como no seu rosto. 



Não ha coisa mais rara em França de que 
uma mulher completamente estúpida. 

Mad. de Girardin. 



Eis a proporção que se pôde 
respeito dos homens e das mulheres espirituo- 
sos. Em cem homens, encontrareis dois espiri- 
tuosos ; em cem mulheres encontrareis uma es- 
túpida. 

Mad. de Girardin. 

Geralmente, e bem o sabem as mulheres, 
um homem que falia de amor com espirito é 
pouco amoroso. 

G. Sand. 



A mulher mais estúpida, se não ama, tem | 
mais espirito que o homem que a ama. 



Os esposos quando não possam viver felizes, 
devem ao menos tratar de viverem socegados. 

Quintiliano. 

E impossível dois esposos viverem bem quan 
do nenhum d'elles queira ceder ao outro. 

Mad. de Moíteville. 

Quantos esposos viviam em paz se podessem 
esquecer-se que pertencem um ao outro. 



ESQUECIMENTO 



O amor morre pelo desgosto, e o esqueci- 
mento é que lhe faz o enterro. 

La Bnnjcrc. 

Ha, em amar sem ser amado um encanto 
profundo e melancólico; e não ha coisa mais 
generosa que lembrarmo-nos de quem nos es- 
quece. 

T. Gautier. 

Bem ama quem nunca se esquece. 

Provérbio. 

Quem me dera poder ver-te ! 
Ai ! quem me dera dizer-te 
Que pude amar-te e perder-te, 
Mas olvidar-te... isso não ! 
Que no ardor d'outros amores, 
Atravéz mil dissabores, 
Senti vivas sempre as dores 
D'uma remota paixão. 

C. Castello Branco. 



Os homens, antes de conhecerem o seu cora- 
ção, são governados pelos sentidos ; mas qua- 
si todas as mulheres necessitam amar, e pou- 
cas vezes seriam seduzidas pelos prazeres, se 
não fossem arrastadas pelo exemplo. 

Duelos. 

exemplo pôde mais em nós que as pala- 
vras. 
Magis movent exempla quam verba. 



exemplo é o melhor dos sermões. 
Sermo vivas et efpca exemplum operis est. 



amor quanto mais ohlem, mais deseja. 
Não se lhe pôde dar a mais insignificante coi- 
sa, que não seja preciso dar-lhe logo outra, ( 
quasi sempre os amantes tiram mais que o qui 
se lhe dá. 

Fontenelle. 

A exigência como o appetite ; cresce á me- 
dida que a vão satisfazendo. 

Frederico Thomas. 



EXPERIÊNCIA 

No amor como nas outras coisas, o amor é 
um medico que não apparece senão depois da 
doença. 

Mad. de la Tour. 

Se a mocidade não tem bastante experiên- 
cia, a velhice tem-na de mais. 

Rochpèdre. 

Aquelle que teve uma grande experiência do 
amor, pouco caso faz da amizade. 

La Bruyère. 



DICC10NARI0 



amor está acostumado a tornar mudos os 
que faliam de mais. 



J/.' ,|IC de Scuãeri. 
As palavras são a chave do coração. 



As mulheres moças que não querem parecer 
levianas, e os homens de edade avançada que 
não querem parecer ridículos nunca devem fal- 
lar em amor como de coisa em que tomem 



| As mulheres sao feitas de lingua como as ra- 
pozas de raho. 

Provérbio. 

Os amantes são falladores; nunca pensam ter 
fallado hastante no interesse do seu amor. 

Plauto. 

A lingua das mulheres é a sua espada. 

Provérbio. 

Em quanto amamos uma mulher, fallamos- 
Ihe n'ella mesma, quando já a não amamos, 
fallamos-lhe em nós. 

Beauchène. 

Gostamos de f aliar n'aquillo que amamos, 
ainda muito tempo depois de não amarmos. 



parte. 



La Rochefoitcauld. 



A serpente depois de ter seduzido a mulher 
emprestou-lhe a lingua. 



Rétif de la Bretonne. 

Nenhuma mulher falia em mulheres sem pen- 
ser em si, nenhuma falia de si sem pensar nas 
outras. 

Suar d. 



A maneira mais nova e mais original de fal- 
lar nas mulheres, é dizer bem d'ellas. 

Poincelot. 

No amor, os homens estão acostumados aos 
grandes discursos, e as mulheres ás meias pa- 
lavras. É porque uns querem convencer, e as 
outras recusar. 

Saint Prosper. 



ÁLBUM 



FALSIDADE 

Uma primeira aventura amorosa inspira a um 
rapaz vaidade, e torna logo a falsidade neces- 
sária ás mulheres. Obrigaram um sexo a corar 
d'aquillo que faz a gloria do outro. 

Duelos. 

As mulheres são falsas nas terras em que os 
homens são tyrannos, sempre a violência pro- 
duz o ardil 

Berna/rdin de Saint Pierrc. 

A falsidade torna-se tão necessária ás mulhe- 
res como o espartilho. 



As mulheres prendem-se aos homens pelas 
provas d'amor que ellas lhes dão, e por essas 
mesmas provas curam-se d'elle os homens. 

La Bruyère. 

Uma mulher honesta nunca esquece os favo- 
res que concedeu; uma mulher namoradeira es- 
quece-os logo. 

Rochcbruw. 

Nos favores do amor como nos da fortuna, 
nunca se passa da imaginação para a realida- 
de sem perda. 

Fontenelle. 

Longos tempos ha que vi 
Uma formosa pastora, 
Formosa só para si, 
Fez-se senhora de mi, 
Sem me querer ser senhora : 
A qual tinha outros amores, 
Segundo depois senti. 
A outro dava favores, 
E a mim todas as dores, 
As dores todas a mi. 

Bernardim Ribeiro. 



A uma mulher feia só este conselho [iode- 
mos dar : faze com que a Lelleza da tua alma 
nos oceulte a feialdade do teu corpo. 

Thales. 

Não ha mulher, por muito feia queseja,que 
não julgue ter alguma belleza. 



As mulheres feias são as que se adornam mais; 
não podendo ser bellas, querem ao menos ser 
ricas. 

Apelles. 

A feialdade do marido torna o amante mais 
perfeito. 

Romainville. 

A injustiça da feialdade é apagar e occultar 
o merecimento das mulheres. 

Mad. de Lambert. 



lade e a beliew dependem do capri- 

:vão dos homens. 

Nicolc. 

I ma mulher que não é bonita é mais feia 
que um homem que não é bonito. 



De todas as feialdades a mais horrenda é a 
lo vicio. 

Rica rd. 



(Juaudo uma feia é amada, é o loucamente, 
u seja por uma fraqueza inexplicável do aman- 
te, ou por causa de alguns encantos mais re- 
cônditos c invisíveis que os da belleza. 

La Bruyère. 

Já que nunca se pede coisa alguma ás feias, 
não podemos ajuizar a sua força pela sua re- 
. Teem ellas mais trabalho para se de- 
fenderem dos desdéns que das perseguições, e 
a resignação é a virtude que ellas possuem 
melhor. 

P. du Bote. 



D1CCIONARIO 

Uma mulher feia pôde ser má, mas nunca 
estúpida; c ao contrario, a maioria d'ellas teem 
muito espirito. Apezar d'isso, nenhuma deixa- 
ria de trocar todo o seu espirito, quer dizer 
uma superioridade que tem duração, contra al- 
guns annos de belleza. 

Stahl. 

Uma mulher feia e imperiosa que queira ser 
amada, parece um mendigo que mandasse que 
lhes dessem esmola. 

Champfort. 

Depois da virtude, a feialdade é a melhor 
salva-guarda de uma menina. 



Se a belleza fosse o único merecimento das 
feias, todas ellas se deveriam enforcar. 



A feialdade é um padecimento que a mulher 
conserva toda a vida. 

Stahl. 

príncipe de Conti era muitissimo feio. 
Tendo de partir para uma Tiagem, disse á mu- 
lher : 



—Sobretudo, minha senhora, tome cuidado 
em não me enganar. 

— Pôde estar socegado, respondeu ella; nunca 
desejo fazel-o senão quando o vejo. 

Ricard. 

Uma mulher bonita quer ser amada; uma 
feia faz o que pôde para sel-o. 

Stendhal. 

Quem o feio ama, formoso lhe parece. 

Provérbio. 
Da feia e da formosa, a mais proveitosa. 

Provérbio. 

Nem tão formosa que mate, nem tão feia que- 
espante. 

Provérbio. 

Bem toucada não ha mulher feia. 

Provérbio. 



ÁLBUM 



Não ha verdadeiro amor senão o que trata 
da felicidade de quem se ama. 

Ileloise. 

Queremos causar toda a felicidade ou, não 
podendo ser, toda a infelicidade de quem ama- 
mos. 

La Bruyère. 

Um grande obstáculo para a felicidade, é es- 
perarmos uma felicidade grande de mais. 



Para conhecermos a felicidade, devemos sa- 
ber amar. 

Godwin. 

A mulher deve curar da felicidade de um ho- 
mem só. 

Bernardin de Saint Pierre. 

Se o amor poucas vezes dá a felicidade, faz- 
nos pelo menos pensar constantemente n'ella. 



| A infelicidade da felicidade 6 a saciedade, a 
felicidade da infelicidade é a esperança. 

P. Lcroux. 

O amor cança-se de ser feliz; e sempre é a 
felicidade dos amantes que mata a sua felici- 
dade. 

Rochpèdre. 

Todo o oiro da terra não vale a felicidade 
de ser amado. 

Caldèron. 

Sou feliz! ohl ser amado 
É ter um céo cá na terra, 
É ver as brenhas da serra 
Converterem-se em jardim; 
É sorrir, é ser ditosa, 
É crer, ousar; ter fé pura, 
É tragar quanto é ventura 
N'um beijo ardente, sem fim! 



Não se emprega uma fita n'este mundo que 
não seja em nome do amor. 

Bcruà. 

A primeira coisa de que se lembram as mu- 
lheres, mesmo quando estão na desgraça, são 
fitas e atavios. 

Goethe. 

Fallo como experimentado, 
Fallo com peito sincero; 
Pôde uma vara de fita 
Mais que a Iliada de Homero. 



DICCIONARIO 



(i adorno mais simples c mais conveniente 
para a belleza são as flores, que ficam muito 
melhor ifuma linda mulher que os diamantes 
e as pérolas. 

Bernardin de Saint Pierre. 



A mulber é uma flor que só á sombra exhala 
o seu aroma. 

Lamennais. 

As mulheres foram creadas mais para serem 
amadas do que para amarem; assim como as 
Bores não sentem o seu aroma e despedem-no 
• itisfação alheia. 

A. Esquivos. 

Fugis de minhas cans? 
Fuíiis-me por viçosas? 
Volvei, volvei, louçans! 
Nas c'róas mais formosas 
Se enlaçam como irmans 
A flor do lyrio, as rosas. 

A. F. de Castilho. 



(Juiz deixar uni ramalhete, 
Quiz no «adeus» espargir flores, 
Colhi os cravos, as rosas, 
Os roxos, lindos amores, 

Colhi cheirosa alfazema 
Alecrim dos namorados, 
E juntei-lhe da videira 
Dois «abraços» 



O jardim era mui pobre 
Que o «melhor» não tinha, não! 
Em vão buscando a «saudade» 
Só o achei no coração ! 

Mas ainda assim este ramo 

Já não vai de todo mudo; 

Dizem-te muito estas flores; 

E este «adeus...» diz mais que tudo. 



Longe, funéreas arvores! 
O dia é só de flores. 
Voai, meus leves cânticos 
do sol nos resplendores. 

A. F. de Castilho. 



Perfeita formosura em tenra edade, 
Qual flor, que anticipada foi colhida 
Murchada está da mão da dura sorte. 



Oh flor, como eras formosa 

No botão, 
Como a fronte aos céos erguias 
Sem olhares para o chão. 
Ai! triste flor! 
Agora colhida 
Foi-se-te o verdor! 
E a côr, 
E a vida, 
E o amor ! 

Qual foi a profana mão 
Que te colheu? 
E como o teu jardineiro 
Adormeceu? 
Elle que era tão cioso 
Da tua formosura, 
Da tua virgindade 
Como se descuidou? 

Ai ! qual foi a bocca impura 
Que te bafejou 
Depois de colhida, 
E perdida 
Te deixou? 



ÁLBUM 



Oh ! rainha dos jardins, 

Mimo cubicado 

Por todos, 

E por ninguém tocado ! 

Flor de tentação 

Tão defendida, 

Como andas hoje 

De mão em mão 

Rosa colhida? 

Vês agora como o orgulho 
Te enganava? 
Não cuidavas, 
Que a belleza se acabava. 
Ai ! triste flor ! 
Agora colhida 
Foi-se-tc o verdor! 
E a côr, 
E a vida, 
E o amor! 



Não conhecemos a força do amor senão quan- 
do o sentimos. 

Prévost. 

A paixão do amor é como o vapor, quanto 
mais comprimido mais força tem. 



Podemos ter fortuna sem felicidade, como 
mulheres sem amor. 

Rivaròi. 

Não ba coisa mais triste que seja amar sem 
ter grandes riquezas que nos permittissem de 
tornar feliz o objecto do nosso amo:'. 

La Bruyère. 

As mulheres não teem gosto. Nenhum ho- 
mem, por muito feio ou estúpido que seja, se 
verá obrigado a ficar sem esposa se tiver avul- 
tados rendimentos. 

Stàhl. 

Não te rias, oh fortuna! 
Teu riso m'é suspeitoso, 
Contra a desgraça não clamo, 
Não quero ser venturoso. 

Vai-te, oh fortuna 
Não me atormentes, 
Eu não te creio, 
Em tudo mentes. 

D. J. G. de Magalhães. 



ào homem ousado a fortuna lhe dá a mão. 

Provérbio. 

Ah! Fortuna cruel, ah! duros Fados! 
Quão asinha em meu danmo vos mudastes! 
Com os vossos cuidados me cansastes, 
E agora descansai co'os meus cuidados. 

Fizestes-me provar gostos passados, 
E vossa condição uelles provastes: 
Singelos em uma hora m'os levastes 
Deixando em seu logar males dohrados. 

Quanto melhor me fora que não vira 

Os doces bens de Amor? Ah bens suaves: 

Quem me deixa sem vós, porque me deixa? 

De queixar-te, alma minha, te retira: 
Alma, de alto caida em penas graves, 
Pois tanto amaste em vão, em vão te queixa. 



FRANQUEZA 



A franqueza nas mulheres nunca pôde ser 
senão uma contradicção. 

Lemcslc. 

A mulher leviana leva a palma da franqueza 
áquella que afecta virtude. 



Os homens acreditam geralmente tão pouco 
na franqueza das mulheres, que não ganham el- 
las coisa alguma em possuir essa virtude. 

Dupiiy. 



FRAQUEZA 



A força do nosso amor está na nossa fra- 
queza. 

Ninon de Lenclos. 

As mulheres são fracas porque só são ajuda- 
das pelo coração. 



Se as fraquezas do amor se podem perdoar, 
deve ser sobretudo ás mulheres, que por elle 
reinam. 

Vauvenargues 

Os homens são injustos quando querem cas- 
tigar as mulheres por as fraquezas que elles 
tratam sempre de lhes inspirar. 

Mad. de Lambert. 

synonymo da palavra mulher é a palavra 
fraqueza. 

Shakspcare* 

As mulheres não devem ter outras fraquezas 
senão as que a natureza torna desculpáveis. 

Young. 



109 



homem sábio deve temer a fraqueza da 
mulher. 

Dwpuy. 

As mulheres gavam-se de não serem fracas 
diante dos homens que lhe desagradam, assim 
como os fanfarrões se gavam da sua valentia 
diante dos covardes. 

Champfort. 



As mulheres, como os Scythos, vencem fu- 
gindo. 

Montaigne. 

Na guerra d'amor, a fuga é uma victoria. 

Pe ir ar ca. 



As mulheres não foram feitas para correr; 
quando fogem, ú para serem apanhados. 

J. J. Rousseau. 

O amor já está longe quando pensamos em 
segural-o. 



Bruys. 



As mulheres são como nossa sombra; corre- 
mos atraz d'ella, foge-nos; fugimos, persegue- 



Leonardo, soldado bem disposto, 
Manhoso, cavalleiro, enamorado, 
A quem amor não dera um só desgosto, 
Mas sempre fora d'elle maltratado, 
E tinha já por firme presupposto 
Ser com amores mal affortunado; 
Porém não que perdesse a esperança 
De inda seu fado ter mudança; 



Quiz aqui sua ventura que corria 
Após Ephyre, exemplo de belleza, 
Que mais caro que as outras dar queria 
O que deu para dar-se a natureza. 
Já cansado, correndo lhe dizia: 
O formosura, indigna de aspereza, 
Pois d'esta vida te concedo a palma, 
Espera um corpo de quem levas a alma. 



Todas de correr cançam, nympha pura 
Rendendo-se á vontade do inimigo ; 
Tu só de mim só foges na espessura; 
Quem te disse que eu era o que te sigo? 
Se t'o tem dito já aquella ventura 
Que em toda a parte sempre anda commigo, 
Oh! nãon'a creas, porque eu quando a cria. 
Mil vezes cada hora me mentia. 



Não canses; que me cansas: o se queres 
Fugir-me, porque não posso locar-te, 
Minha ventura é tal, que inda que esperes, 
Ella fará que não possa alcançar-te. 
Espera ; quero ver. se tu qnizeres 
Que subtil modo busca de escapar-te : 
E notarás no fim d'este successo. 

»a e la man qual muro è Iflesso. 



Oh ! não me fujas! Assi nunca o breve 
Tempo fuja da tua formosura! 
Que só com refrear o passo leve 
Vencerás da fortuna a força dura. 
Que imperador, que exercito se atreve 
A quebrantar a fúria da ventura 
Que cm quanto desejei me vai seguindo? 
O que tu só farás, não me fugindo. 



Pões-te da parte da desdita rainha ? 
Fraqueza é dar ajuda ao mais potente 
Levas-me um coração que livre tinha? 
Solta-me, e correrás mais levemente. 
Não te carrega essa alma tão mesquinha. 
Que n'esses fios de oiro reluzente 
A tada levas ? ou depois de presa 
Lhe mudaste aventura e menos pesa? 



DICCIONARIO 

Nesta esperança só te vou seguindo 
Que ou tu não soffrerás o peso d'ella, 
Ou na virtude do teu gesto lindo, 
Se lhe mudará a triste e dura estrella. 
E se se lhe mudar não vás fugindo, 
Que amor te ferirá, gentil donzella ; 
E tu me esperarás se amor te fere, 
E se me esperas, não ha mais que espere. 

Camões. 

Porque folgas, infante, ao pó das ondas, 
Quando sobem, fugindo, e quando descem 

Perseguindo-as, louquinbo?! 
Já lamberam teus pés, já, despeitosas, 
Te cuspiram á face a leve escuma, 

E sorris-lhe, applaudindo? 
Oh ! não brinques assim... ai... foge... foge... 
É já tarde... involveram-te... banharam-te 

Foge ás vagas do mundo. 

João de Lemos. 



Minha Alsgá, porque estremeces ? 
Porque me foges assim? 
Não te parlas, não me fujas, 
Que a vida me foge a mim ! 

Gonçalves Dias. 



Camponeza feiticeira, 

Tão ligeira 
Náo fujas do meu amor; 
Que me levas a alma presa 

Na belleza 
D"esse rosto encantador. 



Sonho, ideal, mulher, sorriso eleito, 

Oh 1 não fujas de mim ! se também soffres 

Ksromle-te na urna de meu peito. 



Th. Braga. 



ÁLBUM 



111 



Não receies 
facilmente < 
pela paixão. 



mostrar a vossa fúria; o amor 
os impropérios 



As fúrias de uma mulher mostram sempre 
muito amor. 

Propercio. 



11? 



Uma mulher dada ao galanteio é um aunei 
que cada uma pôde pôr no dedo. 



Sophie Arnoud. 

Ê uma nota que tem tanto mais valor quan- 
tas firmas se lhe lê. 

A. Houssayc. 

que menos se encontra no galanteio é o 
amor. 

La Rorhcfoucanld. 

É o ponto mais importante da moral das mu- 
lheres, o não acreditar no que se lhes diz. 

Mad. de Sartory. 

Podem-se encontrar mulheres que nunca ti- 
vessem amantes ; é raríssimo encontrar uma que 
;'.vi;?se um só. 

La Rochcfoucauld. 



DICCIONARIO 

| Os sentidos, a curiosidade, a preguiça e a 
vaidade são as quatro columnas que sustentam 
o templo do galanteio. 

J. D. Say. 

Aos sessenta annos, Fontenelle padecia dos 
olhos, e ficava muito incommodado com a cla- 
ridade. 

Uma menina que o sabia disse-lhe uma noite: 

— Vou mandar apagar algumas d'estas luzes, 
porque sei que gostais de estar ás escuras. 

— É verdade, mas não aonde estais, —res- 
pondeu o amável ancião. 

Ricard. 

Mulher muito louçã dar-se quer a vida vã. 

Provérbio. 



Abstcr-se para gozar é a philo 
bio, é o epicurismo da razão. 



J. J. Rousseau. 



Em gozo, a amizade vive dos rendimentos, 
e o amor estraga o seu capital. 



homem que ama, soffre c não goza; o ho- 
mem que não ama goza e não soffre. 



ÁLBUM 



GRATIDÃO 

A mulher 6 da família dos milhafres; fazcr- 
lhe hem é trabalho perdido. 

Petrone. 

Pôde a gratidão dar nascimento á amizade, 
mas nunca ao amor. 

Mad. de Sartory. 

Deve-se temer a gratidão de um amante que 
falia muito n'e)la, a gratidão calada vale mui- 
to mais. 

Mad. de Sartory. 

A gratidão é uma azinhaga que depressa nos 
conduz ao amor. 

Th. Gautier. 

Clama, não cesses, Gratidão, não cesses; 
Sê minha musa, Gratidão ; virtude 
Que desconhecem, desacatam, mancham 
Sórdidas almas. 



Quando uma mulher graceja sendo accom- 
mettida, é porque deseja ser vencida. 

Ricard. 

As mulheres que gracejam com o amor são 
como as creanças que brincam com facas; qua- 
si sempre se ferem. 

Saint Prosper. 



ilí 



H 



O habito torna fastidiosos os gozos de todos 
os dias. 

Propercio. 

amor entra no coração pelo costume, e 
por elle sae. 

Ovídio. 

costume é uma das prisões do coração. 
Dediscit animiis sero quod didicit diú. 



habito de amar é fácil de contrahir e dif- 
ficil de perder. 

Mad. d'Arconville. 

A ultima setta do amor e a mais segura, é 
o habito. 

Bntys. 



O matrimonio deve combater sem trégua 
nom dcscanço esse monstro que o devora. 



A posse e o habito tiram defeitos á fealdade 
e encantos á belleza. 

Laténa. 

habito é, mais ainda que a inconstância, 
um obstáculo á felicidade. 



Parecc-me que se podia escrever em cinco pa- 
lavras a historia da mór parte das mulheres : 
São enganadas primeiro ; enganam depois. 



A historia do amor é a historia do género 
humano. 



Quando um homem e uma mulher se casam, 
acaba-se-lhes o romance, e começa a historia. 



amor é o romance do coração ; o prazer é 
a sua historia. 



ÁLBUM 



113 



A historia das mulheres, se se escrevesse, 
seria a historia do mundo. Não houve revolu- 
ção nos impérios, nem nas famílias, em que 
ellas não apparecessem, ou como coisa, como 
objecto ou como meio. A ellas é que disse o 
Destino : 

Imperium sine fide dedi. 

Condorcet. 



que um homem meditou durante um an- 
no, uma mulher o derriba em um dia. 



Os homens teem culpa das mulheres não se 
amarem umas ás outras. 

La Bruyère. 

Não está nas mãos de um homem que vive 
na sociedade o deixar ou não de ser namora- 
dor. 

Vauvenargues. 

Os homens dependem das mulheres pelos de- 
sejos, as mulheres dependem dos homens pelos 
desejos e pelas necessidades ; ser-nos-hia mais 
fácil, vivermos sem ellas do que ellas sem 
nós. 

J. J. Rousseau. 

Os homens são o que as mulheres querem. 

La Fontaine. 



1 homem mais sábio do mundo foi feliz em 
não encontrar a mulher linda ou feia, espiri- 
tuosa ou estúpida, que o teria mettido no hos- 
pital dos doidos. 

Fontenclle. 

Nós é que fazemos as mulheres o que são, e 
por isso é que valem pouco. 

Mirabeau. 

Acontece muitas vezes que o homem deixa 
a mulher que tem o defeito de ser só d'elle, 
para viver com outra que talvez não tenha ou- 
tro merecimento que o de pertencer a todos. 

Rochebrune. 

Ha ainda mais homens que são mulheres pela 
fraqueza de coração do que mulheres que se- 
jam homens pela força do espirito. 

Jaucourt. 

Em amor, não ha homem franco que não ti- 
vesse sido mentiroso, homem sábio que não 
fosse louco e homem esperto que não fosse lo- 
grado. 

Faulcon 



110 



DICCIONARIO 



i Is homens dizem das mulheres o que lhes I O amor do homem é só amor, o amor da | 



vem a cabeça, e as mulheres fazem dos homens 
quanto querem. 

Ségur. 

Em amor, um homem muito lindo pôde não 
ser agradável, mas é sempre compromettedor. 
.Mad. de Girardin. 

Os homens preferem as mulheres que inspi- 
ram compaixão ás que inspiram dó. 

Mad. de Girardin. 

lia duas qualidades de homens que agradam 
muito ás mulheres, os que as adoram e aquel- 
les que as detestam. 

L. Desnoyers. 

O homem é fogo e a mulher estopa, vem o 
diabo, assopra. 

Provérbio. 
Myslerioso enigma 
Inexplicável Ser, capaz de tudo, 
Fonte de vícios, de virtudes fonte, 
Que edificas, que assolas, e que sempre 
De ruina em ruina avante marchas. 
Como um génio de morte 
Dize, o que és tu, oh ! homem ? 

D. J. G. de .Magalhães. 



mulher é amor c amizade. 

A. F. de Castilho. 

Á mulher e á vinha, o homem lhe dá ale- 
ria. 

Provérbio. 

A homem ruivo e mulher barbuda de longe 
s saúda. 

Provérbio. 

homem na praça, e a mulher em casa. 

Provérbio. 



A maior parte das mulheres honestas, são the- 
soiros escondidos que estão seguros, porque nin- 
guém os procura. 

La Rochefoucauld. 

A mais honesta mulher não resiste á tenta- 
ção de parecer seduetora; e sem querer dar es- 
peranças, não desgosta de deixar saudades. 

Mad. de Girardin. 

A honestidade das mulheres é muitas vezes 
unicamente o amor do seu descanço e da sua 



La Rochefoucauld. 

A mulher a mais honesta sempre tem um 
segundo amante no caminho do coração. 

A. Houssaye. 

Entre todas as mulheres, procuro sobretudo 
aquellas que vivem fora do casamento e do ce- 
libato. São ás vezes as mais t 



Champfort. 



ÁLBUM 



117 



As mulheres sacrificam mais vezes a sua hon- 
ra á vaidade e ao amor próprio que lhes vem 
do amante, que ao amante mesmo. 

Mad. cFArconville. 

A honra das mulheres está pouco segura quan- 
do só a guardam chaves e espiões ; não ha mu- 
lher honrada senão a que o quer ser. 



Todo o homem persuadido que a honra de- 
pende do comportamento da sua mulher, é um 
louco que se atormenta e a faz desesperar. 

Hamilton. 

A honra das mulheres está mal guardada, 
quando a virtude e a religião não estão de sen- 
tinella. 

Lêvis. 



DICCIONARIO 



IDADE 



O amor não tem idade, nasce constantemente. 

Pascal. 

Uma mulher ió tem a idade que parece. 

Rochebrune. 

Podemos ser amados em todas as idades, em- 
pregando os meios próprios da nossa idade. Na 
juventude, é pelos sentidos que chegamos ao 
coração ; na maioridade é pelo coração que che- 
gamos aos 



Rêtif de la Bretonne. 

A idade em que as mulheres ainda são mu- 
lheres não se pôde marcar; dura em quanto 
são amáveis e amadas. 

A. Dupuy. 

Cada idade tem suas molas especiaes que a 
fazem mover; mas o homem é sempre o mes- 



mo. Aos dez annos é dominado pelos brinque- 
dos; aos vinte por uma mulher; aos trinta pe- 
los prazeres ; aos quarenta pela ambição ; aos 
cincoenta pela avareza. Haverá n'este espaço de 
tempo um pequeno logar reservado á sobedoria? 

A. M. de Castilho. 

Para saber-se a idade de uma mulher, per- 
gunta-se-lhe primeiro, depois á sua mais inti- 
ma amiga, e toma-se o termo médio.— Ella diz 
que tem trinta annos; a sua amiga, que tem 
quarenta, termo médio trinta e cinco. 

A. Houssaye. 

Quatro caixinhas resumem, 
Segundo diz a exp'riencia, 
Das mulheres quasi sempre, 
As estações da existência. 

A primeira, em tenros annos, 
Guarda os doces rebuçados ; 
A segunda, ainda mais doces, 
As cartas dos namorados. 

Guarda depois a terceira, 
Comprada côr, que pintando 
Vai na face, as falsas rosas 
Quando as outras vão murchando. 



E por fim, quebrado o espelho, 
Chegado o tempo da lei 
Toda a ternura se encerra 
Na caixinha do «Agnus Dei. 



O amor é igual nas suas loucuras. Tanto 
brinca com o proletário como com omonarcha. 

Mad. de Puysieux. 

verdadeiro amor só conhece iguaes. 

Lope de Vega. 

amor nasceu republicano. 

S. Marechal. 

Um dos effeitos mais communs do amor é 
tornar as classes iguaes. 

Prévost. 



ÁLBUM 
ILLUSÃO 



H9 



Os amantes nutrem-se de illusões. 
Qui amant ipsi sibi somnia fingunl. 

Virgílio. 

Em amor, curamo-nos d'uma illusão por ou- 
tra. 

Bacon. 

Uma das mais seductoras illusões do amor, 
é crer que fazemos a felicidade de quem ama- 
mos. 

Bernardin de Saint-Pierre. 

Em quanto o coração conserva desejos, o 
espirito nutre illusões. 

Chateaubriand. 

Tu não sabes como é triste 
Ter fé no amor, crêl-o eterno, 
E lá n'um dia do inferno 
Vêl-o desfeito cair; 
Perder a luz do futuro, 
Correr sem tino e sem norte, 
E ao cabo, fitar a morte 
Que nos espera a sorrir I 

E. A. Vidal 



IMAGINAÇÃO 



As mulheres teem tanta imaginação e tanta 
sensibilidade que não podem ter lógica. 

Mad de Deffand. 

amor gasta-se mais depressa na nossa 
imaginação que na das mulheres. 

Shakspeare. 

No amor, a imaginação passa sempre além 
da realidade. 

Ricard. 

Uma mulher sempre tem virtudes aos olbos 
da imaginação. 

Bacon. 

fogo das paixões ateia-se na imaginação. 

J. J. Rousseau. 



lâO 



DICCIONARIO 



As primeiras impressões nascem das belle- 
zas moraes; as produzidas pelas bellezas phy- 
sieas apagam-se depressa. 

Mad. de Deffand. 

A maior parte das mulheres julgam um ho- 
mem pela impressão que elle produz sobre el- 
las, e não concedem talento nem merecimento 
áquelle por quem nada sentem. 

La Bntyère. 

As impressões do amor, são como uma fi- 
gura gravada no gelo, basta um raio de sol 
para desapparecer. 

Shakspeare. 

A mulher vive só de impressões. Não sente 
verdadeiramente que existe senão quando ama. 
tempo, que passou sem amar, não é para 
ella senão um sonho confuso. 

L. de Macedo 



Pela agitação que causa, a inconstância é o 
supplemcnlo da felicidade. 

Mad. de Lambert. 

Um homem que se torna inconstante sem nós 
o merecermos, não merece deixar-nos sauda- 
des. 

Mad. de Rieux. 

Quando uma mulher já não é amada, só tem 
uma coisa a fazer, 6 consolar-se por alguma 
mudança de que o seu amante lhe dá o exem- 
plo. 

Mad. Dunoyer. 

A inconstância e o amor são incompatíveis, 
o amante que muda de sentimentos, não muda, 
começa ou acaba d'amar. 

J. J. Rousseau. 

Condemnamos a inconstância das mulheres 
quando somos victimas d'ella; achamol-a en- 
cantadora quando somos a causa d'ella. 

L. Desnoyers. 



| Uma mulher que já não 6 formosa deixa de 
ser inconstante. 



Mudão-se os tempos, mudão-sc as vontades 
Muda-se o ser, muda-se a confiança 
Todo o mundo é composto de mudança 
Tomando sempre novas qualidades. 



. Camões. 



É doce, Marilia, 
Ter novos amores ; 
Obter de continuo 
Protestos, penhores. 

As ternas primícias 
De affecto recente 
São doces, suaves 
Ao peito que as sente. 

A ser inconstante 
O gosto me guia ; 
Amores pretendo 
Deixar cada dia. 

Mas tu não desprezes 
A fé que te dei, 
Que um dia, girando 
A ti voltarei. 



INDIFFERENÇA 

O homem que vive na indiferença, ainda não 
encontrou a mulher que ha de amar. 

La Bruyère. 

Nem sabbado sem sol, nem moça sem amor. 

Provérbio. 

Querendo amor sustentar-se, 
Fez uma vontade esquiva, 
D'uma estatua namorar-se : 
Depois, por manifestar-se, 
Converteu-a em mulher viva. 
De quem m'irei eu queixando, 
Ou quem direi que m'engana 
Se vou seguindo e buscando 
Uma imagem que d'humana 
Em pedra se vai tornando. 



ÁLBUM 

INDISCRIÇÃO 

As mulheres que amam, perdoam com mais 
facilidade as grandes indiscrições que as peque- 



la Rochefoucauld. 

As mulheres são indiscretas nas coisas que 
as não interessam, mas tornam-se impenetrá- 
veis para o que as interessa particularmente, 
Por muito falladora que seja uma mulher, o 
amor ensina-a a calar-se. 

Rochebrune. 



121 



Ninguém é menos indulgente para unia mulher 
que tem amantes, que uma que já os não pôde 



DICCIONAMO 



A infelicidade dos que amaram é não encon- 
trar coisa alguma que possa supprir o amor. 



Conhecemos melhor o amor pelas infelicida- 
produz, do que pelas desgraças que 
causa. 

Mad. de Chátelet. 

É uma infelicidade para a mulher, não ser 
amada; mas, o não ser já, é maior insulto. 

Montesquieu. 

É uma grande infelicidade não ser amado 
quando se ama; mas é muito maior ser abor- 
recido quando já se não ama. 



A maior infelicidade que podemos desejar ao 
nosso inimigo é elle amar sem ser amado. 



As mulheres são demónios que nos fazem 
entrar no inferno pela porta do céo. 



Saim Cyprit 



A maior parte dos homens são infiéis. Não ha 
um em que as mulheres se possam fiar ; não 
ha um que as não engane ou não esteja prom- 
pto para isso. 

Catullo. 

Perdoam-se as infidelidades, mas não se es- 
quecem. 

M. elle de Lafayette. 

Esquecem-se as infidelidades, mas não se per- 
doam. 

Mad. de Sêvigné. 

Os homens que mais faliam das infidelidades 
das mulheres, quasi sempre teem em casa a 
prova do que adiantem. 

A. Dupuy. 

A infidelidade na mulher e a descrença no 
padre são o ultimo termo da malvadez humana. 

Diderot. 

Tanto menos perdoamos uma infidelidade 
quanto nos é mais conhecida a pessoa em fa- 
vor de quem ella foi feita. 

Lingrée. 



ÁLBUM 



As mulheres sentem uma infidelidade em ra- 
zão do prazer que ella causa ás suas rivaes. 



A infidelidade consiste na violação dos jura- 
mentos, não na extincção dos sentimentos. 

Rochpèdre. 

As infidelidades em amor causam-nos gran- 
de dôr, porque são insultos ao nosso amor pró- 
prio. 

Guyard. 

Quem pena por causa leve, 
Deve ser sempre penado; 
Quem co'a vida não se atreve, 
Deve ser d'ella privado 
Se a morte faz o que deve. 
Mulher que a outrem se entrega 
Querer-lhe bem em extremo 
Vem de andar a razão cega, 
Ou do espirito ser pequeno; 
E uma d'estas não se nega. 

Bernardim Ribeiro. 

Ama*se a traição, aborrece-se o traidor. 

Provérbio. 



Amar um ingrato, é não amar pessoa alguma. 
Nihil amas c'um ingralum amas. 



Em amor, a ingratidão dos homens é quasi 
sempre o premio dos nossos favores. 

Ninon de Lenclos. 

Basta muitas vezes que nos amem mais do 
que nós amamos, para nos tornarmos ingratos. 



Coração, de que gemes, de que choras? 
Que parece tens ódio á própria vida ! 
Se perdeste teu bem, foi mão perdida, 
Com te pôr a morrer nada melhoras. 

Eu bem sei que a belleza a quem adoras 
Foi-te ingrata e cruel; foi fementida; 
Mas que esperavas tu, se é lei sabida 
O mudar-se a mulher todas as horas. 

Socega, coração, deixa a tristeza ; 

Quem te mandou querer com fé tão pura, 

Quem te mandou mostrar tanta firmeza ! 



Erraste, tem paciência, em fim procura 
Não fazer por mulher jamais firmeza ; 
Acharás mais amor. mais ventura. 



DICCIONARIO 



A innocencia está sempre rodeada do seu pró- 
prio brilho. 

Massillon. 

\as grandes cidades, a innocencia é o ultimo 
manjar do vicio. 

Rivarol. 

Uma menina pôde ser recatada e ter boa 
educação ; comtudo a innocencia e a candura 
não são garantias contra o amor. 



Quando ávido contemplo a formosura 
Tão breve é o meu prazer que foge co'ella; 

Mas bondade e lisura, 
Mas a innocencia, oh! essa é sempre bella. 

Garrett. 

Xão empregues nenhum rodeio ; que a inno- 
cencia e a justiça presidam aos teus pensamen- 
tos e dictem as tuas palavras. 



ÁLBUM 



125 



JOGO 

Não se pôde ter duas paixões dominantes ao 
mesmo tempo. O ambicioso não ama, quem bem 
ama ama somente. jogador quer perder ou 
ganhar ; quando se ama o jogo, não se ama a 
amante. 

Mad. de Rieux. 

Uma mulher que tem casa de jogo vê-se obri- 
gada a mais que um modo de vida. 



Em mulher jogadora a virtude é um efeito 
do acaso. 



Devemos admirar-nos de encontrar mulheres 
que teem uma paixão mais forte que a do amor 
dos homens ; é a ambição e o jogo. Taes mu- 
lheres tornam os homens virtuosos porque el- 
las só do seu sexo teem o traje. 

La Bruyère. 



Se julgarmos o amor pelos effeitos, parecer- 
nos-ha mais com o ódio que com a amizade. 

La Rochefoacauld. 

Os olhos e o 'coração são quasi sempre a 
fonte dos juizos das mulheres. 



A maioria das mulheres só julga os homens 
pela elegância dos trajes; aos olhos dos néscios 
a[pelle inculca a fructa. 

Ph. de Varenne. 

Julgamos uma mulher pela maneira por que 
ella traja, a extravagância da vestimenta faz- 
nos suppor a extravagância do proceder. 

A. Karr. 



Não devemos jurar amcr eterno; ninguém 
tem certeza de amar amanhã. 

Senancourt. 

Antes de jurar á mulher uma affeição exclu- 
siva, seria preciso ter visto todas as mulheres 
ou não ver senão uma. 

A. Dupuy. 

céo não tem castigo para os juramentos 
dos namorados. 
Ámantis jusjurandum panam non habet. 

Publio Syro. 

As mulheres não devem acreditar nos jura- 
mentos dos homens, porque nada lhe custa pro- 
metter e jurar. 

...Nidla viro juranti foemina credat 

Nihil metuit jurare , nihil pr&mittere parei?. 



i-:o 



DICCIONARIO 



Os juramentos sãa a moeda falsa com que se | 
pagam os sacrifícios do amor. 

Ninou de Lcnclos. 

juramento de não amar é quasi tão razoá- 
vel como o de amar sempre. 

Mad. de Puisicitx. 

Aquelle que de. boa fe promette um amor 
demo, e aquelle que acredita em taes juramen- 
tos, são ambos enganados, um pelo coração, 
outro pela vaidade. 

Lados. 

Os juramentos do amor provam a sua incons- 
tância. 

Marmontel. 

Não ba juramentos que causem mais prejuí- 
zos que os juramentos de amor. 



Não devemos fazer juramentos, e portar-nos 
como se os tivéssemos feito. 



Rochpcdrc. 



A mulbcr que se fia de bomem jurar, o que 
ganha, é chorar. 

Provérbio. 

Ea tinha promettido á minha amada 
Constância até morrer; e esta promessa 
Foi na folha de um álamo gravada, 

Mas quebrou-se depressa : 

Ergueu-se um pé de vento, 
Adeus folha, e com ella o juramento. 

Bocage. 

Uma diz que me quer bem, 

Outra jura que me quer ; 

Mas em jura de mulher 

Quem crerá, se ellas não crem ? 

Não posso não crer a Helena, 

A Maria nem Joanna ; 

Mas não sei qual mais m'engana 

Uma faz-me juramentos 
Que só meu amor estima, 
A outra diz que se fina, 
Joanna que bebe os ventos. 
Se cuido que mente Helena, 
Também mentirá Joanna; 
Mas quem mente não m'engana. 

Camões. 



ÁLBUM 



127 



LAGRIMAS 

Lagrima de mulher é tempero de malícia. 

Publio Syro. 

As lagrimas são o forte das mulheres. 

Saint Evremont. 

As mulheres, para melhor enganar aquelles 
que a ellas se chegam, ensinam os próprios 
olhos a chorar mesmo quando ellas teem von- 
tade de rir. 

P. du Bosc. 

amor canta victoria quando só as lagrimas 
de uma donzella defendem a sua virtude. 



As lagrimas são ás ' 
do amor. 



; o extremo sorriso 
Stendhal. 



Ha tão pouca differença enlre o amor c a 
dôr, que amhos se mostram por meio das la- 
grimas. 

Régnier Dètourbet 

A primeira lagrima d'amor que cac por nos- 
sa causa, parece-nos um diamante, a segunda 
uma pérola, a terceira uma... lagrima. 

A. Poincclot. 

Em amor, nada enxuga melhor uma lagrima 
que um beijo. 



Tu és pérola e brilhas suspensa 
Erma, pura no manto dos céos; 
Uma lagrima — a dôr se a condensa, 

Oh ! não cae, 

Porque vae 
Até Deus. 

Th. Braga. 

Olhae, como amor gera em um momento 
De lagrimas de honesta piedade 
Lagrimas de immorial contentamento. 



Os desgraçados na sua miséria conserram 
sempre olhos que saibam chorar. 

A dôr mais tremenda do espirito, quebran- 
tam-na e entorpecem-na as lagrimas. 

Sempiterno as creou quando nossa primei 
ra mãe nos converteu em réprobos: ellas ser- 
vem, porventura, ainda de algum refrigério lá 
nas trevas exteriores, onde é o ranger dos dentes. 

Meu Deus, meu Deus! Bemdito seja o teu no- 
me, porque nos deste o chorar. 

A. Herculano. 

N'esses teus olhos 
Enxuga o pranto, 
Celeste encanto 
Raiou, bem vês : 
E em tuas laces 
Que amor inflamnu 
Etlierea chamma 
Brilhe outra vez. 

E. A. Vidais 

Quem não viu nalguma hora 
Das muitas que tem a vida, 
Chorar a mulher que adora, 
Duma culpa arrependida ? 



DICCIONARIO 



Ou verdadeira, ou tingida. 
Quem resisto ;\o doce encanto 
De ver orvalhar o pranto 
Por uma faço querida? 

Seja ella criminosa, 
Ou justo seja o ciúme; 
Vendo-lhe a face chorosa, 
Quem solta mais um queixume ! 

NSo ama quem se não cala 
Com receios de perdel-a; 
Fallando o pranto por ella 
Xinguem se atreve a julgal-a. 

O!:! mulhor! que até podeste 
Seduzir a natureza! 
Não te bastava a belleza, 
Também lagrimas quizeste ! 

Se Deus soubesse o encanto 
Que o ver-te chorar inspira ; 
.Vão te tinha dado o pranto 
Com que adornas a mentira. 



Nas horas d'insondanel amargura, 

. mulher, banhada em pranto, 

Transluz d'entre o pavor das minhas trevas 



li suspenso me tem, horas que fogem. 
Nos céos daphantasia allucinada!... 
Na solidão da dôr, quando me acurvo 
Ao idolo da morte, e peço a campa, 
Sentada vejo al!i junto da loisa 
Imagem de mulher, banhada em pranto, 
Abrindo-ine em seus braços um refugio, 
Eu choro então por ella, e cm seus olhos 
Libando o pranto amargo, que lhe tiro 
Do coração que estala, eu sinto a anciã, 
A anciã de viver, viver por ella... 

C. Caslello Branco. 



LEMBRANÇA 

Sa o prazer amoroso não pode durar sempre, 
peio menos podemos satisfazer-nos com a lem- 
brança do passado. 

Brantóme. 

A lembrança é o aroma da alma. É a parte 
mais deleitavel do coração que se desprende 
para abraçar outro coração e seguil-o por toda 



As lembrançrs são como os eccos das paixões, 
e os sons que cilas redizem parecem por causa 
da dsstancia mais vagos e melancólicos, e que 
os torna mais seduetores ainda que a própria 
voz das paixões. 

Chaleaubriand. 

A lembrança de um bam que já não possuí- 
mos é um mal; e lembrar-nos da sua perda, é 
perdei. o novamente. 

Mad. de Sartory. 



ÁLBUM 



Lembranças, que lembrais o bem passado 
Para que sinta mais o mal presente, 
Deixae-me se quereis viver contente, 
Morrer Mo me deixeis em tal estado. 

Camões. 



leque é um traste indispensável para as 
mulheres que já não sabem corar. 

Bicar d. 



Em todos os tempos a leviandade foi o apa- 
nágio das mulheres. 

Formosis levitas semper arnica fuit. 

Propercio. 

que é mais leve que uma penna? o pó.— 
e mais leve que o pó ? o vento. — e mais leve 
que o vento ? a mulher — e mais que a mulher? 
nada. 

Quid penna levius? pulvis. Quid pulvere? ven- 
tas. Quid ventof mulier. Quid muliere? ni- 
hil. 



A leviandade das mulheres tem consequên- 
cias tanto peiores quanto fazem parecer reaes, 
culpas que não existem. 

Labouisse. 

Quem crê de ligeiro, agua recolhe no seio. 

Provérbio. 



DICCIONARIO 



LIBERDADE 

mar para já não ser livre. 

•■ erii si quis amare volet. 

Propcrcio. 

A liberdade é incompatível com o amor; um 
amante é sempre um escravo. 

Mad. Staai Delaumy. 

Pelo grau de liberdade de que gozam as mu- 
lheres, pode medir-se exactamente em cada 
paiz, em cada século, o grau de civilisação a 
que os homens teem attingido. 

Emile de Girardin. 



Os libertinos são como os hydropicos; quan- 
to mais bebem mais sede teem. 



Os libertinos não gozam os prazeres; são es- 
cravos d'elles. 



A maior das infelicidades é amar a própria 
infelicidade, e achar na libertinagem não só os 
prazeres como também o estado que nos agrada. 

Ubi turpia non solum delectant sed etiam pla- 

cent. 

Séneca. 

amor 6 um libertino que não gosta do ma- 
trimonio, porque laços demasiadamente aper- 
tados o prendem a elle. 

P. du Bosc. 

Toda a mulher tem o coração libertino. 

Pope. 



No bargante, a apparencia da virtude é mais- 
um vicio. 

Mad. d'Arconville. 



são horrendas aranhas que apa- 
nham ás vezes lindas borboletas. 



galanteio é a mentira do amor; a liberti- 
nagem é a corrupção d'elle. 

Bernardin de Saint Píerre. 

devasso gasta a vida, como o pródigo o 
oiro. 

Rochebrune. 

Não ha peior companhia para uma mulher 
que um marido devasso. 

Mad. de Puisieux. 

Os devassos, quando faliam mal das mulhe- 
res, fazem-lhes elogios. 

Rochebrune. 



ÁLBUM 



131 



LISONJA 



Quando alguém vos lisonjeia, deveis ser o 
vosso próprio juiz. 

Cum te aliquis laudat, judex tuus esse me- 
mento. 

Catão. 

merecimento dos que louvam é que faz o 
preço dos louvores. 

M. elle de 1'Espinasse. 

A mulher mais louvada é aquella em que se 
não falia. 

Mad. de Puisieux. 

Aquelle que vos lisonjeia é o vosso inimigo. 

Cardan. 

A lisonja é uma moeda falsa que só a nossa 
vaidade acceita. 

La Rochefoucauld. 

Os homens que mais adulam as mulheres são 
os que peior conceito fazem d'ellas. 

Meilhan, 



A lisonja é moeda falsa que empobrece quem 
a recebe. 

Mad. Woillez. 

As mulheres gostam tanto de lisonja, que a 
mais feia se pôde persuadir que é linda. 

Gwyard. 

que lisonjeia as mulheres parcce-lhes lindo. 

Beauchêne. 

A lisonja" perde mais mulheres que o amor; 
quando ella não consegue, a culpa não é d'ella 
mas sim do lisonjeiro. 

Lévis. 

tburibulo da lisonja desagrada ao prova- 
do merecimento. 

Castello Branco. 



As mulheres preferem os livros que as di- 
vertem aos que as ensinam; c quasi sempre 
vão de melhor vontade á escola da volúpia que 
á escola da sabedoria. 

P. du Bosc. 

Os homens fazem tão má opinião do espi- 
rito das mulheres que escrevem para ellas li- 
vros e methodos particulares, como se fazem 
para as creanças cartilhas que estejam ao seu 
alcance. 

Mad. de Rieux. 

As idéas as mais estimáveis são as que li- 
sonjeiam as nossas inclinações. Para Carlos xii 
o primeiro dos livros é a vida de Alexandre ; 
para uma mulher terna, é o poeta que pinta o 
amor. 

Helvétio. 

abuso dos livros mata a saúde e a modés- 
tia das mulheres. 

Lemontey. 



132 



Casar aos sessenta annos com uma menina 
de vinte e cinco, ó imitar aquellcs ignorantes 
que compram livros para serem lidos pelos seus 
amigos. 

Ricard. 



A loucura de um homem vale mais que a sa- 
bedoria de uma mulher. 

Salamão. 

A mulher louca, antes rebeca que roca. 
Provérbio. 

As mulheres perseguem os loucos, e fogem 
dos sábios como de bichos peçonhentos. 

Erasmo. 

Para castigar um louco, é casal-o. 

Provérbio. 

As extravagâncias são essências do verdadeiro 
amor. 

Ninon de Lenclos. 

As mais curtas loucuras são as melhores, diz 
o provérbio; mas em amor, ha loucuras que nos 
tornariam bem felizes se podessem durar toda a 
vida. 

Maã. de Chátelet. 



Ha amores tão bellos, que desculpam todas as 
loucuras que fazem praticar. 



Em amor não ha loucura que eu não tenha 
feito... excepto a de casar-me. 



Walsh. 
As primeiras loucuras obrigam a outras. 



No estado social, a única coisa razoável que 
tem o amor é a loucura. 

Rivarol. 



Se a moça for louca, andem as mãos e cale a 
bocca. 

Provérbio. 



ÁLBUM 



LOUVOR 



Não ha incenso que faça mais dores de ca- 
beça a uma mulher de que aquelle que se quei- 
ma para outra. 

Rochebrune. 

O louvor mais agradável para uma mulher, 
e" o mal que se lhe diz das outras. 

J. /. Rousseau. 

Para que os louvores concedidos a uma mu- 
lher sejam justos, é necessário que aquelle que 
a louva não espere coisa alguma d'ella. elogio 
na bocca de um escravo torna-se sempre sus- 
peito. 

Catalani. 

Algumas mulheres, nunca louvam ás outras 
senão o que ellas teem menos perfeito: é manei- 
ra delicada de para lá chamar o olhar dos ho- 
mens. 

Saint Prosper. 

Não pede louvor quem o merece. 

Provérbio. 



Grandes louvores sem inteireza não se ga- 
nham. 

Provérbio. 

Amor é um menino 

Tão velho como o mundo, 

Dos deuses o maior e o mais pequeno: 

De seu fogo divino 

Occupa o céo sereno, 

O largo mar profundo, 

A populosa terra, 

E nos olhos comtudo íris o encerra. 

Bocage. 

Lisonjas vendidas despreza o talento! 
Quem sabe o que vale, e no mundo o que é, 
Despreza da gloria o prazer d'um momento, 
Resiste á desgraça qual cedro de pé. 

C. Castello Branco. 



amor parece-se com a lua. 
ce, diminue. 



verdadeiro merecimento 
lha só depois da lua de mel. 



quando não cres- 

Sêgur. 
las mulheres bri- 

Richter. 



13i 



M 



Dois rapazes brigavam por causa de uma mu- 
lher excessivamente magra. 

—Ora, dizia um ratão, são dois cães a um 
osso. 

A magra baila na boda e não a gorda. 

Provérbio. 

A adem, a mulher e a cabra é má coisa sendo 
magra. 

Provérbio. 



DICCIONARIO 



Por muito mal que um bomem pense das mu- 
lheres, sempre as mulheres pensam peior d'elle. 

Champfort. 

Uma mulher que nos engana quando julgamos 
ser amados, não nos faz mal. Uma mulher que 
nos desengana quando pensamos que ella nos 
ama, faz-nos muito mal. 

Beauchêne. 

bomem de espirito diz mal das mulheres 
quando está zangado, confessando a si mesmo 
que é um estúpido; o estúpido diz mal das mu- 
lheres nos momentos de alegria pensando ser 
muito espirituoso. 

Lemesle. 

Quasi todos os homens qus faliam mal das 
mulheres são, ou néscios, ou vaidosos, ou vicio- 
sos, ou feios. 

L. de C. 



As mulheres bonitas que são importunas e 
pezarosas parecem vasos de alabastro cheios de 
vinagre. 



Quando tivemos a desgraça de casar com 
uma mulher má, o melhor que temos a fazer 
é ir deitar-nos ao rio de cabeça para baixo. 



Quem tem mulher má está na visinhança do 
purgatório. 

Provérbio. 

A parte mais nociva de uma mulher má é a 



As graças e a belleza sao ás vezes o véo 
que se occultam as almas mais perversas. 



A maldade mais que as rugas torna uma mu- 
lher feia. 



ÁLBUM 



135 



Para fugir da trovoada das paixões, o casa- 
mento com uma mulher boa é um porto na 
tempestade, mas o casamento com uma mulher 
má é uma tempestade no porto. 

Petit Senn. 

Sempre nos arrependemos de termos sido 
maus para aquelles a quem temos amado. As 
culpas do amor esquecem-se, os remorsos do 
ciúme, não. 

Ricard. 

Ainda não está na cebaça já é vinagre. 

Provérbio. 



MÃO 



A primeira felicidade que nos pôde dar o 
amor é o aperto de mão da mulher a quem 
amamos. 

Stendhal. 

Estamos nas mãos do amor como as bolas 
nas mãos dos jogadores de péla. 

Saint Evremont. 



marido da mais recatada e virtuosa mu- 
lher é menos feliz que aquelle que a não tem. 



Um marido é um emplastro que cura todos 
os males das raparigas. 

Molière. 



Em França, quasi nunca os maridos faliam 
de suas mulheres; é porque temem de fallar 
diante de quem as conheça melhor do que elles. 

Montesquieu. 

Um marido que falia sempre na virtude da 
sua mulher é um tolo que quasi sempre se en- 
gana. 

Dupuy. 

Marido que não é amado o pagará caro um 



Fabre d'Eglantine. 



136 



DICCIONARIO 



A maior parte dos maridos pacíficos deixa- 
riam de o ser se amassem ainda. A sua mode 
ração 6 iillia da indifferença. 

Dupity. 

Toucas mulberes amam seus maridos; ha 
poucos maridos que apezar das distracções não 
lenham affecto por suas mulheres. 

Jf. eBa de Sommery. 

marido que mostra muito a mulher e a 
bolsa, arrisca-se a emprestal-as. 



Um marido é sempre um homem de espirito; 
nunca lhe vem á cabeça o casar-se. 



A. Dumas. 
marido e o linho não é escolhido. 



Perda de marido, perda de alguidar; um que- 
brado, outro no poyal. 

Provérbio. 



Laura diverliu-se muito 
N'uma funcção menos mê 

B 

Qual foi o divertimento? 
-A. 

Não ter o marido lá. 



Bocage. 



Quanto és, Dido, desgraçada 
Com dois maridos no mundo! 
Foges, morrendo o primeiro, 
Morres, fugindo o segundo. 



Bocage. 



É pelas mulheres que os médicos ganham 
reputação; é pelos médicos que as mulheres fa- 
zem as suas vontades. 



Os homens só chamam os médicos quando 
se acham doentes; as mulheres mandam-nos 
buscar quando se sentem aborrecidas. 

Mad. de Genlis. 

Quando o enfermo diz ai; o medico diz, dai. 

Provérbio. 

Lavrou chibante receita 

Um doutor com todo o esmero; 

Era para certa moça, 

Que ficou sã corno um pêro. 

«Tão cedo! É milagre!» (assenta 

A mãe, que de gosto chora) 

«Minha mãe, não é milagre, 

Deitei o remédio fora.» 



Bocage. 



O amor 6 como o medo, faz-nos capacitar 
de tudo. 

Mad. iVAulnoy. 

As mulheres que amam estão sempre com 
medo de não serem amadas; as que não amam 
pensam sempre que o são. 

L. Desnoyers. 

medo é o defeito das mulheres. 

Mad. de Rieux. 



primeiro amor que entra no coração 6 o 
ultimo que sae da memoria. 

Petit Sem. 



As meninas aprendem mais depressa a sen- 
tir que os homens a pensar. 

Voltaire. 

Os homens e as mulheres gostam mais das 
meninas que dos rapazes; o homem vê já na 
menina uma amante para o futuro, a mulher 
vê no rapaz o amante futuro de outra mulher. 

Gretry. 

Uma esposa que o é contra a sua vontade, 
torna-se uma inimiga, diz Plauto; e uma me- 
nina obrigada ao casamento, mais tarde ou 
mais cedo appella para o amor. 



A belleza de uma menina deve dirigir-se á 
imaginação e não aos sentidos como a de uma 
mulher. 

A. Karr. 

Uma menina é um enigma que só se entende 
depois do casamento. 



138 



DICCIONARIO 



Um menino não ê um homem, mas uma me- | 

nina ê uma mulher em ponto pequeno. 

.4. Karr. 

Moça virtuosa, Deus a esposa. 

Provérbio. 

Nem de menina te ajuda, nem cases com 
viuva. 

Provérbio. 

Que ! De tão tenra edade nos verdores 
Ninguém te pôde ouvir, mimosa Isbella, 
Nem ver teus olhos sem morrer de amores ! 
Ah! fosses mais crescida ou menos bella : 
Para causares as feridas nossas 
Espera o tempo em que saral-as possas. 

Bocage. 



Em amor, quando uma mentira não é acre- 
ditada é só de temer para quem a diz. 



A infidelidade e a mentira nunca se devem 
perdoar aos amantes; porque se parecem com 
as creanças que não sendo severamente casti- 
gadas esquecem logo as suas faltas. 

Mad. de Rieux. 



As mulheres mentem com tanta graça, que 
nada lhes fica melhor que o mentir. 

Byron. 

Um estudante, ao passar por uma senhora, 
disse-lhe : 

—Eis a mais linda mulher que tenho visto. 

A senhora olhando para elle, e-aebando-o 
muito feio, respondeu: 



— Sinto não lhe poder dizer outro tanto. 
—Pois minha senhora, redarguiu o estudan- 
te vexado, faça como eu, minta. 



Não, não creio nos teus olhos ; 
Se eu já sei o que elles mentem í 
Se conheço á minha custa 
Que o que dizem não sentem ! 
Oh ! quem me dera ignoral-o 
Para ser feliz ainda... 
Era feliz com mentira, 
Mas se é mentira é tão linda. 



Garrett. 



Poupando votos 
A loira Isbella, 
Se Amor fatiasse 
Nos olhos d'ella : 

De almos prazeres 
Me pousaria 
Cândido enxame 
Na phantasia : 

Outros, que as almas 
Também têm presas 
Se regosijam 
De ouvir finezas : 



ÁLBUM 



139 



Eu antes quero 
Muda expressão; 
Os lábios mentem 
Os olhos não. 



Bocage. 



MILAGRE 



maior milagre do amor é curar do ga- 
lanteio. 

Rochefoucaukl. 

Os milagres do amor são tanto mais acredi- 
tados, que a maioria dos homens conservam 
no coração lembranças que justificam a sua 
credulidade. 

Ricarcl, 



Contae (disse) senhor, contae de amores 
As maravilhas sempre acontecidas 
Que ainda de seus fios cortadores 
No peito trago abertas as feridas, 



Ah ! Senhora, em quem se apura 
A fé do meu pensamento 1 
Escutae e estae a tento, 
Que com vossa formusura 
Eguala Amor meu tormento. 



E, posto que tão remota 
Estejaes de m'escutar 
Por me não remediar, 
Ouvi, que pois Amor nota, 
í.filaíji-ps se hão de notar. 



D1CC10NARI0 



MOCIDADE 



Não serve de nada ser moça scai ser bella, 
a sem ser moça. 

La Rochefoucauhl. 

1'ica bem a um homem que já não é moro, 
i s pecer-se que o foi. 

Saint Evremont. 

impunemente que o coração conserva 
le quando o corpo já a não tem. 

J. J. Rousseau. 

Amue cedo se quizerdes amar tarde. Não ha 
amores que passem além do tumulo, senão os 
que principiaram no berço. 

Bcrnardin de Saint Pierre. 

Lamentarmos a nossa mocidade 6 quasi sem- 
ios saudade de uma mulher linda que 
ranou. 



Gigante tio porvir, oh mocidade. 

Erguei a fronte altiva 
Entre as brancas cabeças da velhice, 

Como ao sopro vital da primavera. 
O pimpolho gentil se desabrocha 
Entre os já serros e curvados troncos. 

D. J. G. de Magalhães. 



Ha tanta fraqueza em i 
em ostental-a. 



gir da moda como 



La Bruyère 



A moda, esse idolo da mocidade, ( 
ruinosa de todas as vaidades. 



Se ha maior louco que aquelle que segue as 
modas, é aquelle que d'ellas foge. 

Yowng. 

As mulheres gostam da moda porque lhes dá 
uma nova juventude cada mez. 

Mad. de Puisieux. 

As mulheres muitas vezes tiram das modas, 
agrados que seriam defeitos se lhes tivessem 
sido dados pela natureza. 

Rochpèdre. 

império da moda, torna imbecis todos aquel- 
les que a ella se curvam. 

Miss. Edgeworth. 



ÁLBUM 



A moda 6 um verniz que só tem acção so- | 
bre a mediocridade. 

Rochebrane. 

Andava um doido pelas ruas esfarrapado e 
quasi nó, trazendo debaixo do braço uma por- 
ção de panno que lbe chegava para se vestir. 
Porque te não vestes tendo esse panno, diziam - 
lbe. 

—Porque estou vendo em que param as mo- 



MODERAÇAO 



A temperança e a moderação servem de pas- 
saporte para uma feliz vclbice. 

Plutarco. 

A moderação 6 o mais fino e o mais deli- 
cado dos prazeres. 

Mad. Brisson. 

Em amor, a economia dos sentimentos e dos 
prazeres é a única metapbysica razoável. 

Ninem de Lenclos. 

Todos os prazeres estão no gozo e não no 
excesso do gozo. 

Mirabeau. 



A mulher que troca a modéstia por a ousa- 
dia, perde metade dos seus encantos. 

Mad. de Grafigny. 

A modéstia nas mulheres é o amor de todas as 
virtudes; o descaramento parece patentear todos 
os vicios. 

Richardson. 

As mulheres em coisa nenhuma devem estar 
nuas; é preciso que o véo da modéstia esconda 
até os dotes do espirito, 

Toung. 

Nas mulheres, a modéstia tem grandes van- 
tagens; augmenta a belleza e esconde a feal- 
dade. 

Fontenelle. 

A modéstia é uma virtude tanto mais preciosa 
nas mulheres, que fazemos tudo para que cilas 
a percam. 



A modéstia é uma salvaguarda para a mu- 
lher que quer ser recatada, é uma mascara de 



DICCIONARÍO 



prudência para a que o não é, e um artificio 
feliz para a quo já o não quer ser. 



A mulher é como o pyrilampo : brilha em 
quanto eslá na escuridão; logo que apparece ú 
claridade sõ se lhe acham defeitos. 



Em amor, basta um momento para tornar 
uma penitente peccadora. 



A dor conta os momentos, a felicidade esque- 
ce-os. 

Mad. Wottley. 

amor contrariado não vê obstáculos, e o 
amor feliz conta os momentos perdidos. 

Diderot. 

Deus não quíz conceder-nos o talento, 
Que possue a mulher: nós não achamos 
Uma phrase sequer em tal momento ! 
Será porque talvez mais adoramos, 
E debalde a expressão do que sentimos 
Exprimir em palavras procurámos ? 

Bulhão Pato. 



amor nunca morre de fome, mas sim ás 

vezes de indigestão. 

Ninou de Lenclos. 

Uma mulher que prefere a morte do amante á 
inconstância, ama-se mais a si do que a elle, 
e está mais presa ás doçuras do amor de que 
a quem lh'as dá. 

Rochebrune. 

Via -se em Roma esta inscripção sobre o tu- 
mulo de dois esposos : 

—Pára, viandante, admira esta maravilha; um 
homem e uma mulher que estão sem brigar. 

Mear d. 

Conhecemos a morte pela primeira vez quan- 
do ella accommette quem nós amamos. 

Mad. de Stael. 

Quando a alma d'aquelles que se amavam 
esqueceram a sua ternura, a morte tem pouco 
que nos roubar. 



Uma menina de dezeseis annos chamada Flora 
tendo morrido, o poeta Santeuil fez-lhe este epi- 
taphio : 

Fios fueram factus; florem fortuna fefellU 
Florentem florem florida flora fleat. 



Uma mulher linda deve morrer nova, uma 
mulher honrada deve morrer edosa. 

Joubert. 

A mulher nasce de nada, e morre de tudo. 

A. Karr. 

As mulheres rendem-se e não morrem. 

Ch. de Bernard. 

Ha um só momento em que as mulheres de- 
viam morrer, é quando deixam de ser amadas. 

Mad. Sophie Gay. 

Murchou da morte a mão mirrada e fria 
A mais viçosa flor da formosura. 
Morreu Filis ! mudou-se em sombra escura 
A luz que á das estrellas excedia. 



ÁLBUM 

Emmudeccu do canto a melodia 
Seccou-se a doce fonte da ternura ! 
Chorae, Nymphas. de fúnebre verdura 
Coroae as alvas testas n'este dia. 

E vós, cedros, que os ramos debruçando 

Parece que com voto reverente 

Sobre esta urna estaes sombra espalhando 

Não consintaes que nunca sol ardente 
Venha seccar o pranto, que chorando 
Sobre este jaspe estou tão descontente. 

D. dos Reis Quita. 

Nem bode sem canto nem morte sem pranto. 

Provérbio. 

Os olhos onde o casto Amor ardia, 
Ledo de se ver n'elles abrazado : 
O rosto, onde, com lustre desusado 
Purpúrea rosa sobre neve ardia ; 

O cabello que inveja ao sol fazia, 
Porque fazia o seu menos doirado; 
A branca mão, o corpo bem talhado 
Tudo aqui se reduz a terra fria. 

Perfeita formosura em tenra edade, 
Qual flor, que anticipada foi colhida, 
Murchada está da mão da morte dura. 



143 



Como não morre Amor de piedade? 
Não d'ella, que se foi á clara vida 
Mas de si que ficou em noite escura. 

Camões. 



A morte!... Sim a morte; ouvi-lhe o brado, 
Senti ranger-lhea formidável foice 

Com que as minadas mãos lhearmou o Eteru 

Porque, Senhor, do chãos tumultuario 
Tão bella e esperançosa ergueste a vida, 
Se ao pé da vida collocasie a morte? 



Ai! misero, que penso! E um dia, um dia 

Virá também, ó Júlia 
Em que os teus mimos, os teus dons celestes 
Devam ceder a um bárbaro destino ! 

Então teus lindos olhos, tua bocca 

Serão matéria informe ; 
Já não existirá teu brando riso, 
E, extincta a falia, guardarás silencio. 



DICCIONARIO 



Oh quem morro o feliz... Ai Jo que vive 
Entregue á negra dôr, dado ao martyrio, 
s da oppressSof... 

.! alma, 
Vende-se o pensamento.., a crença estala; 

/. <t Aboim. 



MULHER (COSTRA A) 

Dal vcniam corvis, vexat censura columbas. 

Juvenal. 
A mulher é mais amarga que a morte. 

Salamão. 

Em mil homens encontrei um bom, em todas 
as mulheres, nenhuma. 

Salamão. 

Diógenes ao vêr uma mulher enforcada n'uma 
arvore, exclamou : Por Júpiter, seria bom que 

iodas as arvores tivessem similhante frueta, 
Ricard. 

mar encerra menos peixes e o céo tem me- 
nos estrellas do que a mulher maldades. 
Codro. 

Terrível é a violência das aguas do mar fu- 
rioso, terrível é o sopro do fogo, terrível é o re- 
demoinho das torrentes, terrível é a pobreza, 
terríveis são mil flagellos, mas nenhum é mais 
terrível que a mulher. 

Euripides. 



Lindas ou feias as mulheres nada valem: feias 
enjoam, lindas fazem dores de cabeça. 
Bion. 
A mulher 6 o peior dos males. 

Euripides. 

A terra e o mar produzem grande multidão 
de feras, mas de todas a maior é a mulher. 

Menandro. 
Comparo a mulher com a panthera, porque 
todas as suas partes são eguaes. Nos pássaros, 
a analogia da mulher é a perdiz, nos reptis é 
a víbora, 

Aristóteles. 

As mulheres são tão fataes ao género humano 
que mesmo as honradas causam a desgraça de 
seus maridos. 

Hesiodo. 

A natureza só faz mulheres quando não pôde 
conseguir fazer homens. 

Aristóteles. 

Seria mais fácil encontrar um cysne preto 
que uma mulher verdadeiramente virtuosa. 



ÁLBUM 



Para quê se ha de amar a algumas mulheres 
quando uma basta para nos fazer soffrer todas 
as misérias humanas ! 

Propercio. 

Sem as mulheres, os homens teriam conver- 
sado com os deuses. 

Cicero. 

Não ha crime que uma mulher »não possa com- 
metter. 

Plauto. 

É mais difficil achar uma mulher boa, que 
um corvo branco. 

S. Gregório. 

Estarmos sempre com mulheres sem nos tor- 
narmos criminosos é mais difficil do queresus- 
citar os mortos. 

S. Bernardo. 

Uma mulher boa é mais rara do que a phe- 
nix. 

S. Jeronymo. 

Fujo das falias de uma mulher como do as- 
sobio de uma vibora. 

S. Pedro. 



Só se passam dois dias agradáveis com a mu- 
lher n'este mundo: o dia do nosso casamento e 
o dia. do seu enterro. 

Vel in íhalamo vel in tumulo. 

A mulher é um lindo defeito da natureza. 

Milton. 

As mulheres só tem almas pequenas. 

Montesquieu. 

A mulher é um manjar digno dos deuses quan- 
do não temperado pelo demónio. 

Calderon. 

As mulheres não devem ser contadas no nu- 
mero dos individuos da espécie humana. 

Cujas. 

As mulheres são pérfidas como as ondas. 

Shakspeare. 

As mulheres são bellas como os seraphins de 
Klopstock e terríveis como os demónios de Milton. 



E' um phenomeno encontrar uma mulher que 
torne feliz o marido. 

M. cll ° de Sommery. 

As mulheres que só amaram a seus maridos 
são mais raras que as pérolas no seio dos mares. 



Um homem de palha vale uma mulher de 
oiro. } 

Provérbio. 

A sombra de um homem vale mais que cem 
mulheres. 

Provérbio. 

As mulheres foram postas na terra para affas- 
tarem os homens da razão. 

Lemesle. 

Casaria antes com uma mulher pequena que 
com uma grande, porque de dois males o menor. 

Commerson. 

A mulher é um diabo muito aperfeiçoado. 

V. Hugo. 



As mulheres só são alguma coisa quando os 
homens nada são. 

Chainnette. 

Deus fez a mulher, a serpente completou-a. 

C. Daumas. 

Para quem perde a mulher e um tostão, a 
maior perda é a do dinheiro. 

Provérbio. 

A mulher sara e adoece quando quer. 
Provérbio. 

É que o amor da mulher é como a grimpa, 

Que um sopro faz voltar; 
Ou ar, ou fumo, ou vento, mariposa, 

Constante em revoar. 

É que o amor da mulher é como o lago 
Cujo a nuvem sombreia toda a flor, 
É que o amor da mulher, se acaso existe 
E como a vaga, traidor. 

Gonçalves Dias. 

Mulher se queixa, mulher se doe, mulher en- 
ferma quando ella quer. 



Mulher formosa, ou doida ou presumpçosa. 

Provérbio. 

As mulheres onde estão, subejam; e onde não 
estão, faltam. 

Provérbio. 

A mulher que perde a vergonha, nunca a co- 
bra. 

Provérbio. 



MULHER (PRÓ) 

As mulheres valem mais que os homens, es- 
tão mais levadas a dedicarem-se á felicidade 
alheia. 

Mad. de Puisieux. 

Deus arrependeu-se de ter feito o homem, 
mas não de ter feito a mulher. 

Malherbe. 

A mulher é a obra prima do universo. 
Lessing. 
mais bella metade do 
J. J. Rousseau. 



As mulheres 
mundo. 



Amante, filha, irmã, esposa, mãe, avó : nes- 
tas seis palavras encerra o coração humano o 
que ha mais doce, mais sagrado, mais extático 
e mais puro. 

Massias. 



ÁLBUM 



Na origem das grandes coisas sempre ha uma 
mulher. 



A mulher é a mais bella e preciosa jóia ti- 
rada do cofre de jóias de Deus para o adorno 
e a felicidade do homem. 

A. Guyard. 

A mulher é o ente mais perfeito da creação, 
é uma creatura intermediaria entre o homem e 
anjo. 

Balzac. 

coração da mulher 6 um abysmo de amor. 

Sainte Foix. 

Quando nos lembramos quanta ternura, quan- 
tos cuidados, quanta protecção, quantos en- 
cantos, quanta graça, quanta felicidade, e 
quanta consolação as mulheres trazem á vida 
do homem, temos desejo de fallar-lhes 
com a cabeça descoberta e de joelhos. 

L. Desnoyers. 



A ternura não tem fontes mais profundas, a 
dedicação abandonos mais sublimes, e o sacri- 
fício actos mais santos que na mulher. 

Sainte Foix. 

Sem a mulher o homem seria rude, gros- 
seiro e solitário, e não conheceria a graça que 
é o sorriso do amor. A mulher suspende em 
roda d'elle as flores da vida, como o cipó dos 
bosques adorna o tronco dos carvalhos com suas 
grinaldas perfumadas. 

Chateaubriand. 

Quem diz mulher diz amor. 
Quem diz amor diz poesia...' 



Deus também quiz ser escriptor. A sua prosa 
é o homem, a sua poesia a mulher. 

Napoleão i. 

A mulher é entre os selvagens um animal 
de trabalho, entre os orientaes um movei de 
luxo, entre nós uma creança cheia de mimo. 

A. 31. de Castilho. 



Divindade extraordinária a quem seus pró- 
prios ministros e sacrificadores insultam ado- 
rando-a, e que de cima de seu altar, frágil mas 
eterno, inalterável em sua mansidão, derrama 
sobre bons e maus a felicidade. 

A. F. de Castilho. 

Os homens faliam sempre na sua valentia, 
na sua intelligencia, na sua força; nunca ouvi- 
mos as mulheres fallarem na sua ternura, na 
sua dedicação, na sua bondade e no seu es- 
pirito. 

Qual é mais apreciável? 

L. de C. 



14S 



Os deuses deram a musica aos homens para 
abrandar as suas paixões. 

Platão. 

Ao aprenderem musica é que muitos cora- 
eadem o amor. 

Iiicard. 

O amor inventou a musica, até aos animaes 
a ensina. Quanto mais os pássaros estão namo- 
rados, mais cantam; e os machos, separados 
das fêmeas, morrem ás vezes no meio dos seus 
cantos damor. 



Se o amor acha encantos no mysterio, tam- 
bém n'elle encontra grandes perigos. 

Chabanon. 

Quanto mais mysterioso é o amor, mais for- 
ça tem; e quanto mais o escondem, mais elle se 
mostra. 

Mad. de Sartory. 

Ha mysterios 

Que melhor é não saber... 
É mui fundo o oceano, 
Tentar sondal-o... é morrer. 

Castello Branco. 



ÁLBUM 



NAMORO 



Apezar dos insultos do tempo, sempre nos 
recordamos com prazer dos namoros da nossa A mulher virtuosa diz— não; a mulher apai- 



NÂO 



Em amor, sim e não depressa se dizem, mas 
é preciso pensar bem antes de o dizer. 



mocidade; é o aroma da innocencia que nos se- 
gue até ao tumulo. 

Ricard. 



xonada— sim; a caprichosa, sim e não; a na- 
moradeira, nem sim, nem não. 

Ch. de Bernard. 

A mulher que quer recusar, diz não; a que 
entra era explicações, quer ser convencida. 

A. de Musset. 

Tarde dar e negar, estão a par. 

Provérbio. 



amor 6 como a medicina, é" unicamente a 
arte de ajudar a natureza. 

D. Lallemand. 

De todos os corpos da natureza, o mais pe- 
sado é o da mulher que já não é amada. 

Lemontey. 

Do mundo as nuas espaldas 
Já se vestem de esmeraldas, 
Onde a aurora vem chorar; 
Perde o céo antigas iras, 
E já se alastra em saphiras 
Que, manso, retrata o mar. 



Três coisas fazem mudar a natureza do amor, 
a mulher, o estudo e o vinho. 



150 



DICCIONARIO 



.NOME 

Quando urna mulher profere o nome de um 
homem duas vezes ao dia, pode-sc duvidar qual 
■ limeuto que ella tem por elle, mas 
se proferir este nome três vezes!!... 

Balzac. 

Uma mulher acha que o seu nome dito de 
certa maneira por um amante vale o mais elo- 
quente dos discursos. 

C/i. de Bernard. 

Um dos signaes sensiveis da inferioridade das 
mulheres é perderem o nome ao casarem. N'este 
costume ha uma revelação. Entre os romanos, 
a mulher conservava o seu nome de solteira. 
Na Suissa e n*outros paizes, o marido accres- 
centa ao seu nome o da. esposa, compondo, por 
este meio. um nome duplicado que patenteia a 
vida commum. 

D. Stem. 

Alma fadada com o poder immenso 



Qu. 



Os segn 



tue tudo sabe. 



Dize-me o nome, o nome seu, da fada 
Que me levou no olhar esta alma presa 1 
Tu o sabes por certo, sabe-o a lyra 
Que se repousa inerte nos teus braços. 

Th. Braga. 

Significação de alguns nomes de origem grega: 

Amélia — cuidadosa. 

André— generoso. 

Catharina— pura. 

Margarida— pérola. 

Sophia— sabedoria. 

Victor— vencedor. 

Sebastião— soberbo. 

Thomaz— admirável. 

Marcellino— guerreiro. 

Filippe— amigo de cavallos. 

Basílio— real. 

Emilio— gracioso. 

Ensebio— piedoso. 

Gregório— vigilante. 



Em amor, basta uma noite para tornar um 
homem um deus. 

Propercio. 

A noite e a solidão dispensam a pudicicia, 
mas não a castidade. 



A noite sempre foi favorável aos namorados. 



Corre a noite, jaz muda a natureza, 

Os campos solitários esmorecem : 

Mal se ouve ao longe o estrondo da corrente: 

De quando em quando a lua desmaiada 

Mergulha em nuvens, surde, outra vez morre; 

E das planícies a extensão geosa 

Ora resae e alveja, ora se apaga. 

A. F. de Castilho. 

Noite ! Noite ! Que mão te ha desdobrado 
Das alturas do céo, assim no mundo? 



ÁLBUM 



Escuta, ó noite magestosa, as tristes 

Endeichas, que uno á lyra : 
Esofuta meus saudosos pensamentos. 

Feliz quem te contempla 
Na tua doce, e lúgubre tristeza ; 

Quem teus influxos goza. 
Tu és allivio salutar d'aquelle, 

Que iniqua Vénus punge : 
Tu doces commoçoes infundes n'alma 

De quem ausente vive. 

F. E. Leoni. 

Nas horas mortas da noite 
Como é doce o meditar 
Quando as estrellas scintillam 
Nas ondas quietas do mar ; 
Quando a lua magestosa 
Surgindo linda e formosa, 
Como donzella vaidosa 
Nas aguas se vai mirar. 

J. M. de Abreu. 



NOVIDADE 



A novidade é muitas vezes o esquecimento 



Bacon. 

A graça da novidade está para o amor como 
a flor para a fructa; dá-lhe um lustro que se 
apaga facilmente e que nunca mais volta. 

La Rochefoucauld. 

A novidade no amor tem tantos encantos que 
ha poucos corações que lhe saibam resistir. 

Mad. de Sartory. 

Quando a novidade acaba, quasi sempre mor- 
re o amor, porque então nada fica, já não existe 
a novidade e ainda não existe o habito. 



O maior dos obstáculos á duração dos fogos 
do amor, é nutrir-se unicamente a si mesmo, e 
não ter mais dificuldades por vencer. 

J. J. Rousseau. 

Os amantes seriam felizes se os seus desejos 
fossem alimentados por contínuos obstáculos; 
é tão necessário para a felicidade conservar os 
desejos como satisfazel-os. 

Duelos. 

Os obstáculos excitam o amor. 

Ricard. 

No casamento não ha amor, porque o não 
pode haver onde não existem obstáculos. Se 
Laura tivesse sido a esposa de Petrarca, este 
não teria passado a vida a escrever sonetos para 
ella. 

Byron. 



Só a falta d'occasião pode tornar virtuosa a 
mulher que o não é naturalmente. 



No amor é mais fácil fugir das occasiões que 
saber-se esquivar bem d'ellas. 

Mad. de Rieux. 

Tudo quanto uma mulher pode razoavelmente 
prometter, é não procurar as occasiões. 

Levis. 

As mulheres perdoam ás vezes, aquelles que 
abraçam a occasião, mas nunca aquelles que a 
deixam perder. 

Dupuy. 

A occasião é uma frueta que se deve apanhar 
quando madura, porque depois de caida não se 
pôde mais prender á arvore. 

Ph. de Varenne. 



mais esperto de todos os diabos, aquelle 
que tenta as mulheres, é o diabo chamado — 
occasião. 



ÁLBUM 



Vénus ama a ociosidade. Quereis despedir o 
amor, trabalhae: é uma creança que só se pren- 
de aos ociosos. 



Res age, íulus eris. 



Ovídio. 



É não fazendo coisa alguma que as mulhe- 
res aprendem a fazerem o mal. 
Nihil agendo mulkres male agere discunt. 

Publio Syro. 

Quanto mais ociosas estão as mulheres, mais 
o seu coração tem que fazer. 

Dubay. 

homem ocioso é como a agua estagnada, 
corrompe-se. 

Laténa. 

Boa mulher nunca está ociosa. 

Provérbio. 
Mocidade ociosa não faz velhice contente. 

Provérbio. 



| Os campos em pousio produzem plantas inu- | 
teís, ás vezes prejudiciaes, e em vez de louras 
messes de espigas, onde a fortuna ri, dão sar- 
ças e cardos. Assim o espirito ocioso se desata 
em pensamentos inúteis e maus, e, em vez de 
produzir idéas salutares e proveitosas, produz 
com deplorável fecundidade, idéas de vicio e 
de crime ás vezes. 

A. M. de Castilho. 



Aquelle que passa repentinamente do amor 
para o ódio ainda é escravo do amor. 



Um grande ódio que segue um grande amor , 
mostra ainda mais amor. 



Em quanto se odeia muito, ama-se ainda um 
pouco. 

Mad. Deshoulières. 

As mulheres são mais constantes no ódio que 
no amor. 

Goldoni. 

As mulheres ciosas odeiam tanto os amantes 
que as abandonam como aquelles por causa de 
quem foram abandonadas. 

J/.« lle de Scudéri. 






DICCIONARIO 



Para odeiar bom uma pessoa é preciso amar 
a outra: o ódio serve de contra-peso ao amor. 



Os olhares são os primeiros escriptinhos dos 
amantes. 

Ninon de Lenclos. 

olhar de uma mulher nova e" um encan- 
tador interprete que diz o que a bocca não se 
atreve a proferir. 

Êlarivaux. 

Os olhares são as armas da garridice virtuo- 
sa. Tudo se pode dizer por meio de um olhar 
e todavia o olhar pôde ser desmentido porque 
não pôde ser textualmente reproduzido. 

Stendhal. 

Os olhares dos homens embellezam as mu- 
lheres, como os raios do sol as flores. 



Se quereis que uma namoradeira olhe para 
vós, não olhae para ella. 



As mulheres vêem sem olhar, ao contrario 
dos maridos, que olham sem ver. 

Desnoycrs. 

As mulheres prendem os corações com seus 
olhares: quanto mais innocentes são os cora- 
ções mais tempo ficam presos. 

A. Dumas. 

olhar de um homem é um desejo; o olhar 
de uma mulher é uma dadiva. 



ÁLBUM 



I;i5 



Com as mulheres o homem sahio não só de- 
ve prender as mãos como também os olhos. 
Isocrate. 

Cegar os olhos é fechar duas portas ao amor 
e abrir mil a sabedoria. 

Salamão. 

Os olhos da mulher matam como os do ba- 
silisco. 

Carpit enim vives paulatim, uritque viden- 
do fcemina. 

P. du Dose. 

Os olhos corrompem o coração; este seria in- 
nocente se aquelles não fossem culpados. Os 
olhos são as janellas da alma, é por esse ca- 
minho que penetram os vicios. 

Vitiis nostris in ânimos per óculos via est. 

Ch. de la Fcrrièrc. 
Os olhos attrahem o amor e este, para elles 



Propercio. 



Não é fácil levar os homens a pôr a razão 
no logar dos olhos. 

Fontenelle. 

A linguagem do coração não precisa palavras; 
está escripta nos olhos. 

Seus olhos, tão negros, tão bellos, tão puros 

De vivo luzir, 
São meigos infantes, gentis, engraçados 

Brincando a sorrir. 

Seus olhos, tão negros, tão bellos, tão puros 

Assim é que são. 
Eu amo esses olhos que faliam de amores 

Com tanta paixão. 

Gonçalves Dias. 

Olhos, que vos moveis tão docemente, 
Que traz vós todo o mundo ides levando, 
Eu não sei se tomaes do céo luzente 
O movimento seu, se lh'o estaes ciando. 
Sei certo (e não m'engano) sei somente 
Que a vós de mi minha alma ides passando : 
Mas não posso entender como deixaes 
Ao descuido o que vós em vós levaes. 

Camões. 



Quem não é mulher, muitos olhos 6 mister. 
Provérbio. 



Vossos olhos, senhora, que competem 
Com o sol em belleza e claridade, 
Enchem os meus de tal suavidade 
Que em lagrimas de vêl-os se drwt>'m. 



Camões. 



Por teus olhos, negros, negros, 
Trago eu negro o coração 
De tanto pedir-lhe amores 
E elles a dizer que não. 

E mais não quero outros olhos, 
Negros, negros como são ; 
Que os azues dão muita esp'rança 
Mas íiar-me eu n'elles, não. 

Só negros, negros os quero ; 
Que em lhes chegando a paixão, 
Se um dia disserem, sim... 
Nunca mais dizem que não. 



156 



DICCIONARIO 



Dos lindos olhos de modesto brilho. 
K mineis, e tranças onde amor se enleia, 
Já toem por certo valioso preço 
Amam-se muito. 

F. E. Leoni. 



verdadeiro orgulho de uma mulher deve 
estar na energia do sentimento que elle inspira. 



orgulho é muitas vezes um obstáculo ao 
ciúme ; quem muito se estima não teme rivaes. 



Rochpèdre. 



ouro attrahe o amor, e sendo rico, até um 
Bárbaro agrada. 



ouro dá belleza mesmo á fealdade. 
Boileau. 



Não caseis com uma mulher que vos não 
ama, embora ella vos dê uma mina de ouro. 

Lope de Vega. 

amor sem liga é tão difficil de encontrar 
como o ouro puro. 



ouro e os presentes teem uma eloquência 
muda que transtorna o coração da mulher, me- 
lhor que os mais bellos discursos. 

Shakspeare. 



ÁLBUM 



Oiro, poder, encanto ou maravilha 
Da nossa edade, regedor da terra, 
Estatua colossal com pés d'argilla 
Que dás honra e valor, virtude e força, 
Que tens oífertas, oblações e altares, 
Embora teu louvor cante na lyra, 
Vendido Menestrel que pôde insano 
Do grande á porta renegar seu génio ! 
Outro sim que não eu... 

Gonçalves Dias. 

Aonde o ouro falia tudo calla. 

Provérbio. 

Cresce o ouro bem batido, como a mulher 
com bom marido. 

Provérbio. 

Podiam ser felizes meus 2mor- i 
Quando por oiro o amor se não vendia : 
Já de palavras Nize desconfia, 
Só crê ou em <1uiVJiro ou em penhores. 

Vui me assaltado d'ancias e temores 
Quando na porta irada me batia : 
Por costume infeliz ella sabia 
Que era algum dos cançados acredores. 



Foram-se os dias bemaventurados 

Em que só almas grandes, peitos nobres 

Eram do deus de amor agasalhados : 

Negro destino hoje preside aos pobres : 
Poz termo a bella Nize aos seus agrados, 
Vendo esta bolça condemnada a cobres. 

N. Tolentino. 



Devemos procurar uma mulher antes com os 
ouvidos que com os olhos. 

Provérbio. 

ouvido é o ultimo asylo da castidade. De- 
pois de afugentada do coração é para elle que 
corre. 

Retif de la Bretonne. 



158 



DICCIONARIO 



PACIÊNCIA 



A paciência necessária aos namorados. Com 
tempo e paciência tudo se alcança. 

Ovídio. 

Nada honra mais a mulher que a sua paciên- 
cia: nada a deve envergonhar mais que a pa- 
ciência do marido. 

Joubert. 



De todas as paixões violentas, a que fica me- 
lhor ás mulheres è o amor. 

La Rochefoacaukl. 

Jucundissimum cst in rebus humanis ama- 
ri, sed noa minus amare. 

Plinio. 



A paixão torna muitas vezes um homem sá- 
bio um louco, e um louco um homem sábio. 



La Rochcfoucauld . 



Quando nos tornamos brinquedo de uma pai- 
xão, também o somos d'aquelle que a inspira. 



Mad. de Stacl. 



Nada augmenta tanto uma paixão nova como 
os louvores que são retribuidos a quem è causa. 



Mad. de Sarlory. 



Nas primeiras paixões, as mulheres amam o 
amante, nas outras amam o amor e os praze- 
res. 

La Rochefoucaidd. 

Acontece ás vezes que uma mulher oceulte 
ao seu amante a paixão que sente por elle em- 
quanto elle finge uma que não tem. 

La Bruyère. 

Ha mulheres perdidas que nunca teriam sen- 
tido mais que uma paixão se essa fora dirigida 
a um homem honrado. 

Duelos. 

ie todas as paixões o amer é a mais forte 
porque a~commette a um tempo, o coração, o c? 
piri to e corpo. 

Voltaire. 

grande e cruel caracter das p.iV^õ^ é im- 
premir movimento em toda a vida, éyjJua fe- 
licidade a poucos instantes. 

Mad. de Stael. 



ÁLBUM 



Uma paixão occulta, defende melhor o co- 
ração de uma mulher que a própria virtude. 

Retif de la Bretonne. 

Homem apaixonado não admitte conselho. 

Provérbio. 



PARECENÇA 

Todas as mulheres são uma quando a luz es- 
tá apagada. 

Plutarco. 

Quanto mais a mulher differe de um homem 
no physico e no moral, mais agrada. 

Rochebrune. 

Fazermos por nos parecer com as mulheres 
não é meio de lhes agradar. Odeiam-se tanto 
umas ás outras que não podem amar o que se 
parece com ellas. 

J. J. Rousseau. 



Um pé pequeno n'uma mulher é o resumo 
de todas as graças. 



Retif de la Bretonne 



160 



O amor é o peccado de todos os homens. 
Yitiwn commune omnium est. 

P. du Bosc. 

Não ha homem por muito santo e virtuoso 
que seja que não seja teutado pelos attractivos 
tio peccado. 

Oxenstiern. 

A mór parte das mulheres acariciam o pec- 
cado antes de ahraçar a penitencia. 



Peccado confessado é meio perdoado. 
Provérbio. 

Dizia um hahitante de Rilbafolles, elogiando 
os peccados: 

—A soberba é a salvaguarda dos corações 
nobres. 

—A avareza é o conhecimento do valor do 
tempo e do trabalho. 



— A gula é o sentimento artístico do esto- | 
mago. 

—A luxuria é a expansão do amor. 

—A inveja é o conhecimento da injustiça da 
sorte. 

— A preguiça é a manifestação do descanço 
da consciência. 

—A ira é o motor das acções heróicas. 



Os pensamentos elevados são tão necessários 
ao amor como á virtude. 



Os prazeres do pensamento são 
tra as feridas do coração. 

Mad. de Stael. 

pensamento da mulher é um abysmo sem 
fundo. 

Th. Gaiitier. 

Se os homens soubessem o que pensam as 
mulheres, seriam vinte vezes mais atrevidos, e 
se as mulheres soubessem o que pensam os ho- 
mens, seriam vinte vezes mais namoradeiras. 

A. Karr. 

Onde porei meus olhos que não veja 
A causa de que nasce o meu tormento? 
A qual parte me irei co'o pensamento, 
Que para descançar parte me seja? 

Camões. 



ÁLBUM 



Calções, polainas, sapatos, 
Persevejos, pulgas, piolhos, 
Azeites, vinagres, molhos, 
Tigelas, pires, e pratos : 
Cadelas, galgos, e gatos, 
Pauladas, dores, tormentos, 
Burros, cavallos, jumentos, 
Naus, navios, caravelas, 
Corações, tripas, moelas, 
Almas, vidas, pensamentos! 



Bocage. 



Uma mulher tudo perdoa excepto o não a ama- 
rem. 

J. J. Rousseau. 



Em quanto se ama, perdoa-se. As culpas dei- 
xam de ser disculpaveis só quando já não ama- 
mos. 

Maã. iVArconville. 



Nunca são os homens mais ternos senão de- 
pois de se lhes perdoar uma infidelidade pas- 
sageira. 

Ninon de Lenclos. 

As mulheres raras vezes perdoam umas ás 
outras a vantagem da belleza. 

Fóntenelle. 

Ao que erra, perdoar-lhe uma vez e não três. 

Provérbio. 



Quem lastimas escuta, está perto de perdoar. 
Prove] 

Deíxa-me ver no teu rosto 
Os signaes do meu perdão, 
Occulla-mc o teu desgosto, 
Que é minha condemnaçiío. 
Por cada sombra que vejo 
Cobrir-te as rosas do pejo. 
Dos remorsos sinto a dór ; 
Oh ! perdoa meus ciúmes ! 
Não me ouvirias queixumes 
Se não fora o meu amor. 

É talvez grande maldade 

Atrever-me a murmurar, 

Do poder da divindade 

Que me pode castigar ; 

Mas que queres ? temo tanto 

Ver quebrar o doce encanto, 

Que teus olhos prende aos meus !... 

E se me não perdoares, 

A falta dos teus olhares 

Me fará descrer de Deus. 

Eu confesso o meu peccado; 
Doe-te do meu coração; 
Diz-me que estou perdoado, 
Por ter feito a confissão. 
Foi caso de consciência... 



DICCIONARIO 



Mas não me dês penitencia. 
Que juro de me emendar 
Sê hoje boa cómico, 
forem dobra-me o castigo 
Quando eu tornar a peccar. 



A mulher e o vidro sempre estão em perigo. 



Ha mais perigos a temer ao pé das mulhe- 
res que bons resultados a colher. 

Muliercs rnajori adeuntur periculo quam 
frucíu, 

S. Francisco Xavier. 



As mulheres que nasceram com um 
terno, deveriam evitar até a companhia dos ho- 
mens que lhes são indifferentes ; tudo para el- 
las é perigo. 

Mad. d'Arconville. 

Uma mulher está em perigo logo que é amada 
com extremo. 

que não ousara um amante apaixonado 
para conseguir os seus fins ? 

ForUenelk. 

As mulheres presentem o perigo que as amea- 
ça com tanta rapidez e com vista tão certeira, 
que se pode afíirmar que o perigo lhes não desa- 
grada quando ellas nada fazem para o evitar. 

Ricard. 



Provérbio. 



Quem vive contente 
Vive receioso : 
Mal que se não sente 
É mais perigoso. 



ÁLBUM 



1G3 



Ter o dom 
tamento para 



PERSUASÃO 

agradar, é já um grande adian- 
Fonienelk. 



As mulheres bonitas podem-nos persuadir até 
mesmo sem nos fallarem. 

Dupuy. 

Não é o sentimento que ellas inspiram, mas 
sim aquelle que lhes inspiramos que pode per- 
suadir as mulheres. 

Rochebrune. 

Deixa Marília, 
Deixa illusões, 
Que a paz arrancam 
Dos corações. 

As leis não sigas 
De atroz crueza, 
Em tudo oppostas 
Á natureza. 

Ouve só quanto 

Amor te inspira, 

Que o mais é tudo 

Error, mentira. | 



Deixa tyrannos 
Em vão fallar, 
Que o mundo é feito 
Só para amar. 



casamento é ás vezes um laço que prendo; 
o homem e a mulher á amargura. 



Nos grandes pezares, uma doença é ás vezes 
uma felicidade. 



coração de uma mulher nunca está tão 
cheio d'amargura que não haja n'elle logar pa- 
ra a lisonja e o amor. 



Não ha espectáculo mais perigoso que o do 
uma mulher pezarosa; a compaixão faz mui- 
tas vezes nascer o amor. 

Mad. de Sartory. 

amor consola de tudo, até das angustias 
que causa. 

Rochpèdre. 



DICCIONARIO 



Em amor. o confidente dos nossos pesares, j 

QOSSO consolador. 



Mulher bonita nunca 6 pobre. 

Provérbio. 



As riquezas alimentam o amor, mas a pobre- 
za não tem meios para o sustentar. 



amor não é para os reis, nem para os po- 
bres. Os reis tem muitos deveres, e os pobres 
demasiadas necessidades. 

Bernis. 

Nas casas pobres, a mulher é a economia, a 
ordem e a providencia. 



Pobreza nunca em amores faz bom el 
Provérbio. 



Quem não tem fazenda 

Não ame, não deseje, não pretenda. 



A pobreza de horror meus dias cobre, 
E o peito me domina amor tyranno ; 
Porem se a fome tolerar comsigo, 
De amor não posso resistir ao damno. 

F. E. Leoni. 



ÁLBUM 



465 



Deus creou as mulheres para civilisar os ho- 
mens. 

Voltaire. 

Junto ás mulheres é que se aprende bem a 
polidez. 

Saint Evremont. 



porvir, no amor, faz esquecer o passado. 
Mad. de Sévigné. 



teem como riqueza o porvir que 
sonham, os velhos teem por pobreza o passado 
que lamentam. 

Rochpèdre. 



discernimento 6 necessário a possessão do 
prazer. 

Epicurio. 

Todo o mortal deveu a sua existência ao pra- 
zer. 

Voltaire. 

Nocet empta dolore voluptas. 

Horácio. 

O prazer é como certas ílores que dão verti- 
gens quando as cheiram muito tempo. 

Rochebrune. 

prazer parece-se com certas terras panta- 
nosas em que se deve correr levemente sem 
nunca parar. 

Fontenelle. 

No amor, os grandes prazeres são visinlios 
dos grandes pezares. 

3/. elle de l'Espinasse. 



DICCIONARIO 



O amor é um prazer que nos atormenta, mas 
esse tormento causa prazer. 

Scribe. 

maior prazer é causar o alheio. 

La Bruyère. 

O maior de todos os prazeres é causal-os a 
quem amamos. 

Boufflers. 

De todos os prazeres dos sentidos o amor é 
o mais vivo. 

Helvécio. 

A esperança do prazer vale o prazer mesmo. 

Fabre d'Eglantine. 

Uma forte inclinação para o prazer leva as 
mulheres á perda da virtude. 



Não ha prazer onde não ha mulheres, e em 
França o Champanha mesmo perde o sabor não 
sendo derramado por ellas. 

Romieu. 



Os prazeres são como os licores que só se 
devem beber em copos pequenos. 



Ah ! muitas vezes não descubras, Vénus, 
Magos encantos; ou verás que em breve 
Á força de prazer se extingue o mundo. 

A. Garrett. 

Oh ! que famintos beijos na floresta! 

E que mimoso choro que soava 

Que aífagos tão suaves I que ira honesta, 

Que em risinhos alegres se tornava 1 

O que mais passão na manhã e na sesta, 

Que Vénus com prazeres inflammava, 

Melhor é experimental-o que julgal-o 

Mas julgue-o quem não poder experimental-o. 

Camões. 

Não ha prazer que não enfade e mais se s( 
houver debalde. 

Provérbio. 

Ama os prazeres o loução menino, 
Qu'inda não bem nas plantas se equilibra. 
Tremulo mal se move, mas estende 
A mão a qualquer brinco. 



Ama os prazeres o curvado velho ; 
E ainda soltará jucundo riso 
Ante a amável donzella, que o namora, 
E zomba á sua vista. 

F. E. Leoni. 



ÁLBUM 



PRECAUÇÃO 

As pequenas precauções guardam as grandes 
virtudes. 

J. J. Rousseau. 

As precauções de nada servem contra as in- 
fidelidades, e muitas vezes uma mulher que se 
comportaria bem se a deixassem em socego, 
vê-se reduzida a andar mal por vingança ou 
por necessidade. 

Hamilton. 

Os amantes são como os ladrões ; tomam de- 
masiadas precauções, depois vão as abando- 
nando, esquecem por fim as mais necessárias 
e são apanhados. 

Duelos. 

Não serás amado se de ti só tens cuidado. 

Provérbio. 
Se não fores casta sé cauta. 

Provérbio. 



Dai-me mãe acautelada, dar-vos-hei filha guar- 
dada. 

Provérbio. 



Gomtanto que seja preferida, nunca uma mu- 
lher nos quer mal por agradar-mos a umas pou- 
cas; são outros tantos triumphos para ella. 

Ninon de Lenclos. 

Os corações sensíveis querem ser amado?, os 
vaidosos querem ser preferidos. 



A presença de quem amamos consola-nos até 
da sua frieza. 



Não é pela ausência, mas pela presença de 
quem amamos que nos podemos curar do amor. 
que se vê muilo a miúdo perde o prestigio. 

Mad. dArconville. 

A presença de uma menina é como a de uma 
flor. Uma dá graça a quanto a rodeia, outra 
dá perfumes a tudo que d'ella se aproxima. 

L. Desnoyers. 



São pequenos amores aquelles que necessi- 
tam de presentes para se recordarem. 

Duflol. 

Nunca é feio acceitar de quem se ama. 
que o coração dá não pôde envergonhar o co- 
ração que recebe. 

J. J. Rousseau. 

A mulher que acceita presentes de um ho- 
mem contrahe uma divida que se arrisca a pa- 
gar com a sua pessoa. 

i/. el,e de VEspinassc. 



presumido é um composto do estúpido e 
do insolente. 

La Druyère. 

A natureza faz os estúpidos, as mulheres é 
que os tornam presumidos. 

Dupuy. 

Não ha coisa mais miserável que o papel de 
namoradeira a não ser o de t 



j!/. clle de Sommery. 

O presumido é um tolo cheio de admiração 
por si mesmo; e animado a este ridículo sen- 
timento por mulheres ainda mais tolas que elle. 



PRESU1IPÇA0 



À presumpção dos homens agrada ás mulhe- 
res porque attrahe a attenção. 

Latem. 

A presumpção de serem moças faz parecer 
certas mulheres ainda mais velhas. 

Jouij. 



Em todos os tempos as mulheres podem amar, 
mas não agradar. amor, como as flores, só 
tem attractivos na primavera. 

Rochebrune. 

Uma corte sem mulheres é um anno sem 
primavera, é uma primavera sem rosas. 

Francisco I, rei de França. 

amor é similhante ao anno, a sua mais 
linda estação é a primavera. 

Legouvè. 

Primavera! Primavera! 
Brada o homem, brada a fera, 
Vendo-a na terra e no céo, 
Tudo é gala, tudo é riso, 
1 Que um risonho paraíso 
Nos amostra o erguido véo. 

João de Lemos. 



Eil-a que chega a amante Primai era ! 
Logo ao romper do dia susurrando, 
Vós, favonios azues, a annunciaveis. 
Chega... Chegou! as aves a festejam 
Desatinadas, doidas; já com verdes 
Braços lhe acena o bosque; estão-se os rio 
A retratal-a; as fontes a murmuram : 
Traz gala o monte; os valles se alcatifam 
Bi-lhe o céo todo, a Natureza é d'ella. 

A. F. de Castilho. 

D'entre as folhas novas 
Ri na flora fruta? 
Vê, respira! escuta! 
Festa universal. 

A. F. de Castilho. 



DICCIONARIO 



PR0UCHUIEN10 

Devem-se escrever os prometimentos das mu- 
lheres sobre as azas do vento e a supcrGcie das 
ondas. 
...Mulier cupido quod dicit arnanti, 
In vento, et rapidâ scribere oportet aquã. 

Calullo. 

Não somos obrigados a amar todos os que 
nos amam. Quem nada prometteu, nada deve. 

Mad. de Sartory. 

Em amor, as mulheres dão sempre mais que 
o que promettem. 

Dcsnoycrs. 

yuem segura a enguia pelo rabo e a mulher 
pela palavra pode dizer que nada segura. 

Prov. francez. 

Fé de mulher é penna sobre a agua. 

Prov. francez. 



As graças perdem quem se detém no que 
promette. 



PROVOCAÇÃO 



Provocar, é um jogo de namoradeira em que 
a virtude sempre perde. 

Lingrèe. 



As provocações da mulher são p 
mo as aranhas só fiam para apanhar as mos- 
cas, assim as mulheres se tornam amáveis pa- 
ra enredar os homens. 

P. de Bosc. 



PRUDÊNCIA 



ÁLBUM 



A prudência e o amor não foram feitos um 
para o outro. Á medida que o amor cresce, a 
prudência vae diminuindo. 

La Rochefoucauld. 

A verdadeira prudência está em desconfiar- 
mos de nós mesmos mais que dos outros. 

Mad. de Lambert. 

amor é um sentimento independente que 
a prudência pôde evitar, mas que não sabe 
vencer. 

Lados. 



D1CCI0NARI0 



QUEIXA 

Como não temos a liberdade de amar ou não, 

amante não se pôde com justiça queixar da 
inconstância da sua amante, nem ella da le- 
viandade d'elle. 

La Rochefoucauld. 

Não se queixem as mulheres dos homens; 
são o que os fizeram. 

Duelos. 

Vi queixosos de amor mil namorados, 
E nenhuns inda vi com seus louvores ; 
E aquelle que mais chora o mal de amores, 
Vajo menos fugir de seus cuidados. 

Camões. 

Míseros gostos! Mísera ternura! 

Que sempre, injusto Amor, teus servos tenham 

Queixumes que formai- contra a ventura ! 

1 ns, adorando ingratos, que os desdenham 
Tarde no escuro abysmo, em que descança 
■ ) desengano horrível, se despenham : 



_ Outros, chorando a pérfida mudança 
De uma alma desleal, enfurecidos 
Co'a morte arrostam, que no inferno os lança. 
Outros, emtim, como eu, correspondidos 
Depois em longa ausência amarga e crua 
Arrancam das entranhas mil gemidos : 
Tal fraudulento amor, 6 a lei tua, 
Lei, que o Fado approvou para que a terra 
A si mesma se entregue, e se destrua. 



ÁLBUM 



R 

RAZÃO 



O amor é uin esquecimento da razão. 
S. Jerónimo. 

A razão para os namorados é uma tocha que 
brilha nas trevas sem as poder dissipar. 



A razão contraria o coração e não o con- 
vence. 

Mad. Riccoboni. 

A razão é o ultimo recurso do amor. 
Helvécio. 

A razão está para as mulheres, como a agua 
para o vinho, tira-lhes as suas propriedades 
embriagantes. 

C. Lemesle. 



Às mulheres roubam á razão o que dão ao | 
amor. 

Dupuy. 

Sempre a Razão vencida foi de_Amor. 

Camões. 

Affeição cega razão. 

Provérbio. 



A mulher deve receiar mais o que ama de 
que o que odeia. Quando o amor falia, calam- 
se a razão, o dever, a honra e o receio. 



Um extremo receio dispõe os espíritos ao erro 
e o corpo á doença. 

P. du Dose. 

amor como fogo, não pode existir senão 
em continuo movimento de espirito. Acaba de 
viver quando já não espera ou não receia. 



La Rochcfoucauld. 



DICCIONARIO 



RECONCILIAÇÃO 

Com a reconciliação augnienta o amor. 

3Iad de Sartory. 

A maioria dos namorados fingem desconten- 
tamentos e contestações para encontrar novos 
prazeres na reconciliação. 

Rochebrune. 

Km amor, a reconciliação deve ser firmada 
com um beijo seguido de um quarto de hora 
de silencio. 



As mulheres recusam com altivez o que de- 
sejam. 
Quod rogat illa temet, quod non rogat, optat. 

Ovidio. 

Acontece quasi sempre que a mulher não 
gosta de ver outra aproveitar-se do que ella 
mesma recusou. 

Shakspeare. 

A mulher que escutou uma vez, escuta se- 
gunda; o seu coração não é de gelo, e sem- 
pre podeis apellar da sua primeira recusa. 



As mulheres attrahem pelo prazer, mas só 
pela recusa è que podem reter os homens. 



Saint Prosper. 



amor 6 uma religião que não cae. 

Perret. 

A religião das mulheres consiste ordinaria- 
mente em servir a Deus sem desgostar o diabo. 

Oxenstiem. 

Ha tempos em que lastimamos os peccados 
commettidos, e outros em que lastimamos os 
prazeres perdidos. 

Saint Evremont. 



ÁLBUM 



REPUTAÇÃO 

Para as mulheres cuja reputação está bem 
estabelecida, a virtude torna-se a salvaguarda 
do prazer. 

Duelos. 

É mais fácil uma mulher defender a sua 
virtude contra os homens que a sua reputação 
contra as mulheres. 

Rochebrune. 

A reputação das mulheres depende mais da 
prudência dos maridos que da discrição dos 
amantes. 

Champforí. 

A mulher que ama pouco, zela a sua repu- 
tação e teme perdel-a; a que com extremo ama, 
sacrifica facilmente a reputação ao amor. 

Poinicelot. 

Digna é de nome e fama a mulher que não 
tem fama. 



Em amor, quem dá o retrato promette o ori- 
ginal. 

Dupuy. 

Concluiu pintor famoso 
Um certo retrato humano, 
E a taful sequaz de Apollo 
O foi mostrar muito ufano. 
Para o painel apontando 
Lhe disse «Amigo, que tal? 
Deveis gaval'o, que vós 
Conheceis o original. 
Foi ditosa a pincelada ; 
Nunca retratei tão bem, 
Nunca pintei como agora ! 
Pergunta o poeta: «A quem?» 



As mulheres prezam os nossos maiores ridí- 
culos quando é o nosso amor por cilas que os 
fazem nascer. 

CrébUlon. 

amor tem vinte maneiras de tornar ridículo 
um homem de bem. 

Massias. 

Os reis e os maridos enganados são sempre 
os últimos que percebem o engano. 

Napoleão I. 

Uma mulher pode ser feia, mal feita, má, 
ignorante, estúpida; mas ridícula, quasi nunca. 

Desnoyers. 

mais inimigo do amor é o ridículo. Para 
que amor lhe resista é preciso que seja como 
a poesia que resiste á tragedia, isto é, sublime. 

A. M. de Castilho. 



DICCIONARIO 



l"m amante, e principalmente amante infeliz, 
considera como um favor o rigor que se tem 
[>s seus rivaes. 



Em todos os tempos os rigores foram o agui- 
lhão do amor. 

Ninon de Lenclos. 

.Não creio n'csse rigor 
Que nos olhos se desmente : 

É traidor 

O deus d 'amor 
Mas em teus olhos não mente. 

Deixa pois tanto rigor, 
E na verdade consente 

Que é traidor 

O deus d'amor 
E nos olhos te desmente. 



RIQUEZA 

A mulher rica é um mal insolente. 
Intolerabttius nihil est quam feemina dives. 

Juvenal. 

que não vê mais n'uma mulher bonita que 
a riqueza do seu aderece, é um homem sem 
gosto. 

Raynal. 

É inpossivel entregar-se a uma grande pai- 
xão e fazer fortuna. amor fecha todos as por- 
tas á opulência. 

Mad. de Rieux. 

amor só pode dar amor, e quem quer d'elle 
outra coisa não merece ser amado. 



A mulher quando finge rir de amor, parecc-se 
com as creanças que cantão de noite quando 
tem medo. 

J. J. 



A alegria è mãe de numerosas loucuras ; rin- 
do-se é que as mulheres se perdem. 

Richardson. 
A mulher que ri do seu marido, não o pôde 
amar. Um homem deve ser para a mulher que 
ama, um ente cheio de força, de grandeza e 
sempre imponente. 

Balzac. 

Não ha nada mais difficil para uma mulher 
que rir e ser recatada. 

Legouvé. 

nympha a mais formosa do Oceano 
Já que minha presença não te agrada 
Que te custava ter-me n'este engano 
Ou fosse, monte, nuvem, sonho, ou nada? 
D'aqui me parto irado e quasi insano 
Da magoa e da deshonra alli passada, 
A buscar outro mundo onde não visse 
Quem de meu pranto e de meu mal se risse. 
Camões. 



ÁLBUM 



Onde ha muito riso ha pouco siso. 

Provérbio. 

inda saudoso ! 

Seecae-vos, minhas lagrimas, scccae-vos 
Que prantos d'homem não os vale nunca 
No mundo, uma mulher... que os paga... em risos. 

João de Lemos. 



Nada obriga tanto a mulher a tratar bem um 
amante como seja a concorrência de uma rival 

Ninon de Lenclos. 

A mulher não olha a nada para se vingar de 
uma rival. 

Louvei. 

A melhor maneira de vencermos os nossos 
rivaes é sermos mais amáveis que elles. 

Mad. de Sarlory. 

Por muito linda que seja uma rival, nunca 
a mulher viu coisa mais feia. 

Dupuy. 

Nas mulheres, acaba a amizade onde começa 
a rivalidade. 

Provérbio. 



Uma mulher só deve ler romances quando já 
não possa ter o desejo de os pôr em prática. 



A agulha perdeu mais meninas que os ro- 
mances. 

Richter. 

Ás mulheres agradam mais os romances que 
fazem do que os que lêem. 



Se as mulheres não tivessem os homens para 
as perder, bastavam-lhes os romances. 



DICCIONARIO 



Um rosto lindo é u;n traidor que olhamos 
com prazer. 

Plutarco. 

rosto é o espelho da alma, os olhos des- 
cobrem os segredos. 

5. Geronymo, 

Um lindo rosto é o mais lindo dos espectá- 
culos, e a mais doce harmonia é o som da voz 
de quem amamos. 

La Bruyère. 

As mulheres escondem-se no seio de Deus, 
quando já teem vergonha de mostrar um rosto 
envelhecido que não agrada. 



Cara, cara, cara, eara, 
Cara, cara, e continua !.. 
Que revolução é esta ? 
Anda pela terra a lua? 



Bocage. 



A uma dama que chamou a Camões cara 
sem olhos. 



Sem olhos vi o mal claro, 
Que dos olhos se seguiu: 



amor das mulheres e a rosa, passam com 
o bom tempo. 

Provérbio. 

Ô flor creada nos jardins de Paphos, 
Suave, ingénua, delicada rosa! 
Tu és de amor, em divinaes mysterios 
Symbolo d'alma. 

Tu tens as graças da amorosa Vénus ; 

Turba de amantes desvelada te honra : 

E para as tranças adornar, e o seio, 

Buscam-te as bellas. 

F. E. Leoni, 

Tu, flor de Vénus, 
Corada Rosa, 
Leda, fragrante, 
Pura, mimosa; 
Tu que envergonhas 
As outras flores, 
Tens menos graça 
Que os meus amores.. 
Tanto ao diurno 
Sol coruscante 
Cede a nocturna 
Lua inconstante; 



ÁLBUM 



Quanto a Marília 
"Té na pureza 
Tu, que és o mimo 
Da Natureza. 
O boliçoso 
Cândido Amor 
Poz-lhe nas faces 
Mais viva côr ; 
Tu tens agudos 
Cruéis espinhos; 
Ella suaves 
Brandos carinhos ; 
Tu não percebes 
Ternos desejos, 
Em vão Favonio 
Te dá mil beijos : 
Marília bella 
Sente, respira, 
Meus doces versos 
Ouve e suspira. 
A mãe das flores, 
A Primavera 
Fica vaidosa 
Quando te gera : 
Porém, Marília 
No mago riso 
Traz as delicias 
Do Paraíso. 
Amor que diga 
Qual é mais bella, 



Qual é mais puni. 
Se tu ou ella : 
Que diga Vénus... 
Ella ahi vem... 
Ai! enganei-me 
Que é o meu bom. 



Bocage. 



Rosas, oh como um coração que adora. 
Vos conhece o valor, vos crê felizes ! 
Nasceis no seio da benigna Flora, 
Morreis no seio da benigna Lizes. 

Bocage 



RUGA 

As rugas são o tumulo do amor. 

Sarra 

Pelas rugas se contam os annos n'um rosto, 
como as horas n'um mostrador. 

P. clu Bosc. 

coração não tem rugas. 

Mad. de Sévignc. 

A belleza e a fealdade desapparecem egual- 
mente com as rugas da velhice; uma perde -se, 
outra oceulta-se. 



Pão molle e uvas, ás moças põe mudas, e aos 
velhos tira as rugas. 



180 



Traidora ruga em tua fronte bella 

As \ ezes ao curioso circumstante 

Revela», mas etafim o que revela? 

A edade ? e porque não ha acção constante 

Do profundo pensar d'esta cabeça, 

Onde o génio trasborda a cada instante? 

Bulhão Paio. 



ÁLBUM 



181 



Uma mulher que julga ter saudades de um 
amante, muitas vezes só do amor as tem. 

Mad. d'Arconville. 

Não temos saudades de quem nos ama se o 
não amamos, e sempre as temos do que nós 
amamos ainda que nos não ame. 

Mad. de Sartory. 

Perguntando alguém á joven mad. de Hou- 
detot poucos dias antes da sua morte, qual a 
causa da tristeza que se lhe lia no rosto, res- 
pondeu-lhe a espirituosa senhora: 

—Sinto saudades de mim. 



Alma minha gentil, que te partiste 
Tão cedo desta vida descontente! 
Repousa lá no céo eternamente, 
E viva eu cá na terra sempre triste. 

Camões. 



Que me quereis, perpetuas saudades? 
Com qu'esperança inda me enganaes? 
O tempo, que se vae, não toma mais, 
E se torna, não tornam as edades. 

Camões. 

Saudade é fraco remédio, mas é doce engano. 

Provérbio. 

As saudades são filhas do amor e enteadas 
do engano. 

Provérbio. 

Já no meu coração nova ferida 
Abrem os duros golpes da saudade, 
E já vive outra vez minha vontade 
De esperanças aerias revestidas, 

D. dos Reis Quita. 

Oh I saudade ! oh martyrio d' alma nobre ! 
Máo grado o teu pungir, como és suave ! 
Como a rosa de espinhos guarnecida, 
Aguilhoa, e apraz co'o doce aroma, 
Tu feres, e mitigas com lembranças, 
Mas oh! o teu espinho inda é maisjduro, 
E essas tuas lembranças são fallaces, 
Flores são, que o punhal de Harmodios cobrem. 

D. J. G. de Magalhães. 



A saudade! que sentimento, e que palavra! 
que doçura e que fel exprime! que suave me' 
lancolia c que pungente desesperação revela ! 
Não haverá talvez na língua humana, palavra 
que melhor exprima as ultimas gotas da seiva 
que nutrem o coração arado pelos desenganos, 
c descrido da esperança em venturas d'estc des- 
terro! Nem para o desgraçado ha outra seiva 
que lhe faça abrolhar no coração a cândida flor 
da fé, pallido reflexo do formoso jardim de 
flores esperançosas, esfolhadas pelos ventos tem- 
pestuosos das paixões. 

Castello Branco. 



188 



SLDCCÇAO 



lis prazeres e os divertimentos são as mais 
locçOes para as mulheres. 

Ph. de Var&nne. 

As mulheres mais lindas são seduzidas pri- 
meiro que as outras, peque não podem resistir 
a uma assiduidade e a uma lisonja continuas. 

Joly. 

A maior parte das mulheres seduzidas pelos 
homens só desejam casar com elles. É um modo 
de vingança como qualquer outro. 



SENSIBILIDADE 



É mais fácil encontrar uma mulher sensível 
que um bife tenro. 

Grimod de la Reynière. 

Quando o coração está enternecido, encontra 
prazer em tudo que lhe mostra a própria sen- 
sibilidade. 

Mad. de Tencin. 

Não pode haver sensibilidade sem dôr, nem 
prazer sem sensibilidade. 

Gralian. 

Quando perdemos a sensibilidade para o amor, 
temos menos vida e mais descanço. 



amor desenvolve com rapidez a intelligen- 
cia e a sensibilidade das mulheres. 



Quando aos sentidos se quer recusar alguma 
coisa, nada se lhes deve permittir. 

J. J. Rousseau. 

amor dos sentidos só quer agradar e gozar. 

Ségur. 

Os prazeres de alma tornam a vida tanto mais 
duradoira quanto os dos sentidos a tornam 
curta. 

Cabanis. 

Quanto mais o amor sensual obteve, mais 
perto está de ser ingrato. 

Latèna. 

Não ha loucura mais furiosa que a dos sen- 
tidos. 
Nulla capitalior pestis quam corporis volu- 



ÁLBUM 



m 



Vencer os desejos dos sentidos é a maior das 
victorias. 

Máxima cunctarwtn viciaria, viciaria volu- 
ptatis. 

Oxenstiem. 



SENTIMENTOS 

amor ê" o mais madrugador dos nossos sen- 
timentos. 

Fontenelle. 

amor nada é sem sentimento, e o senti- 
mento sem amor ainda é menos. 



Todos os raciocínios dos homens não valem 
um sentimento de mulher. 

Voltaire. 

tempo, que enfraquece os sentimentos cri- 
minosos, reconcilia com os affectos legitimos. 

Mad. de Stael. 

Em sentimentos, o que pôde ser avaliado não 
tem valor. 

Champfort 

Raras vezes o sentimento está interessado 
no nosso trato com as mulheres; quasi sem- 
pre é o prazer. 

Duelos. 



As mulheres não se prendem á vida senão 
pelos laços do coração e quando se desenca- 
minham, ainda é um sentimento que a arrasia. 

Mad. de Stael. 

impor silencio aos sentimentos mas 



; limites. 



Mad. Necker. 



A mulher sentimental passa a vida entre as 
saudades do passado e o temor do porvir. 

Jouy. 



DICCI0NAR10 



SEPARAÇÃO 

Corações bem unidos não se separam, des 
pedaçam-se. 

Dupuy. 

Eu me aparto de vós. Nymphas do Tejo, 
Quando menos temia esla partida, 
E se a minha alma vae entristecida 
Nos olhos o vereis com que vos vejo. 

Camões. 

Ainda que estejas mal com tua mulher, não 
é Lom conselho que cortes o apparelho. 

Provérbio. 

Se eu a amei? como esconder 
Este vivo sentimento 
Que me ficou de a perder ? 
Meu anciado pensamento, 
Noite e dia a vae seguindo 
Por me dar maior tormento! 

Se eu a amei? no corarão 
Diz-me que sim a saudade, 
Se o orgulho diz que não. 
E fui amado é verdade ; 
Mas paguei por alto preço 
Esta iiinocente raídadej 



Não quero agora mentir, 
Não quero dar o castigo 
A quem só sabe fingir, 
Eu vejo ainda o perigo, 
E o coração com que amava 
Tornou-se meu inimigo. 

É mais d*ella do que meu, 
Vivendo da minha vida ! 
Mas coitado! enlouqueceu 
Sentindo a viva ferida 
Que lhe fez com mão traidora 
Quem d'elle vive esquecida 

Amei-a, dizer que não 

É dar virtude á mentira 

Para negal-a á paixão ; 

Se a minha alma inda suspira, 

É por saber que ventura 

N'outra alma lhe fugira. 

Se eu a amei ? Pois não o diz 
Este amor próprio fingido 
Que me fez tão infeliz ? 
Mesmo apezar de oíTendido 
Se elle voltasse de novo, 
Achava-me arrependido... 

Se eu a amei? Oh ! se eu a amei! 
Pois estes olhos pisados 
Não dizem quanto cu chorei? 



Por seus olhos namorados 
Não dizem que ainda choram 
Estes meus desconsolados? 

Sc eu a amei? Pois esta dôr 
Nos meus versos traduzida 
Não repete ainda — amor? 
Pois esta queixa sentida, 
Não è a dôr da saudade 
Pela ventura perdida ? 

Se eu a amei? com tal amor !... 
Foi sonho de pouca dura... 
Despertei achando a dôr, 
No que tomei por ventura ! 
Sumiu-se a única estrella 
Que no céo cuidei segura. 

Amei-a de mais, se amei ! 
Segui-a sem conhecel-a, 
Quando em meu caminho a achei 
Foi grande a dôr de perdel-a 
Mas é maior o castigo 
De nunca tomar a vel-a. 

Amorim. 



O silencio é tão difficil para as mulheres, 
que, apezar de não perceberem o que dizem, 
conversam com Deus, quando estão caladas. 

Young. 

silencio foi dado á mulher para melhor 
expressar o seu pensamento. 

Desnoyers. 

Quando as meninas estão em edade de casar, 
o seu silencio pede um marido. 

Filia nubilis elsi plane nil loquatur, 

Ipso tamen silentio plurimum de se praedicat. 



Não se pôde occultar o amor, elle se paten- 
teia. 

Ovidio. 

Não ha disfarce que possa occultar o amor 
onde elle está, nem fmgil-o onde não existe. 

La Rochefoucauld. 



ÁLBUM 

Não falles senão no que pôde ser útil a ti 
ou aos outros. 



Franklin. 



Silencio grato da noite 
Quebrão sons d'uma canção, 
Que vae dos lábios d'um anjo 
Do que escuta ao coração. 



18o 



Esta palavra, que forma os casamentos, é curta 
talvez com o propósito de não dar tempo a re- 
flexões. 

Dupuij. 

As duas palavras mais breves de proferir, 
sim e não, são seguramente as que pedem o 
mais serio exame. 

Pyíhagoras. 

Sim, é uma palavra que as mulheres nunca 
proferem, porque a temem; mas, á falta dos lá- 
bios dizem-na os olhos. 

Rkard. 



DICCIONARIO 



SOFFRUIENTO 



Quando soffremos, temos poucos desejos, uma 
paixão infeliz é um bom caminho para a sabe- 
doria. 

J. J. Rousseau. 

O amor só pode viver pelo soffrimento; acaba 
quando principia a felicidade, porque o amor 
feliz c o aperfeiçoamento dos mais bellos so- 
nhos, e tudo que ê perfeito ou aperfeiçoado está 
perto do seu Gm. 

Mad. de Girardin. 

A cama do soffrimento é o posto de honra 
das mulheres. 

Mad. Fée. 

Meu Deus, senhor meu Deus, o que ha no mundo 

Que não sejasoilrer? 
( ) homem nasce, e vive um só instante 

E soffre até morrer ! 

Gonçalves Dias. 

Lei da Humanidade e não do acaso ; 
Soffrer, sempre solírer é seu destino. 



D. J. G. de Magalhães. 



A solidão não pôde apaziguar os tumultos do 
coração sem a ajuda da razão. 

M. cha de rEspinasse. 

A solidão é a consolação dos corações enga- 
nados. 

Zimrnerman. 

ívse mais forte contra o amor no meio da 
chusma que na solidão. 



sonho de felicidade é uma felicidade real. 
Fontanes. 



amor no casamento seria a effectuação de 
um bello sonho, se não fosse quasi sempre o 
seu fim. 

A. Karr. 



Não sabes tu, foi n'um sonho 
Que eu te vi, céos de ventura? 
No teu semblante risonho 
Não sei que luz scintillava; 
Nos olhos, onde a ternura 
Languidamente assomava, 
Havia tanta eloquência, 
Tanto amor, tanta innocencia, 
Foi num sonho, um sonho embora 
Mas amei-te desde ess'hora, 
Adorei-te, anjo de Deus, 
Ai, porque foges agora 
D'estes tristes olhos meus? 



ÁLBUM 



187 



Sonhei que nos meus braços inclinado 
Teu rosto encantador, Gertruria, via, 
Que mil ávidos beijos me soffria 
Teu niveo collo, para os mais sagrado : 

Sonhei que era feliz por ser ousado, 
Que o siso, a força, a voz, a côr perdia 
N'um extasis suave, em que bebia 
O néctar nem por Jove inda libado : 

Mas no mais doce, no melhor momento 
Exhalando um suspiro de ternura 
Acordo, acho-te só no pensamento : 

Oh! destino cruel! oh sorte escura! 

Que nem me dure um vão contentamento : 

Que nem me dure em sonhos a ventura ! 



Mas ah ! se o negrume 

O sol dissipara 

Calmara 

Seu nume 
O horror do tufão. 
Assim a minha alma 

A calma 

Daria 

D'Armia 
• Um sorriso. 
Um raio d'esp'rança 

Do paraíso 

Traria 

A bonança 
Ao meu coração. 



Solta dos lábios um sorriso ao menos 
A fluctuar nos lábios distraindo, 
Que me faça esquecer quanto hei soffrií 
Lacerado de incógnitos venenos. 



Th. Braga. 



Oh! quando em sonhos eu me enleio apini, 
Porque não vens de novo ao lado meu, 
Anjo d'amor, sorrindo como outi'ora 
Esse brando sorriso que enamora 
Que vem do céu ? 

E. A. Vidal. 



Quando é noite, mimosa, vens sorrindo, 
Ao erguer do teu véu, já eu, saudoso, 
Com a face na mão, do rio á beira, 
Te espero ha muito, para colher-te sofreg 
Teu límpido sorriso 



João de Lemos. 



A minha imaginação 
Escura sempre e funesta, 
Males sobre males me empresta 
Ao misero coração : 
As amarguras estão 
Com o dente roedor 
Cercando esta alma de horror ; 
Eu morro, acabo infeliz, 
Se acaso não me acudis 
«Meigos sorrisos de amor.» 



Bocage. 



DICCIONARIO 



d amor é urna paixão que não se curva a | 
oisa alguma, e á qual tudo se submette. 



Ima mulher agrada-nos porque nos domina, 
e nós agradamos-lhe porque lbe somos submis- 



O CANTO DO SUICIDA 



Anjo, silencio !... não chores... 
Amei-te muito... que importa? 
Vem beijar-me a face morta, 
Ouvirás sons do teu nome. 

Quando a luz da vida escassa, 
N'estes olhos já não brilhe, 
Não chores, anjo, não chores... 
Foi um destino... cedi-lhe. 

Escuta o hymno, que extremo 
Sinto aqui no coração... 
Ouves gemer a paixão 
JN'este adeus ao mundo ingrato? 

Lucto... mal sabes que lucto 
Sinto aqui dentro ferver... 
N'esta edade em que me mato 
Oh ! tanto custa morrer ! 

Sempre a desgraça!... delicias 
Nem uma tive em partilha... 
Vi-te, tarde, oh casta filha 
De meus sonhos delirantes... 



Olha... eu devo ter dos homens 
Uma loisa... pobre sim... 
Se m'a derem... vae de lucto 
Uma vez chorar por mim. 

Uma só... não te crimino, 
Se depois o esquecimento 
For, no pobre monumento, 
O epitaphio que tive... 

Mulher, amada na morte, 
Levo saudades de ti... 
Extrema crença d'um vivo 
Eras tu... não te perdi ! 

Se tivesse esfaima um vôo, 
Foras comigo... irias 
D'este ecúleo d'agonias 
Onde vivi, e viveste !... 

Estas coroas borrifadas 
Do sangue do coração, 
Despe-as a fronte pendida... 
Deu-m'as o mundo... ahi estão ? 

Venha o mundo e d'este sangue 
Que innunda a face ao precito... 
Escreva, cuspa na campa, 
Esta legenda — é maldito! 



ÁLBUM 



180 



Anjo ! silencio ! não chores... 
Amei-te muito, que importa? 
Vem beijar-me a face morta, 
Ouvirás sons do teu nome t 

C. Castello Bra 



Um amante sonha acordado com o que sus- 
peita. 
Amam quocl suspicatur, vigilam somniat. 

Publio Siyro. 

Devemos fugir das tristes verdades. Prefiro 
um erro que me torna feliz a uma realidade 
que causa o meu desespero. 

Dupuy. 
As suspeitas convidam á traição. 

Voltaire. 

Suspeitas, que me quereis? 
Qu'eu vos quero dar logar 
Que de certas me mateis, 
Se a causa de que nasceis, 
Vós quizesseis confessar 
Que de não lhe achar desculpa, 
A grande mágoa passada 
Me tem a alma tão cansada, 
Que se me confessa a culpa 
Tel-a-hei por desculpada. 



Suspiro que nasce d'alma, 
Que a flor dos lábios morreu... 
Coração, que o não entendo 
Não no quero para meu. 

Fallou-te a voz da minha alma 
A tua não na entendeu, 
Coração não tens no peito 
Ou é diffrente do meu. 

Queres que em lingua da terra 
Se digam coisas do céu? 
Coração que tal deseja 
Não no quero para meu. 



A lympha que suspira, não exprime 
O som mavioso d'um faminto beijo. 

Th. Braga. 

Suspiros inflammados que cantaes 

A tristeza com que eu vivi tão ledo. 

Eu morro e não vos levo, por que hei medo 

Que ao passar do Lethéo vos percaes. 

Camões. 



190 



DICCI0NABI0 



Doa suspiros d"Ignez inda lembrados 
(Is echos pelo monte, ás horas mortas, 
Suspiram brandos ais, e aos sons da lyra 
Respondem gemebundos. 

João de Lemos. 



SYMPATHIA 

A sympathia é um parentesco do coração e 
do espirito. Entre pessoas de sexo diferente, 
os sentidos também pertencem á família. 



Só a conformidade dos sentimentos pôde tor- 
nar as relações duradoiras. A sympathia apro- 
xima os corações e une os laços do amor e da 
amizade. 

Bignicourt. 

Sympathia — é o sentimento 
Que nasce n'um só momento 
Sincero, no coração ; 
São dois olhares accesos 
Bem juntos, unidos, presos 
N'uma magica attracção. 



ÁLBUM 



19 i 



T 

TEMPO 



Não è a razão, mas sim o tempo que mata 
o amor. 

Amori finem tempus, non animus facit. 

Publio Syro. 

Todo o tempo que não é empregado no amor 
é tempo perdido. 

Perduto é tutto il tempo che in amar non 
si spencle. 

T. Tasso. 

tempo vence o amor, a amizade só vence 
o tempo. 

Mad. d'Arconville. 

As amantes e as moscas desapparecem quan- 
do chega o mau tempo. 

Lamothe Levayer. 



O tempo vôa, as horas d 

Tão ligeiras decorrem, 
Murcham tão breve e morrem 
Rosas que do prazer não são colhidas. 

Garrett. 

homem não tem senão o passado e o fu- 
turo; o passado para chorar, o futuro para te- 
mer. presente não é nada, e é só o que elle 
sabe. 

Já se esquecem do passado, e o futuro não 
lh'o disse Deus. 

Garrett. 

tempo do amor é não tel-o. 

Provérbio. 

ttj^ r>:E ser 

Como é bella a virgem meiga. 
É linda rosa em botão!... 
Como sorri de contente !... 
E descanta alegremente 
Descantes, que virgens são!... 

Tem dez annos!... em seus olhos 
Terá magia e poder, 
Ha de ser alta e formosa, 
Ha de ser terna e bondosa, 
Porem, meu Deus!... ha de ser! 



Sua trança fina e loira, 
Até ao chão descerá 
Será das salas rainha, 
Alegre, chistosa, minha!... 
Mas nem foi, nem é... será... 

Eu no futuro não creio, 
Que mente mais uma vez. 
Se me quizerem damnado, 
Vingativo, desesperado, 
Édizer-me— talvez!... 

Eu quero um não positivo, 
Poeta, nem fui, nem sou, 
Quero o «sim- de um lábio altivo 
Quero tomar-me captivo, 
Aos ferros sempre me dou. 

Demais... Eu creio que a virgem 

Ha de formosa crescer, 

Mas aterram-me as lombrigas, 

E podem vir as bexigas, 

E foi-se o tal— Ha de ser. 



Seus lisos cabellos loiros, 
Prendidos n'um rolo estão, 
Alta a fronte, olhar fagueiro, 
Sorrir vago e feiticeiro, 
Nivio braço, linda mão. 



DICCIONARIO 



Os olhos tem de berylo, 
Dabelha a cinta gentil, 
Doce a falia harmoniosa, 
Leve, é como a mariposa, 
E como a brisa subtil. 

Esta é. mas eu não quero, 
('Stou cançado de carpir!...) 
Não quero mais captiveiro, 
Acho mau, ser prisioneiro 
De quem me pôde fugir!... 

FOI 

Como tu serias bella 
Velha do meu coração 
Se com trinta annos de menos 
Com esses olhos serenos 
Me faltasses de paixão!... 

Como tu serias bella 
Tornando os homens desmentes, 
Se esses sons apaixonados, 
Fossem ao menos passados 
Por meia dúzia de dentes ! 

Como tu serias bella, 
Das mais bellas a primeira, 
Se em tua fronte constante, 
Xão se moldasse, elegante, 
Uma linda cabelleiral 



Assim mesmo, encanto d'alma, 
Eu vivo e morro por ti, 
Em tuas faces rugadas, 
Vejo as paginas marcadas, 
De um livro que jamais li. 

N'esse todo eu vejo as obras 
Do tempo destruidor!... 
Em teus requebros ligeiros 
Vejo em sonhos feiticeiros 
O nascimento d'amor! 

De tua bocca deserta 
Inspira-me a solidão, 
Eu quero tudo comtigo, 
Tudo sim, (por meu castigo) 
E dou- te o meu coração. 

/. d' Aboim. 



trabalho é a sentinella da virtude. 

Hesiodo. 

Entregar-se ao trabalho é tirar ao amor o 
arco e as frechas. 

Otia si tollas pericre cupidinis arcus. 

Ovídio. 

Pelo trabalho do espirito, seguramos o des- 
canço do coração. 

Jaucourt. 



ÁLBUM 



O amor é triste, fecha o nosso coração até 
aos prazeres que não dá. 

Mad. Riccoboni. 

Os corações tristes são ternos, a tristeza dá 
vida ao amor. 

J. /. Rousseau. 

Póde-se classificar como prazer a tristeza que 
nos causa o primeiro amor. 

Duelos. 

Porque te privas de gozar, em quanto 
Em turbas folga a leda mocidade, 
E mil publicas festas de alegria 
Nossos ritos nos trazem? 

Foge á tristeza, que te oprime, foge, 
Meu amado Salicio, que é loucura 
Deixar immurchecer os flóreos dias, 
Que tão breve se apartam. 

F. E. Leoni. 



É mais doce que a alegria 
Mais que do riso a impressão, 
É mais doce ao coração 
A doce melancolia ! 
Quasi sempre ao fim do dia, 
Vem minha alma procurar, 
E sinto o que não sentia, 
E gosto de a ver chegar. 
Entra, não sei com que chave, 
Mas sabe-me n'alma entrar ; 
Entra meiga, entra suave, 
Sem amargura, nem dôr, 
Fallando sempre d'amor, 
Do encanto da soledade 
Do céo á noite, da flor 
Que traz ao peito, a saudade ! 
E eu sinto n'essa hora, então, 
Que é mais doce que a alegria, 
Que é mais doce ao coração 
A doce melancolia. 



DICCIONARIO 



A vaidade perde mais mulheres que o amor. 
Mad. du Dcfíand. 

A vaidade causa mais galanteios que o de- 
boche ou o prazer. 

Não amaríamos pessoa alguma se nos não 
amassemos a nós mesmos. 

Rochebrune. 

A vaidade é o primeiro dos sentimentos das 
Mad. dWrconville. 



i.ulh. 



A vaidade nas mulheres torna a mocidade 
criminosa, e a velhice ridícula. 

Mad. de Flahaut. 

l"m amor ridículo desagrada mais ás mulhe- 
res que um amor insultante. 



VELHICE 

Pouca gente sabe ser velha. 

La Rochefoucauld. 
Uma velhice confessada é menos velha. 

Mad. de Lambert. 

Para as mulheres que só são bonitas, a ve- 
lhice é o inferno. 

Saint Evremont. 

Na velhice do amor, como na velhice da edade, 
ainda se vive para as dores, mas não para os 
prazeres. 

La Rochefoucauld. 

A felicidade ou a infelicidade da nossa ve- 
lhice é, muitas vezes, o resultado da nossa vida 
passada. 

Mad. Necker. 

De todas as ruínas do mundo, as que offere- 
cem o mais triste espectáculo são as ruínas do 
homem. 

Th. Gautier. 



As arvores, e as mulheres 
Correm quasi a mesma sorte, 
Pendem ambas com o vento, 
Já ao sul, e já ao norte. 

Sendo novas egualmente 
Á vista se ostentam bellas; 
E se acaso estas dão fruetos, 
Também fruetos dão aquellas. 

Das arvores a velhice 
As lança emfim ha fogueira ; 
Ter deviam as mulheres 
N'isto a sorte inda parceira. 



Ao velho recem-casado rezar-lhe por finado. 
Provérbio, 

Um velho alegre me apraz, 
E apraz-me um rapaz bailando. 
Das cans a côr pouco faz ; 
Velho, que baila cantando 
Parece velho e é rapaz. 

A. F. de Castilho. 



ÁLBUM 



Longa foi a viagem, 
Assas lutastes, descançae agora. 
Depois de haver vingado alpestre monte. 
Desde o albor da manhã, o peregrino 

Afadigado desce, 
E, envolto em trevas, vae pousar no valle. 
P'ra vós assas auroras madrugaram, 
P'ra vós luas assas alvas luziram, 
Assas de flores se esmaltou a terra, 
E de fructos, as arvores copadas 
Sim, sim assas gozastes; 
Mas uma voz vos chama, e vos diz — basta. 

D. J. G. de Magalhães. 



As mulheres tragam com avidez a mentira 
que as lisongeia, e bebem gota a gota a ver- 
dade que lhes é amarga. 

Diderot. 

amor, o prazer e a inconstância não são 
mais que o desejo do conhecimento da verdade. 

Duelos. 

A verdade não quer enfeites. 

Provérbio. 

Se queres fallar verdade, não affirmes que 
não has de tornar a amar. 



verdadeiro jejum (t a abstinência do vicio. 
S. Agostinho. 



A inclinação por uma só pessoa é o que se 
diz amor, por muitas é o vicio. 



esconder das acções innocentes é dar o 
primeiro passo para o vicio; e quem gosta de 
disfarçar, cedo ou tarde o faz com motivo serio. 

J. J. Rousseau. 

vicio altera as feições dos homens e mais 
depressa ainda estraga a belleza das mulheres ; 
podiam ellas pois achar na garridia lições de 
virtude. 

Beauchène. 

Não é ás vezes a virtude corajosa, mas sim 
o vicio timido que salva as mulheres. seu 
coração é então similhante a um covarde que 
teme de render-se. 

Beaumanoir. 



DICCIONARIO 



A vida das mulheres é uma doença demo- 
rada. 

Hippocratcs. 

capitulo mais comprido da vida das mu- 
lheres é o das contradicções. 



Na mocidade, vivemos para amar, n'uma 
edade mais avançada amamos para viver. 

Saint Evremont. 

A vida é um fio que Deus segura pelas duas 
pontas. 

Dancourt. 

Póde-se dividir a vida das mulheres em três 
épocas: na primeira sonham com o amor, na 
M^unda põem-no em pratica, na terceira las- 
tinram-no. 

Saint Prosper. 

Na ordem elevada, a vida do homem é a 
gloria, a vida da mulher é o amor. 



Na vida, o amor õ uma pagina escripta em 
hehraico. 

A. Houssaye. 

A vida está completa quando uma vez se 
amou. 

Ch. Nodier. 

A vida é uma flor cujo mel é o amor. 
V. Hugo. 

Na vida, uma mulher deve esperar que a 
convidem para o amor, como n'uma sala deve 
esperar que a convidem para dançar. 

A. Karr. 

Um gosto que hoje s'alcança, 
Amanhã já o não vejo : 
Assim nos traz a mudança 
D'esperança em esperança, 
E de desejo em desejo. 
Mas em vida tão escassa 
Qu'esperança será forte? 
Fraqueza da humana sorte 
Que quanto da vida passa 
Está recitando a morte. 

Camões. 



A vida é a ponte que une os dois precipí- 
cios do que nada foi para o que nada ha de 



ÁLBUM 



197 



VINGANÇA 

Ninguém mais que a mulher é inclinado á 
vingança. 

Vindicta nemo magis gaudel quam fcemina. 

Juvenal. 

As mulheres, como as creanças, quando se 
não podem vingar, choram. 

Carãan. 

Vingar-se de uma amante culpada, é mos- 
trar que ainda se lhe tem affeição. 



E necessário ser mulher para saber vingar-se. 

Mad. de Rieux. 

Uma dama, de malvada, 
Tomou seus olhos na mão : 
E tirou-me uma pedrada 
Com elles ao coração. 
Armei minha funda então, 
E puz os meus olhos n'ella, 
Trape, quebrei-lhe a janella. 



A mulher mais virtuosa é aquella em que 
menos se falia. 

Thucydides.- 

Toda a mulher que se fia demasiadamente 
na sua virtude corre risco de a perder. 



A virtude nas mulheres é uma religião que 
tem numerosos pregadoras e poucos martyres. 

Helvécio. 

Uma mulher virtuosa que teve só um amante 
é mais virtuosa ás vezes que uma feia que não 
teve amante algum. 

Lingrée. 

A mulher virtuosa tem no coração uma fi- 
bra mais ou menos que as outras mulheres; ou 
é estúpida ou sublime. 

Balzac. 

A virtude e o amor são dois papões, é ne- 
cessário que um coma o outro. 



Da Divindade o culto é a virtude, 
São leis da natureza as leis divinas, 

Disse a palavra d'Elle, 
Diz-no-lo a voz do coração que é sua. 
O incenso que se queima nos altares 
Não vae tão alto, que o receba o Eterno. 

Garrett. 

A virtude 6 como a belleza, porque de ne- 
nhuma d'ellas se pôde dizer onde principia nem 
onde acaba. 

Houssaye. 

Se soubesse a mulher a virtude da arruda, 
buscai-a-hia de noite á lua. 

Provérbio. 

Feliz quem assoberba a iniqua sorte; 
E, para o consolar, acha o virtude, 

Que benéfica brilha, 
Como em negra solidão plácido lume 
Alma esperança gera, prometlendo 
Asylo ao peregrino afadigado. 

D. J. G. de Magalhães. 

Ha quem diga que a virtude 
Pôde sem mancha viver... 
É mentira ! Eu nunca pude, 
Por mais que este mundo estude, 
Combinar «honra» e «prazer». 



108 



DICCIONARIO 



O «prazer» exprime agora 
A «deshoiira» d'outros dias : 
Unia nobre acção outr'ora 
Era sempre a precursora 
De singelas alegrias. 

Hoje não ! Chama-se gozo 
«Vida fértil de emoções» : 
— Quem na paz busca repouso 
Diz o mundo, é desditoso... 
Só ha vida nas paixões!— 

Castello Branco. 



A viuva rica, casada fica. 



Nem de menina te ajuda, nem cases com 
viuva. 

Provérbio. 

A viuva com o lucto e a moça com o moço. 
Provérbio. 

Quiz inda fresca viuva 
Casar, mas tinha esquecido 
No alfarrábio dos enterros 
Pôr o enterro do marido. 
«Leve este papel ao cura,» 
(Lhe aconselha um maganão.) 
Era excellente receita 
Das que importam n'um milhão. 
«Padre (diz ella entregando 
O papel que se lhe deu) 
O meu homem tomou isto...» 
Torna o cura: «Então morreu 1» 



A UMA VIUVA 

Se de dó vestida andaes 
Por quem já vida não tem, 
Porque não o haveis de quem 
Vós tantas vezes mataes? 
Que brado sem ser ouvido 
E nunca vejo senão 
Cruezas no coração 
E grande dó no vestido. 

Camões. 



ÁLBUM 



199 



O que a mulher quer, Deus o quer. 

Provérbio. 

Se quereis mal a uma mulher deixae-lhe fa- 
zer as vontades. 

loung. 

que a mulher quer está escripto no céo. 

La Chaussée. 

amor é como a febre, nasce e acaba sem 
participação da nossa vontade. 

Stendhal. 

Os astros não violentam vontades. 

Provérbio. 



VOZ 

Dizem que o espirito faz esquecer a fealda- 
de; parece-me que também uma voz maviosa 
faz esquecer as falias ordinárias. 

Mad. de Rieux. 

A mulher modesta não encontra voz mais 
maviosa do que a que canta os seus louvores. 

Dupuy. 

Uma voz rouca saindo de uma bocca linda 
faz cuidar que a alma não se assimilha ao 
rosto. 

Thoré. 

Ha mulheres que são poderosas unicamente 
pelo som da sua voz. 

Saint Prosper. 



LISTA DOS AUTORES, CUJOS NOMES FIGURAM NESTA OBRA 



Aboim. (João d') 

Abouisse. 

Abrantes, (mad. d') 

Adanson. 

Addison. 

Affonso d'Aragão. (D.) 

Alphonse Karr. 

Amorim. (F. Gomes de) 

Anacreonte. 

Apelles. 

Arcorrville. (mad. d') 

Argens. (d') 

Aristóteles. 

Arlincourt. (d') 

Arsénio Houssaye. 

Aulnoy. (mad. d') 



B 



Bacon. 

Balzac. 

Barthe. 

Beauchène. 

Beaumanoir. 

Beaumarchais. 

Beaumelle. 

Beaumont. (mad.) 

Bellegarigue. 

Bernard. (Ch. de) 

Bernardim Ribeiro. 

Bernardin de Saint Pierre. 

Bernis. 

Bertinazzi. 

Bignicourt. 

Bion. 

Blondel. 

Bocage. (M. M. de B. du) 

Boileau. 



Bonald. 
Bosc. (P. du) 



Boufflers. 
Boussanelle. 
Brantôme. 
Brisson. (mad.; 
Bruys. 
Bugny. 
Bulhão Pato. 
Bussy Rabutin. 
Byron. 



DICCIONARIO 



C 



Cabanis. 

Calderon. 

Camões. (Luiz de) 

Cardan. 

Carneadas. 

Casimiro d'Abreu. ' 

Castello Branco (C.) 

Castilho. (À. M. de) 

Castilho. (A. F. de) 

Catalani. 

Catão. 

Catullo. 

Chabanon. 

Cbampfort. 

Cbateaubriand. 

Châtelet. (mad. du) 

Cbaumette. 

Chillon. 

Cícero. 

Clemente xiv. 

Codro. 

Commerson. 

Condorcet. 

Corneille. (P.) 



Crébillon. 
Cujas. 



D 



Danchet. 
Dancourt. 
Daniel Stern. 
Daumas. (C.) 
Deffand. (Mad. du) 



Deshoulières. (mad.) 

Desmahis. 

Desnoyers. (L.) 

Diderot. 

Diógenes. 

Dorat. 

Droz. 

Dubay. 

Duelos. 

Duflot. 

Dufrenoy. (mad.) 

Dufresne. 

Dufresny. 

Dumas. (Alexandre) 

Dunoyer. (mad.) 

Dupont. (Pierre) 

Dupuy. 



ÁLBUM 



E 



Edegworth. (miss.) 

Emile de Girardin. 

Epi curió. 

Erasmo. 

Espinasse. (M. elle de 1') 



Euripides. 



P' 



Fabre d'Eglantine. 

Faulcon. (F.) 

Favart. 

Fée. (mad.) 

Feuchères. 

Ferrière (Gh. de la) 

Flahaut. (mad. de) 

Fontaines. (m. elie de) 

Fontanes. 

Fontenelle. 

Fourier. (C.) 

Francisco I. (rei de França) 

Franklin. 

Frederico II. 

Frederico Thomas. 



O 



Garrett, (visconde de Almeida; 

Gautier. (Th.) 

Genlis. (mad. de) 

Geoffrin. (mad. de) 

George Sand. (mad.) 

Girardin. (mad. de) 

Godwin. 

Goethe. 

Goldoni. 

Goldsmith. 

Gonçalves Dias. 

Gozlan. (Léon) 

Grafigny. (mad. de) 

Gratian. 

Grégoire. 

Gregory. 

Gresset. 

Gretry. 

Greuze. 

Grimod de la Regniòrc. 

Grun. 

Guibert. (mad.) 

Guizot. (mad.) 

Guyard. (A.) 



D1CCI0NARI0 



H 



Hamilton. 
Harleville. 


C. d') 


Heloise. 




Helvécio. 




Herculano 


(À.) 


Herder. 




Hesiodo. 




Horácio. 




Houdetot. 


(A. d') 



Janin. (J.) 

Jaucourt. 

João de Lemos. 

Joly. 

Joubert. 

Jouy. 

Junqueira Freire. (J. J.) 

Juvenal. 



Labouisse. 

Laboulayc. (E.) 

La Bruyère. 

La Chaussée. 

Laclos. 

La Fontaine. 

Lallemand. (D.) 

Lamartine. 

Lambert, (mad.) 

Lambert. 

Lamennais. 

La Mettrie. 

Latena. 

La Roche. 

La Rochefoucauld. 

L. de C. 

Lecomte. (J.) 

Legou vé. 

Lemesle. 

Lemontey. 

Leoni. (F. E.) 

Leroux. (P.) 

Lesage. 



ÁLBUM 



205 



Levis. 

Ligae. (o príncipe de) 

Limayrac. (P.) 

Lingrée. 

Lope de Vega. 

Luiz xiv. (rei de França) 

Lutherio. 

Lycurgo. 



M 



Macedo. (L. de) 
Mafoma. 

Magalhães. (D. J. 
Maistre (X. de) 
Malherbe. 
Manon. 
Marechal. (S.) 
Marivaux. 
Marmontel. 



G. de) 



Massillon. 

Maurício de Saxonia. 

Meilhan. 

Menandro. 

Mercier. 

Méré. 

Michelet. 

Miguel Angelo. 

Milton. 

Mirabeau. 

Molière. 

Moncrif. 

Montaigne. 

Montaran. (mad. de) 



Montesquieu. 
Motteville. (mad. de) 
Musset. (A. de) 
Musset. (P. de) 



200 



DICCIONARIO 



N 



Napoleão I. 

Xecker. (mad.) 

Nicolau Tolentino. 

Nicole. 

Ninoa de Lenclos. 

.Nodier. (Gh.) 







Ovídio. 
Oxenstiern. 



Pascal. 

Paulo de Kock. 

Perret. 

Petiet. 

Petit Semi. 

Petrarca. 

Petrone. 



Plinio. 
Plutarco. 
Poincelot. 
Pompadour. (mad. de) 



(G.) 
Propercio. 
Prevost. 
Publio Syro. 
Puisieux (mad. du) 
Pythagoras. 



ÁLBUM 



207 



Q 



Quintiliano. 



R 



Regnier Détourbet. 

Reis Quita. (D. dos) 

Remusat. (mad. de) 

Retif de la Bretonne. 

Reveroni. 

Ricard. (A.) 

Riccoboni. 

Ricbardson. 

Richter. 

Rieux. (mad. de) 

Rivarol. 

Rochebrune. 

Rochpèdre. 

Rochester. 

Roland.j![(mad.) 

Romainville. 

Romieu. 

Rousseau. (J. B.) 

Rousseau. (J. J.) 



Santo / 

S. Bernardo. 

S. Francisco. 

S. Francisco Xavier. 

S. Gregório. 

S. Jerónimo. 

S. Pedro. 

S. Thomas. 

Santa Tbereza. 

Saint Beuve. 

Saint Gyprien. 

Sainte Foix. 

Saint Evremont. 

Saint Prosper. 

Salle. (A. de la) 

Salm. (mad. de) 

Salamão. 

Sarrazin. 

Sartory (mad.) 



Say. (J. B.) 
Schiller. 
Scribe. 
Scudéri. (m. elle ) 



DICCIONARIO 



Sénancourt. 

Séneca. 

Sevignt?. (mad. de) 

Shakspeare. 

Sócrates. 

Sommery. (m. elle de) 

Sophie Arnoud. 

Sophie Gay. (mad.) 

Staal Delaunay. (mad.) 

Stael. (mad. de) 

Statal. 

Stendhal. 

Sterne. 

Stobée. 

Suard. 



T 



Tácito. 

Tasso (T.) 

Tendia, (mad. du) 

Terêncio. 

Thales. 

Theocrito. 

Theophilo Braga. 

Tuoré. 

Thucydides. 

TiJly. 

Tobin. 

Tour. (mad. de la) 

Trublet. 

Turenne. 



Valmore. (mad.) 
Varenne. (Pb. de) 
Vauvenargues. 
Victor Hugo. 
Vidal (E. A.) 
Vigny. (A. de) 
Villemot. 
Virey. 
Virgílio. 
Vives. 
Voisenon. 
Voltaire. 



ÁLBUM 



W 



Walsh. 
Wieland. 
Woillez (mad.) 



Young. 



ÍNDICE 



A 



Abandono 9 

Acaso 9 

Acção 9 

Aceio 10 

Acommettimento 10 

Adivinhar 11 

Admiração 11 

Adorador 11 

Adulação. . 12 

Adultério 12 

Afagos 13 

Affectação 14 

Affecto 14 

Afouteza 14 

Agradar 15 

Agrado 16 

Alegria 16 

Aleivosia 16 

Alma 17 



Amabilidade 17 

Amanhã 18 

Amante 18 

Ambição 20 

Amigo 21 

Amizade 22 

Amor 23 

Amor-proprio 30 

Ancião 30 

Annel 32 

Animaes 32 

Anjo 33 

Anno 34 

Apparencia 34 

Ardil 35 

Arrojo 36 

Arte 36 

Asneira 36 

Assiduidade ...... 37 

Atavio 37 

Atrevimento 38 

Attenção 38 



Auctoridade 38 

Ausência 39 

Avareza 40 

Aversão 40 

Aza 40 



D1CCI0NARI0 



Baile 41 

Banho 42 

Barba 42 

Beijo 42 

Belleza 43 

Bem 45 

Bondade 45 



Cabeça 46 

Cadeia 46 

Campo 47 

Candura 47 

Canto 48 

Caridade 49 

Carinhos 49 

Carnaval 49 

Carta 50 

Castidade 50 

Casamento 51 

Cegueira 53 

Celibato . 53 

Character 54 

Circumstancia 55 

Ciúme 55 

Cocheiro 57 

Cólera 57 

Combate. . . 57 

Começo 58 

Commercio 58 

Compaixão 58 

Comparação 59 

Concórdia 59 



Condescender 












59 


Confiança . 










. 60 


Confidencia. 










60 


Confissão. . 










60 


Conhecimento 










61 


Conquista . 












61 


Consciência. 












61 


Consideração 












62 


Consolação . 












62 


Constância . 












62 


Constrangimen 













63 


Contradicção 












63 


Contentamento 












64 


Contestação. 












64 


Conversação 












64 


Coração . . 












65 


Coragem. 














66 


Corar. . 














67 


Corpo . 














67 


Correcção 














67 


Costumes 














68 


Cousa. . 














68 


Credulidade 














69 


Criança . 














69 


Crime. . 














70 


Cura . . 














70 


Curiosidade 














71 



D 



Dança 72 

Dar 74 

Declaração 74 

Defeito 75 

Delicadeza . 76 

Depravação 76 

Desafio 77 

Desavença 77 

Desconfiança 78 

78 

78 

80 

80 

Dever 81 

Devoção 82 

Dia 82 

Diabo 83 

Diffamação 83 

Dinheiro 84 

Discrição 85 

Distracção 85 

Divorcio 86 

Doçura 86 

Doença 87 



ÁLBUM 



Dor . . 
Duração. 
Duvida . 



213 



E 



90 

Egoísmo 90 

Elogio 91 

Emoção 91 

Encanto 92 

Enfado 93 

Engano 93 

Entrevista 94 

Erro 95 

Escolha 95 

Escravidão 96 

Escrever 96 

Espelho 96 

Espera 97 

Espirito 98 

Esposo 99 

Esquecimento ...... 100 

Exemplo 100 

Exigência 100 

Experiência 101 



p 



Fallar 102 

Falsidade 103 

Favor 103 

Feialdade 103 

Felicidade 105 

Fita 105 

Flor 106 

Força 107 

Fortuna 107 

Franqueza 108 

Fuga 109 

Fúria 111 



(i 



Galanteio 112 

Gozo 112 

Gratidão 113 

Gracejo 113 



H 



Habito ........ 114 

Historia 114 

Homem 115 

Honestidade 116 

Honra 117 



ÁLBUM 



Idade 118 

Igualdade 119 

Alusão 119 

119 

. . . ... 120 

Inconstância 120 

Indiferença 121 

Indiscrição. . . ... . 121 

Indulgência 121 

Infelicidade 122 

Inferno 122 

Infidelidade 122 

Ingratidão 123 

Innocencia 124 



Jogo 125 

Juízo 125 

Juramento 125 



Lagrimas 127 

Lembrança 128 

Leque 129 

Leviandade 129 

Liberdade 130 

Libertinagem 130 

Lisonja 131 

Livro 131 

Loucura 132 

Louvor 133 

Lua 133 



M 



DICCIONARIO 



N 



O 



Macrreza 134 

Mal 134 

Maldade 134 

Mão 135 

Marido 135 

Medico 136 

Medo 137 

Memoria 137 

Menina 137 

Mentira 138 

Milagre 139 

Mocidade 140 

Moda 140 

Moderação 141 

Modéstia 141 

Momento 142 

Morte 142 

Mulher (contra) 144 

Mulher (pró) 146 

Musica 148 

Mysterio 148 



Namoro 149 

Não 149 

Natureza 149 

Nome 150 

Noite .150 

Novidade 151 



Obstáculos 152 

Occasião ,. , 152 

Ociosidade 153 

Ódio 153 

Olhar 154 

Olhos 155 

Orgulho . 156 

Ouro 156 

Ouvido 157 



ÁLBUM 



Paciência 158 

Paixão 158 

Parecença 159 

Pé 159 

Peccado 160 

Pensamento 160 

Perdão 161 

Perigo 162 

Persuasão 163 

Pezar 163 

Pobreza 164 

Polidez 165 

Porvir 165 

Prazer 165 

Precaução 167 

Preferencia 167 

Presença 168 

Presente 168 

Presumido 168 

Presumpção 169 

Primavera 169 

Promettimento 170 

Provocação 170 

Prudência 171 



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Queixa ........ 172 



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Razão. 173 

Reconciliação 174 

Recusa 174 

Religião 174 

Reputação 175 

Retrato 175 

Ridículo 175 

Rigor 176 

Riqueza 176 

Rir 176 

Rival 177 

Romance 177 

Rosto 178 

Roza 178 

Ruga 179 



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Saudade 181 

Seducção 182 

Sensibilidade 182 

Sentidos 182 

Sentimentos 183 

Separação 184 

Silencio 185 

Sim 185 

Soffrimento 186 

Solidão 186 

Sonho 186 

Sorriso 187 

Suicídio 188 

Suspeita 189 

Syrapathia 190 



Tempo . 
Trabalbo. 
Tristeza. 



191 
192 
193 



Vaidade 194 

Velhice 194 

Verdade 195 

Vicio 195 

Vida 196 

Vingança 197 

Virtude 197 

Viuvez 198 

Vontade 199 

Voz 199 



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nt Date: Nov. 2007 



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